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Full text of "Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi"

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ISSN 0077-2216 


BOLETIM DO 




BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI 
Série BOTÂNICA 


GOVERNO DO BRASIL 

Presidência da República 

Presidente - Fernando Henrique Cardoso 

Ministério da Ciência e Tecnologia - NCT 
Ministro - José Israel Vargas 

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq 
Presidente - José Galízia Tundisi 

Museu Paraense Emílio Gocldi - MPEG 

Diretor - Adélia de Oliveira Rodrigues 

Diretor Adjunto de Pesquisa - Antonio Carlos Magalhães 

Diretora Adjunta de Difusão Científica - Helena Andrade da Silveira 

Comissão de Editoração - MPEG 
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado 
Editor-Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa 

Equipe Editorial - Lais Zumero, Iraneide Silva, Elminda Santana, Socorro Menezes 

CONSELHO CIENTÍFICO 
Consultores 


AnaMariaGiulietti -USP 

Carlos Toledo Rizzini - Jardim Botânico do Rio de Janeiro 

Dana Griffin III - University of Florida 

Enrique Forero - New York Botanical Gardcn 

Fernando Roberto Martins - UNICAMP 

Chillean T. Prance - Royal Botanic Garden 

Hcrmógenes Leitão Filho - UNICAMP 

João Peres Chimelo - IPT 

Nanuza L. Menezes - Instituto de Biociências - USP 

Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz 

Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeldi 

Therezinha SanfAnna Melhém - Instituto de Botânica de São Paulo 

Warwick E. Kcrr - Universidade Federal de Uberlândia 

William A. Rodrigues - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia 


Apoio: Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil 
Sub-Programadc C&T - PP/G7 • MMA/MCT/FINEP 


© Direitos de Cópia/Copyright 1 997 
por/by MCT/CNPq/Museu Goeldi 



ISSN 0077-2216 


Ministério da Ciência e Tecnologia 
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI 


Boletim do 
Museu Paraense 
Emílio Goeldi 


I REUNIÃO DOS BOTÂNICOS DA AMAZÔNIA 

Organizadores 
Pedro L. B. Lisboa 
Regina Célia Lobato Lisboa 
Samuel Soares de Almeida 
Léa Maria Medeiros Carreira 
Mário Augusto Gonçalves Jardim 



Série 


BOTÂNICA 


Vol. 1 1(1) 

fr 

Belém - Pará 


Julhode 1995 

lx- h 







MCT/CNPq 

MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI 

Parque Zoobotâncio - Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz 
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Guamá 
Caixa Postal: 399 - Telex: (091) 1419 - Fones: Parque (091) 249-1233, 
Campus (091) 246-9777 - Fax: (091) 249-0466 
CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil 


O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi 
fundado em 1894 por Emilio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual 
Boletim é sucedâneo daquele. 

The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was 
founded in 1894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1896. 
The present Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to 
this publication. 


REVISTA FINANCIADA COM RECURSOS DO 


Programa de Apoio a Publicações Científicas 


MCT 


CNPq G) FINEP 


Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil 
Sub-Programa de C&T - PP/G7 • MMA/MCT/F1NEP 


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APRESENTAÇAO 


A extensão territorial e a riqueza da floresta amazônica constituem o 
cenário indicador de que a Botânica deve ser encarada como uma disciplina 
prioritária na vida acadêmica da região. Mas esta constatação não tem sido 
suficientemente estimulante para que esta ciência seja aqui apoiada de forma 
efetiva e contínua. 

Embora o interesse internacional sobre a flora regional seja uma 
realidade, a nível nacional ou regional estamos longe de contribuir para o seu 
completo conhecimento. As instituições de ensino e pesquisa da Amazônia, 
voltadas para as Ciências Biológicas devem ocupar uma posição de liderança 
na elaboração de um banco de dados sobre a vegetação e a flora. Os 
obstáculos a superar não são poucos. O desafio é grande. A realização da 
I Reunião dos Botânicos, realizada no período de 26 a 30 de junho de 1995, 
nas dependências do Museu Paraense Emílio Goeldi, faz parte desse esforço 
de planejar a Botânica regional, como instrumento de seu fortalecimento. 

A idéia de criar a Reunião dos Botânicos, portanto, visou mais que a 
apresentação de trabalhos científicos e a confraternização da classe a nível 
regional . Visou uma avaliação do desenvolvimento da disciplina Botânica na 
região, para que ações mais organizadas na defesa dos nossos interesses 
sejam tomadas. Este foi o objetivo principal do Simpósio Situação da 
Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira, realizado durante o evento. 
Convidados da maioria dos Estados da região: Acre (Marcos Silveira/ 
UFAC), Amazonas (Marlene Freitas da Silva/UTAM), Tocantins (Marccus 
Vinicius Alves/UNITIS), Pará (Mário Augusto G. Jardim/MPEG), Mato 
Grosso (Germano Guarim Neto/UFMT) estiveram presentes. Com a colabo- 
ração dos botânicos Léa Carreira (MPEG), Nívea Fernandes (UFAC) e 
Silvia Mendonça (FUA) elaboraram um documento com sugestões, que 
comentaremos mais adiante. 

O evento foi também uma oportunidade para prestar homenagem ao 
botânico João Murça Pires, falecido em dezembro de 1994, que por meio 
século dedicou-se profundamente à botânica, com administrações marcantes 
à frente dos departamentos de Botânica do Centro de Pesquisa Agroflorestal 



da Amazônia Oriental/CPATU e do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma 
indiscutível contribuição à botânica mundial. 

As atividades da Reunião começaram com duas exposições de caráter 
científico abordando o tema da ilustração botânica. Ambas foram montadas 
no Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna do Museu Goeldi. Numa delas 
foram expostas aquarelas pintadas por alunos do Curso de Ilustração 
Botânica, ministrado pela professora britânica Christabel King, na Estação 
Científica Ferreira Penna, em julho de 1994. Formidáveis reproduções de 
flores da região de Caxiuanã, bem acabadas artisticamente, revelaram que 
o curso preparou ilustradores da melhor qualidade. 

A outra exposição foi da ilustradora carioca Dulce Nascimento que 
expôs uma mostra de plantas na mesma linha da escola de Margaret Mee, 
famosa ilustradora britânica que por muitos anos dedicou-se a reproduzir 
plantas amazônicas, principalmente orquídeas e bromélias. Dulce também 
ministrou durante o evento um curso intensivo de Ilustração Botânica para 
20 pessoas, sob a sombra acolhedora das árvores no Parque Zoobotânico do 
Museu Goeldi. 

A Programação técnico-científica realizada foi intensa. Dos 117 
trabalhos inscritos foram apresentados 105, ou seja, apenas 14 trabalhos 
estiveram ausentes. Dos 28 trabalhos inscritos na Sessão de Botânica 
Econômica, apenas um não foi apresentado. O situação geral pode ser 
observada na tabela 1 . 


Tabela 1 - Número de trabalhos inscritos e apresentados na I Reunião dos Botânicos da 
Amazônia. 


SESSÕES TÉCNICAS 

TRAB AL. INSCRITOS 

TRABAL. APRESENTADOS 

BOTÂNICA SISTEMÁTICA 

22 

20 

MORFOLOGIA VEGETAL 

24 

19 

FLORÍSTICA 

23 

18 

ECOLOGIA 

20 

19 

BOTÂNICA ECONÔMICA 

28 

27 

TOTAL 

117 

103 


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Além das sessões técnicas de painéis foram realizados dois mini-cursos : 
Taxonomia Vegetal (Professores Marlene Freitas da Silva/UTAM, Regina 
Celia Lobato Lisboa/MPEG e Helen Sótão/MPEG) e Ecologia Vegetal 
(Samuel Soares de Almeida/MPEG, Noemi Viana Leão/CPATU). 

O evento foi complementado com três expedições científicas: ilha do 
Combu, onde os participantes observaram uma várzea típica do estuário do 
Amazonas e o manejo que os nativos fazem com o açaí, o cacau e outras 
plantas típicas da Amazônia; Crispim, onde os visitantes conheceral o litoral 
paraense e suas vegetações de mangue e restinga; Caxiuanã/Estação 
Científica Ferreira Penna, unidade de conservação do Museu Goeldi, situada 
no município de Melgaço, Pará. A Estação de 33.000 hectares, é constituída 
por ambiente de terra firme, várzea, igapó, savanas e abundante vegetação 
aquática. 

O simpósio Situação da Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira foi 
muito ativo e dele resultou um documento preliminar, que aborda algumas 
questões fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa botânica na 
Amazônia. O documento busca refletir nossos anseios e desejos para o 
fortalecimento dos Institutos de Pesquisa, bem como de seus profissionais e 
estudantes. Entre as questões levantadas estão as necessidades de integração 
e intercâmbio, com a criação de mecanismos que venham a permitir a troca 
de informações em seus diferentes níveis (instituições, herbários, pesquisa- 
dores etc.), que possam direcionar o ensino e a pesquisa em Botânica na 
Amazônia às reais necessidades regionais; de capacitação de recursos 
humanos, com ênfase nas atividades de Iniciação Científica, Aperfeiçoamen- 
to, acompanhadas dos cursos de graduação e pós-graduação e no estímulo à 
participação de estudantes e técnicos de laboratório em cursos de extensão 
e estágios supervisionados, visando a sua qualificação profissional; de 
incentivo a pesquisa, com a formulação do Programa Integrado de Estudos 
Botânicos dos Estados da Amazônia, como forma de minimizar a notória 
dificuldade de captação de recursos financeiros; de divulgação científica, 
com o estímulo ao sistema de doações e permutas de material bibliográfico 
entre as instituições amazônicas e incremento da publicação do Boletim 
Informativo da SBB-Seccional Amazônia. 




Foi sugerido também que, de maneira extra-oficial, circule entre os 
herbários listas periódicas, com as novas identificações realizadas pelos 
especialistas. Isto será de fundamental importância para a elaboração de 
futuros trabalhos, em particular com enfoque florístico. 

A entrega dos Anais da I Reunião dos Botânicos da Amazônia, em 
quatro volumes suplementares do Boletim do Museu Paraense Emílio 
Goeldi, mostra que o esforço coletivo sempre dá respostas efetivas. Há uma 
potencial produção científica, de boa qualidade, sobre botânica na Amazônia 
que precisa ser transformada em papers. É este um dos objetivos que nós, 
da atual diretoria da Regional Amazônia, da Sociedade Botânica da Amazô- 
nia, desejamos transformar em realidade. 


Pedro L. B. Lisboa 

Pesquisador Titular/CNPq/MPEG 
Diretor da Regional Amazônia/Sociedade Botânica do Brasil 


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CDD: 582.1601 



NOTAS SOBRE IMPLEMENTOS INDÍGENAS 
COM MADEIRA DE 5000 ANOS DA 
MICRORREGIÃO DO TAPAJÓS, PARÁ 


Pedro L. B. Lisboa 1 
Alicia Durán Coirolo 2 


RESUMO - A região do Tapajós sempre é referida desde os séculos XVI e XVII 
como densamente povoada pelos descobridores. Em 1992 uma equipe do Museu 
Goeldi realizou um salvamento arqueológico na cidade de Itaituba, no Médio 
rio Tapajós. Entre os achados de material cerâmico e lítico, foi também 
localizado material lenhoso ( madeira ) arqueológico pouco frequente para a 
região amazônica. Material orgânico oriundo do material cerâmico, em 
análises radiocarbônicas, revelaram datação de 5000. Foram coletadas armas 
em madeira (propulsores , borduna e lança) em perfeito estado de conservação. 
Este material foi analisado no Laboratório de Anatomia da Madeira do Museu 
Goeldi. A análise macroscópica revelou que a borduna e a lança foram 
confeccionados com “massaranduba" , Manilkaraq/f. bidentata (A. DeCandolle) 
Chevaliersubsp. surinamensis (Miquel) Pennington (Sapotaceae); os propulso- 
res, com madeira de uma leguminosa conhecida como “pau-ferro”, Zollernia 
paraensis Huber (Leg. Pap.j.O estudo anatômico-microscópico confirmou a 
identificação macroscópica das duas espécies. As características das madeiras 
identificadas permitem entender o excelente estado de conservação das peças 
estudadas, mesmo após 5000 anos, conforme a datação radiocarbônica 
inferida. 

PALAVRAS-CHAVE: Anatomia da madeira. Arqueologia, Estado do Pará. 


1 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Pesquisador titular. Caixa 
Postal, 399. Cep 66040-170. Belém-PA. Fax (091) 226-3824. 

2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Ciências Humanas/Arqueologia. 
Pesquisador titular. Caixa Postal, 399. Cep 66040-170. Belém-PA. Fax (091) 226-3824. 


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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


ABSTRACT - The region ofthe Tapajós River in the Amazon Basin was always 
described as being densely populated by its discovers. In 1992, a research team 
from the Goeldi Museum undertook salvage archaeology in the city of Itaituba, 
Pará, on the middle Tapajós River. Among the uncovered ceramic and stone 
artefacts, some wooden artefacts, seldom found in the Amazon region, werw 
also discovered. Wooden arrns (throwing sticks, war club and spear) in perfects 
State of preservation were collected. These were analyzed in the Wood Anatomy 
Laboratory ofthe Goeldi Museum. Macroscopic examination reveled the that the 
war club and the spear were madefrom Massaranduba, Manilkara aff. bidentata 
(A. DeCandolle) Chevalier subsp. surinamensis (Miquel) Pennington, family 
Sapotaceae. The throwing sticks were made ofa legominous wood known as iron 
wood (pau-ferro ), Zollernia paraensis Huber. Microscopic examination ofthe 
wood anatomy confirmed the identifications made macroscopically ofthe two 
woodspecies. Thephysical characteristics of these identified woodspecies helps 
to explain why the artefacts were in an excellent State of preservation, even after 
5000 years. 

KEY WORDS: Wood anatomy, Archeology, Pará State. 


INTRODUÇÃO 

A região do rio Tapajós foi descrita pelos descobridores e viajantes dos 
séculos XVI-XVII como densamente povoada (Carvajal 1955 (1542); Acuna 
1891 (1641)). Do ponto de vista arqueológico a região é bastante conhecida 
pela existência da chamada Cultura Santarém, caracterizada pela sua 
cerâmica profusamente decorada e de formas variadas. 

Roosevelt (1990 e 1992) e Roosevelt et al. (1991) estabeleceram uma 
seqüência de ocupações para o Baixo Amazonas que cobre desde as culturas 
páleo-indígenas, passando pela formação das sociedades complexas e, 
atingindo os cadeados ou chefias ( chiefdoms ), alguns dos quais já em pleno 
desenvolvimento, no momento da chegada dos europeus. Suas pesquisas na 
região de Santarém (Abrigo da Pedra Pintada e Sambaqui de Taperinha) 
mostraram a antigüidade dos assentamentos de grupos ceramistas. 

Em 1992, uma equipe do Museu Goeldi realizou um salvamento de 
emergência na cidade de Itaituba, no médio rio Tapajós. Os estudos 
mostraram que a cidade assenta-se sobre uma antiga aldeia indígena de 


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Notas sobre implementos indígenas com madeira 


grandes proporções. Material arqueológico, cerâmico e lítico, aflorava 
à superfície, ocorrendo até à uma profundidade de +/- 70 cm. Material 
orgânico coletado no interior de duas urnas foi enviado aos Estados Unidos 
da América do Norte para análises radiocarbônicas, revelando uma datação 
de 5000 anos antes do presente. 

No chamado sítio do Piririma (PA-IT-28) localizado nas proximidades 
do igarapé do Rato, a 2000 metros da sua confluência com o rio Tapajós 
(57° 57' Long. Oeste e 5 o 10' Lat. Sul) foi achado numeroso material 
arqueológico. A aldeia indígena ocupava ambas as margens do igarapé, 
percebendo-se na superfície desmatada, uma mancha de terra preta de 
vários hectares. O contexto comportava: material cerâmico (panelas, vasos 
de diversos tamanhos e formas e urnas); material lítico, onde ressaltava 
lâminas de machado em diabásio e basalto, amoladores e machados manuais 
em basalto, um projétil de forma cônica em rocha ígnea e, mãos-de-pilão em 
diabásio e rocha ígnea; material lenhoso (madeira), como armas (propulso- 
res, borduna e lança) todos em perfeito estado de conservação, assim como 
peças antropomorfas quebradas, com uma depressão ventral e, restos de 
pigmentos de pintura (Figuras 1-2). 

Ainda sobre este material confeccionado com madeira, tão difícil de 
ser encontrado em sítios arqueológicos da Amazônia, aprofundamos nossos 
estudos com a finalidade de obtermos informações mais detalhadas sobre 
sua origem. 


ARMAS EM MADEIRA DO SÍTIO PIRIRIMA 

Todo material encontrado (lança, propulsores e borduna) foi exami- 
nado no Laboratório de Anatomia da Madeira do Museu Goeldi, para 
identificação, obtendo-se os seguintes resultados: 

A borduna e a lança foram confeccionadas com com “massaranduba”, 
Manilkara aff. bidentata (A. De Candolle) Chevalier subsp. surinamensis 
(Miquel) Pennington, da família Sapotaceae; os propulsores foram confec- 
cionados com madeira de uma Leguminosae Caesalpinioideae conhecida 
como “pau-ferro”, Zollernia paraensis Huber. 


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Notas sobre implementos indígenas com madeira 


Para a identificação das espécies, pequenas amostras foram retira- 
das das peças arqueológicas, para confecção de cortes histológicos, 
obedecendo-se as técnicas padronizadas para estudos anatômicos em 
madeiras. Primeiramente, as amostras foram fervidas em água por duas 
horas, para amolecimento; delas foram então obtidos cortes nos sentidos 
transversal e longitudinal, orientados em dois planos (tangencial e 
radial), utilizando-se um micrótomo de deslise. Os cortes foram subme- 
tidos a clarificação com Hipoclorito de Sódio, depois passados em série 
alcoólica em várias concentrações, para desidratação; em seguida, os 
cortes foram corados com safranina hidroalcoólica e, montados com 
bálsamo do Canadá, e montados entre lâminas e lamínulas. 


CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE AS ESPECIES 

1. Manilkara aff. bidentata (A. De Candolle) Chevalier subsp. 
surinamensis (Miquel) Pennington 

Árvore que na floresta amazônica atinge, às vezes, mais de 40 
metros de altura. Nos ambientes secos e arenosos como nas campinas de 
areia branca, apresenta porte arbustivo de l-2m de altura. A casca é 
marrom-acinzentada, fissurada e exuda látex branco, quando cortada. A 
madeira apresenta alburno claro e cerne vermelho-escuro. É muito dura 
e pesada, com densidade entre 0,90 e 1,00 grama/cm 3 e, muito resistente 
à umidade, com alto limite de resistência à compressão e fendilhamento 
médio. Estas características lhe conferem uma alta durabilidade natural 
assim como grande resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins 
e outros insetos xilófagos, daí as peças terem sido encontradas em estado 
quase perfeito, no sítio arqueológico. 

M. aff. bidentata pertence ao gênero neotropical Manilkara, cons- 
tituído de 30 espécies, com ampla distribuição em toda a América 
tropical, abrangendo a região entre o México, as ilhas do Caribe, 
estendendo-se até o sul do Brasil. Algumas espécies de “massaranduba”, 
onde inclui-se M. bidentata subsp. surinamensis, fazem parte do grupo 
de madeiras amazônicas muito exploradas para fins comerciais, por sua 
durabilidade natural. Por esta razão é uma das espécies consideradas 
como vulneráveis à extinção (Lisboa 1991). 


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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


Manilka aff. bidentata, de onde procedem, seguramente as bordunas 
e as lanças, tem uma ampla distribuição geográfica, sendo encontrada 
sob a forma de duas subespécies ( M . bidentata subsp. bidentata e M. 
bidentata subsp. surinamensis ) desde a América Central e o Caribe até 
alcançar a América do Sul. A subespécie surinamensis ocorre, principal- 
mente, na região amazônica (Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, 
Equador e Brasil) estendendo-se ao norte até à algumas ilhas do Caribe 
(República Dominicana, Porto Rico, Ilhas Virgens, Guadalupe e Santa 
Lucia). Habita tanto em áreas periodicamente inundadas (várzeas) quan- 
to em áreas de terra firme, como as florestas úmidas e nas campinas secas 
de areia branca, em altitudes que variam desde o nível do mar até 1.500 
metros. A subespécie bidentata é mais periférica, em relação à Amazônia. 

No Brasil a subsp. surinamensis limita-se à região amazônica, tendo 
sido registrada também nos Estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima. 

Através das comparações feitas com outras amostras de madeiras de 
“massaranduba” da xiloteca do Museu Goeldi foi possível afirmarmos que 
a madeira das lanças e da borduna é mais afim com M. bidentata subsp. 
surinamensis , possibilidade esta fortalecida pela distribuição da subespécie 
pelo interior da Amazônia, e por ser de ocorrência muito comum conforme 
observado por Pennington (1991). A importância desse fato, entretanto, é 
apenas relativa, se considerarmos que todas as espécies de “massaranduba” 
apresentam propriedades semelhantes, permitindo as mesmas utilizações. 

M. bidentata subsp. surinamensis recebe inúmeras denominações 
populares na Amazônia brasileira: caramuxi, maparajupa, massaranduba, 
massaranduba-balata, massaranduba-braba, massaranduba-casca-lisa, 
massaranduba-chicle, massaranduba-da-caatinga, massaranduba-da-restinga, 
massaranduba-do-igapó, massaranduba-folha-verde, massaranduba-irana, 
massaranduba-mansa, massaranduba-pendária, massaranduba-da-terra-firme, 
massaranduba-vermelha, pendária, pendária-da-serra. 


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Notas sobre implementos indígenas com madeira 


2. Zollernia paraensis Huber 

Árvore de grande porte conhecida popularmente por “pau-ferro” 
por ter um lenho duríssimo, muito pesado, com densidade entre 0,95 e 
1,00 g/cm 3 , apresentando alto limite de resistência à compressão e fibras 
com tração normal, alta. O alburno é amarelo-claro e o cerne preto- 
esverdeado com manchas mais claras. Segundo Loureiro & Silva (1968) 
é fácil de trabalhar, recebendo polimento perfeito e atraente. Resiste bem 
ao apodrecimento, ao ataque de cupins e de outros insetos xilófagos. 

Os propulsores foram confeccionados com “pau-ferro”, por sua 
dureza. No Brasil, as madeiras do gênero Zollernia são utilizadas na 
marcenaria de luxo, ebanisteria, carpintaria e construção em geral, acaba- 
mentos internos, artigos de esporte (tacos e bolas), folhas faqueadas 
decorativas, esquadrias, cabos de ferramentas, peças torneadas, tacos e 
tábuas para assoalhos, instrumentos musicais e outros. 

Z. paraensis habita as matas da terra firme, no Estado do Pará, 
nordeste do Maranhão e Mato Grosso. 


CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS DAS MADEIRAS 

Manilkara bidentata subsp. surinanensis (Figuras 3-4) 

Vasos pequenos a médios, de pouco a pouco numerosos, solitários, 
geminados, predominando longas cadeias radiais; pontuações intervasculares 
alternas e placas de perfuração simples. Raios irregularmente dispostos, 
heterocelulares, geralmente com uma a quatro células marginais eretas, 
predominando os bisseriados, uni e trisseriados freqüentes, baixos e nume- 
rosos; pontuações radiovasculares simples, grandes, ovais e alongadas; 
óleo-resina presente. Fibras de paredes espessas, com pontuações simples. 
Parênquima axial apotraqueal, em linhas de 1 a 4 células de largura, 
concêntricas, lembrando um retículo; óleo-resina presente. Camadas de 
crescimento indistintas, ou mal definidas. 


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Figuras 3-4: Manilkara bidentata subsp. surínamensis. 3 - Corte tranversal (50x). Observar os poros em 
cadeiais radiais, parênquima axial em linhas; 4 - Corte tangencial (50x). Observar raios bi e uniseriados. 


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Notas sobre implementos indígenas com madeira 


Zollernia paraensis Huber (Figuras 5-7) 

Vasos solitários predominantes, geminados freqüentes e raros 
múltiplos de 3, pouco numerosos, médios, curtos; pontuações inter- 
vasculares circulares a ovaladas, guarnecidas, pequenas; placas de 
perfuração simples. Raios bi e trisseriados predominantes, tetrasseriados 
pouco comuns, homocelulares predominantes e raros heterocelulares, 
estratificados; pontuações radiovasculares semelhantes às inter- 
vasculares. Fibras librifomes, variando de curtas a longas, estreitas, de 
paredes muito espessas. Parênquima axial paratraqueal, em faixas 
estreitas, regularmente espaçadas, tangenciais, com 3 a 8 células de 
largura e estratificação visível no plano tangencial; cristais prismáticos 
presentes. Camadas de crescimento demarcadas por zonas fibrosas 
levemente mais escuras. 


CONCLUSÕES 

As características estruturais das madeiras identificadas ( Manilkara 
aff. bidentata subsp. surinamensis (Sapotaceae) e, Zollernia paraensis 
Huber (Leg. Caesalp.) permitem entender a razão das peças estudadas 
apresentarem excelente estado de conservação, mesmo após tantos anos. 
Ambas são madeiras extremamente duras e resistentes à ação de agentes 
xilófagos, como insetos e microorganismos. 


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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 



Figuras 5-7: Z ollenúa paraensis . 5 - Corte transversal (50x). Observar os poros solitários e parênquima 
axial em faixas; 6 - Corte tangencial (50x). Observar raios e parênquima estratificados; 7 - Corte 
tangencial (125x). Presença de cristais em células do parênquima axial. 


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Notas sobre implementos indígenas com madeira 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


ACUNA, C. 1891. Nuevo descubrimiento dei gran rio de las Amazonas (1641). v. 2. 
Madri, 235 p. 

CARVAJAL, G. 1955. Relación dei nuevo descubrimiento dei famoso rio grande de las 
Amazonas (1542). México, Ed. Fondo de Cultura Economico, p. 58-59. 

COIROLO, A.D. & e KERN, D. 1992. Salvamento arqueológico região de Itaituba: março- 
abril. Belém, 38 p. 

INSTITUTO de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo/IPT. 1989. Fichas de características 
das madeiras brasileiras , 417p. 

LISBOA, P.L.B. 1991 . Madeiras amazônicas: considerações sobre exploração, extinção de 
espécies e conservação. Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 7 (2): 521-542. 

LISBOA, P.L.B.; PRANCE, G.T. & LISBOA, P.L.B. 1976. Contribuição ao conhecimento 
da flora do Aripuanã (Mato Grosso) 1. Fanerógamas. Acta Amazon. 6 (4):33-41. 
suplemento. 

LOUREIRO, A. A. & SILVA, M.F. 1968. Catálogo de madeiras da Amazônia. Belém: 
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17 





CDD: 584.92041335 


RESPOSTA DE BRACHIARIA HUMIDICOLA 
À INOCULAÇÃO MICORRÍZICA E A 
FERTILIZAÇÃO COM FOSFATO DE ROCHA 


Newton de Lucena Cos tal 1 
Rogério S. C. da Cos tal 1 
Francisco das Chagas Leônidas 1 
Valdinei Tadeu Paulino 2 


RESUMO - Os efeitos da inoculação de micorríza vesículo-arbuscular (MV A) 
Acaulospora muricata - e doses de fosfato natural de Araxá (0, 1 00 e 200 kg de 
P 2 O s /ha), sobre o rendimento de matéria seca (MS) e absorção de nitrogênio 
e fósforo de Brachiaria humidicola , foram avaliados em experimento conduzido 
em cas-de-vegetação, utilizando-se um Latossolo Amarelo, textura argilosa, 
previamente esterilizado. A inoculação de MV A e a aplicação de fosfato de 
rocha, isolados ou conjuntamente, promoveram acréscimos significativos no 
rendimento de MS e absorção de nitrogênio e fósforo da gramínea, não sendo 
observado efeito significativo de doses de fósforo. A aplicação de fosfato de 
rocha aumentou a eficiência de resposta à inoculação, ocorrendo um efeito 
sinergístico. Aí taxas de colonização radicular não foram afetadas pela 
aplicação de fosfato de rocha. 

PALAVRAS-CHAVE: Matéria seca, Nitrogênio, Fósforo, Colonização radicular. 

ABSTRACT - The effects of vesicular-arbuscular mycorrhizal (VAM) inoculation 
andAraxa rock phosphate leveis (0 100 and 200 kg of P 2 O s /ha), on dry matter 
(DM)yield, and nitrogen and phosphorus uptake of Brachiaria humidicola, were 
evaluated in a glasshouse trial, utilizing a Yellow Latosol (O.xisol), clayey, 
previously sterilized. The VAM inoculation, alone or combined with rock 


1 EMBRAPA/Centro de Pesquisa Agroflorestal de Rondônia. Engenheiro Agrônomo. Porto Velho, 
Rondônia. 

2 Instituto de Zootecnia. Engenheiro Agrônomo. Nova Odesa-SP. 


19 


], | SciELO 




Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


phosphate fertilization, promoted a significative increments on DMyields and 
nitrogen and phophorus uptake. However, there were significants effects of 
phosphorus leveis. Rock phosphate fertilization improved the efficiency of 
response to VAM inoculation, occuredasynesgisticeffect. The root colonization 
did not affectd by rock phosphate fertilization. 

KEY WORDS: Dry matter, Nitrogen, Phosphorus, Root colonization. 


INTRODUÇÃO 

Em Rondônia, a baixa disponibilidade de fósforo solúvel no solo é um 
dos fatores mais limitantes ao crescimento das plantas forrageiras. Devido 
ao alto custo dos fertilizantes fosfatados, métodos não tradicionais que 
aumentem a disponibilidade e favoreçam a absorção de fósforo são desejá- 
veis e devem ser considerados, visando um manejo mais racional e 
econômico das pastagens. Nesse contexto, as associações micorrízicas 
surgem como uma das alternativas mais promissoras. 

A colonização das raízes por micorrizas vesículo-arbusculares (MVA) 
resulta em modificações na fisiologia, bioquímica e nutrição mineral da 
planta hospedeira, especialmente no favorecimento da absorção, translocação 
e utilização de nutrientes e água. 

Nos solos de baixa fertilidade natural, notadamente naqueles deficien- 
tes em fósforo, as associações com MVA apresentam efeitos benéficos 
mais acentuados (Mosse 1973); Rhodes & Gerdemann (1975) observaram 
que plantas colonizadas absorviam 32 p colocado até 8 cm de distância da 
superfície da raiz, devido as hifas externas do fungo funcionarem como 
extensão do sistema radicular, podendo absorver nutrientes além da zona dos 
pêlos radiculares e da zona de depleção (1 a 2 mm) que se desenvolve ao 
redor das raízes. Howeler et al. (1982) relacionando a produção de matéria 
seca obtida pela mandioca com o fósforo disponível no solo, observaram 
níveis críticos de 190 e 15 ppm de fósforo (Bray II), respectivamente, para 
plantas não inoculadas e inoculadas por MVA. 

O melhoramento da fertilidade do solo através da aplicação de fosfatos 
naturais evidenciam ainda mais os efeitos positivos das MVA. Segundo 
Barea et al. (1975) as plantas colonizadas, por apresentarem menores 


20 



Resposta de Brachiaria humidicola à inoculação micorrízica 


valores de K m , são capazes de baixar o nível de fósforo na solução para 
valores inferiores aos do produto de solubilidade de compostos pouco 
solúveis. Deste modo, as MVA ao aumentarem a absorção de fósforo 
solúvel, estimulam a dissociação química do fosfato para manter o equilíbrio 
deste na solução do solo (Barea & Azcon-Aguilar 1983). 

O presente trabalho avaliou os efeitos da inoculação de MVA e da 
aplicação de fosfato de rocha sobre o rendimento de forragem e composição 
química de Brachiaria humidicola. 


MATERIAL E MÉTODOS 

O ensaio foi conduzido em casa-de-vegetação, utilizando-se um 
Latossolo Amarelo, textura argilosa, com as seguintes características 
químicas: pH = 4,6; Al = 2,5 meq/lOOg; Ca + Mg = 1,5 meq/lOOg; 
P = 2 ppm e K = 83 ppm. 

O solo foi coletado na camada arável (0 a 20 cm), destorroado e 
peneirado em malha de 6 mm, sendo a seguir esterilizado em autoclave à 
110°C, por uma hora, a vapor fluente e pressão de 1,5 atm. 

O delineamento experimental foi em blocos casualizados com três 
repetições. Os tratamentos consistiram da inoculação de MVA ( Acaulospora 
muricata) e três doses de fosfato de rocha (0, 100 e 200 kg de P 2 0 5 /ha), 
aplicado sob a forma de Fosfato natural de Araxá (28% de P 2 0 5 total, 6% 
de P 2 0 5 solúvel, 43% de CaO). 

Cada unidade experimental constou de um vaso com capacidade para 
3,0 kg de solo seco. A inoculação de MVA foi realizada adicionando-se 10 g 
de inóculo/vaso (raiz + esporos + solo), contendo aproximadamente 500 
esporos/50 g de solo, o qual foi colocado numa camada uniforme cerca de 
5 cm abaixo do nível de plantio. Aplicou-se 5 ml de uma suspensão de solo 
livre de esporos e micélios, a fim de assegurar a presença de outros 
microorganismos naturais do solo. As doses de fosfato de rocha foram 
aplicadas antes da semeadura e uniformemente misturadas com o solo. 
O plantio foi realizado com sementes previamente lavadas com hipoclorito 
de sódio. Após o desbaste, deixou-se três plantas/vaso. O controle hídrico foi 


21 


cm 


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Boi Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


feito diariamente, através da pesagem dos vasos, mantendo-se o solo em 
80% de sua capacidade de campo. 

Após doze semanas de cultivo, as plantas foram cortadas rente ao solo, 
postas para secar em estufa à 65°C, por 72 horas, sendo a seguir pesadas e 
moídas em peneira de 2,0 mm. As concentrações de fósforo e nitrogênio 
foram quantificadas pelo método descrito por Tedesco (1982). As taxas de 
colonização radicular foram avaliadas através da observação, ao microscó- 
pio, de 25 fragmentos de raízes com 2 cm de comprimento, clarificadas com 
KOH e tingidas por azul de tripano em lactofenol, segundo a técnica de 
Phillips & Hayman (1970). 


RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Os rendimentos de matéria seca (MS) de B. humidicola, em função dos 
tratamentos aplicados estão apresentados na Tabela 1. A inoculação de 
MVA proporcionou um incremento de 133% na produção de forragem, em 
comparação com o tratamento testemunha. A aplicação de fosfato de rocha 
incrementou significativamente (P < 0,05) os rendimentos de MS, sendo os 
maiores valores, independentemente da dose utilizada, registrados nas 
plantas micorrizadas. Resultados semelhantes foram relatados por Howeler 
(1983) avaliando o efeito de MVA, na presença ou não de adubação 
fosfatada, em Andropogon gayanus cv. Planaltina. Segundo Ázcon-Aguilar 
& Barea (1978), bactérias solubilizadoras de fosfatos estão presentes na 
rizosfera micorrízica atuando sinergisticamente com os endófitos. Deste 
modo, as MVA ao incremetarem a absorção de fósforo, favorecem a 
dissociação química do fosfato insolúvel visando estabilizar a concentração 
deste na solução do solo (Barea & Ázcon-Aguilar 1983). Jehne (1980) 
observa que as espécies de MVA apresentam especificidade em relação às 
fontes de fósforo aplicadas, o que pode influenciar diretamente na eficiência 
destas. Miranda et al. (1984) verificaram interação significativa entre doses 
de fósforo e inoculação de MVA, a qual foi explicada, em parte, pela melhor 
eficiência de absorção de fósforo e transformação em rendimento de MS das 
plantas de sorgo inoculadas, na dose de 25 ppm de fósforo, devido a ausência 
de diferenças significativas entre as doses de 25 e 50 ppm de fósforo, quando 
as plantas foram micorrizadas. 


22 



Resposta de Brachiaria humidicola à inoculação micorrízica 


Tabela 1 - Rendimento de matéria seca (MS) e taxas de colonização radicular de Brachiaria 
humidicola, em função da micorrização e aplicação de fosfato de rocha. 


Tratamentos 

ms 

(g/vaso) 

Colonização 

radicular 

Testemunha 

4,57 e 

- 

Micorriza (M) 

10,65 d 

59,3 a 

Fosfato de rocha (FR,) 

(100 kg de P,0 5 /ha) 

13,71 c 

- 

Fosfato de Rocha (FR,) 

(200 kg de P,0 5 /ha) 

15,25 b 

- 

M + FR, 

16,80 ab 

67,2 a 

M+FR, 

17,96 a 

60,1 a 


- Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si (P > 0,05) pelo teste de Tukey. 


As taxas de colonização radicular não foram afetadas (P > 0,05) pela 
aplicação de fosfato de rocha (Tabela 1). Provavelmente, este fato foi 
conseqüência da aplicação de doses relativamente pequenas de fósforo, já 
que, geralmente a adubação fosfatada, notadamente de fontes solúveis, 
diminui a formação de micorrizas, bem como a proliferação de esporos 
(Mosse 1973). Da mesma forma, Costa et al. (1989) não detectaram efeito 
depressivo da aplicação de fosfato natural de Patos de Minas sobre a 
colonização de raízes de aveia forrageira inoculadas com Glornus 
macrocarpum. No entanto, a adição de superfosfato triplo reduziu significa- 
tivamente as taxas de colonização radicular. 

As maiores concentrações de nitrogênio foram obtidas no tratamento 
testemunha e com a aplicação de 100 kg de P 2 0 5 /ha, os quais não diferiram 
entre si (P > 0,05). As plantas micorrizadas, independentemente da 
adubação fosfatada, apresentaram os menores teores de nitrogênio, como 
conseqüência do efeito de diluição deste nutriente, à medida que os rendi- 
mentos de MS aumentaram. As maiores quantidades absorvidas de nitrogênio 
e fósforo foram obtidas com a aplicação de fosfato de rocha, associada à 
inoculação de MVA, não sendo, contudo, constatado efeito significativo 
(P > 0,05) de doses. Já, plantas fertilizadas com 200 kg de P 2 0 5 /ha, na 
presença de MVA, forneceram a maior concentração de fósforo (Tabela 2) 
Mosse (1977) observou que plantas micorrizadas de milho, suplementadas 
com pequenas doses de fósforo, apresentavam melhor crescimento e 



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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 

absorção de nutrientes. O aumento na área de solo explorado parece ser o 
principal mecanismo responsável pelo aumento da absorção de nutrientes. 
Gerdemann & Trappe (1974) verificaram que as hifas do fungo que coloni- 
zavam o córtex estendem-se no solo adjacente, podendo atingir distâncias 
consideráveis (16 cm) da superfície da raiz, aumentando, deste modo, a 
interface raiz-solo, além de fazer a comunicação das raízes absorventes 
com zonas não esgotadas em nutrientes. Para Siqueira (1983) a micorrização, 
geralmente, implica em aumento na taxa fotossintética, respiração e 
transpiração, o que pode exercer efeitos positivos sobre a absorção de 
nutrientes disponíveis na solução do solo. 

Tabela 2 - Teores e quantidades absorvidas de nitrogênio e fósforo de Brachiaria humidicola, 
em função da micorrização e aplicação de fosfato de rocha. 


Tratamentos 

% 

Nitrogênio 

mg/vaso 

% 

Fósforo 

mg/vaso 

Testemunha 

1,43 a 

65,35 e 

0,1 17 e 

5,34 e 

Micorriza (M) 

1,15c 

122,48 d 

0,132 d 

14,05 d 

Fosfato de. rocha (FR,) 

(1 00 kg de P,O s /ha) 

1,37 a 

187,82 c 

0,144 cd 

19,74 c 

Fosfato de roccha (FR,) 
(200 kg de P,0 } /ha) 

1,29 b 

196,72 bc 

0,151 bc 

23,02 bc 

M + FR, 

1, 31 b 

220,08 a 

0,158 b 

26,54 ab 

M + FR, 

1,26 b 

226,29 a 

0,172 a 

30,89 a 


- Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si (P > 0,05) pelo teste de Tukey. 

CONCLUSÕES 

1 - A inoculação de MVA e a aplicação de fosfato de rocha, isoladas 
ou conjuntamente, promoveram acréscimos significativos no rendimento de 
matéria seca e absorção de fósforo e nitrogênio de Brachiaria humidicola ; 

2 - A aplicação de fosfato de rocha aumentou a eficiência de resposta 
à inoculação de MVA, não sendo detectado efeito significativo de doses de 
fósforo; 

3 - As taxas de colonização radicular não foram afetadas pela aplicação 
de fosfato de rocha. 


24 


cm 


SciELO 


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Resposta de Brachiaria humidicola à inoculação micorrízica 


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25 





CDD: 583.420416 


GERMINAÇÃO E CARACTERÍSTICAS 
BIOMÉTRICAS DE CARINIANA MICRANTHA DUCKE 
(LECYTHIDACEAE) NA AMAZÔNIA CENTRAL 1 


$ 

£ 


,<u 


Angela Maria Imakawa 2 
Isolde D. Kossmann Ferraz 3 


RESUMO - Cariniana micrantha é uma espécie neotropical de importância 
madeireira e de ocorrência restrita na Amazônia Central e Ocidental. A espécie 
apresenta fruto deiscente na forma de pixídio e sua dispersão é anemocórica. 
O presente trabalho teve como objetivo determinar a biometria de frutos e 
sementes e estudar alguns aspectos fisiológicos da germinação das sementes em 
condições controladas no laboratório e em condições naturais no sub-bosque e 
na clareira. Os frutos e sementes foram coletados de onze árvores nativas em 
três áreas de terra firme. As medidas biométricas efetuadas foram: comprimen- 
to, largura e peso do pixídio, do opérculo e das sementes, e a quantidade de 
sementes por fruto. A germinação foi testada em três ensaios independentes nas 
temperaturas constantes de 20, 25, 30 e 35 °C e termoperíodo 12:12 h, 
20°C:30 °C. Na floresta primária foi avaliada a taxa de germinação de sementes 
sob a copa de cinco árwres-matrizes e no centro de cinco clareiras naturais. 
O tamanho dos frutos variou de 7- 13 cm de comprimento e 5 -8 cm de largura, 
com peso da matéria fresca entre 104 - 190 g. As sementes mediram de 1,3 - 
1,8 cm de comprimento e 0,5 - 0,8 cm de largura com peso da matéria fresca 
entre 0,13 e 0,20 g. A quantidade de sementes por fruto foi no mínimo 11 e no 
máximo 29 sementes e a média por matriz variou de 16 a 23 sementes. 
O tamanho do fruto e a quantidade de sementes não sugeriu uma relação 
alométrica. O início da germinação ocorreu entre 8e 12 dias. As maiores taxas 
de germinação foram obtidas nas temperaturas de 20°C (94%,), 25°C (92%) e 


1 Trabalho apresentado na I Reunião do Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho 
de 1995, em Belém, Pará. Parte de dissertação de Mestrado. 

2 Curso de Pós-Graduação em Botânica, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia / Universidade 
Federal do Amazonas, Manaus, AM. 

3 Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Coordenação de Pesquisas em Silvicultura Tropical, 
Caixa Postal 478, CEP 69.01 1-970 Manaus, AM. 


27 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


30°C (75%) e no termoperíodo 12:12h, 20°C:30°C (91%). À temperatura de 
35 °C houve uma baixa germinação de sementes (19%), mas quando transferidas 
para uma temperatura mais baixa após 16 dias, obsenvu-se um aumento na taxa 
de germinação. Em condições naturais no sub-bosque a germinação ocorreu a 
partir de 14 dias da semeadura apresentando uma taxa final de germinação de 
80%. Na clareira o início de germinação foi mais rápido a partir de 8 dias, mas 
com taxa de germinação de 50%. Cariniana micrantha com curto período de 
germinação e alta adaptabilidade a uma grande amplitude de temperaturas 
apresentou-se como uma espécie oportunista. 

PALAVRAS-CHAVE: Cariniana micrantha. Semente, Fruto, Germinação 
natural. Temperatura, Amazônia. 

ABSTRA CT — Cariniana micrantha is a neotropical species ofimportance to the 
tirnber industry. Its distribution is restricted to Central and Western Amazônia, 
lts fruit is a dehiscent pyxidium with anemochorous seed dsipersal. The aim of 
present the study was to determine biometric parameters of the species ’ fruits 
and seeds and to study some physiological aspects of seed germination in 
controlled laboratory conditions and in natural conditions under the canopy and 
in gaps. Fruits and seeds were collected from a total of eleven trees growing in 
three terra firme areas. Parameters measured were: length, width and weight 
of the pyxidium, operculum and seeds, as well the nurnber of seeds per fruit. 
Germination tests were carried out in three independem trials with constam 
temperatures of20, 25, 30 and 35 °C and thermoperiod of 1 2: 12h, 20°C:30°C. 
In primary forest, the germination was measured for seeds pui under five 
parental trees and seeds put in five natural gaps. Fruits measured 7-13 cm in 
length, 5-8 cm in width, with a fresh weigth of 104-190 g. Seeds measured 1.3- 
1.8 cm in length and 0.5-0. 8 cm in width, with a fresh weight from 0.13-0.20 
g. The nurnber of seeds in a fruit varied from a minimum of 11 to a maximum 
of29, with an average of 16-23, depending on the parental tree. There was no 
apparent relationship between fruit size and seed nurnber. Germination ocurred 
within 8-12 days. The greatest germination index (94%) was observedal 20°C, 
with 92% at 25 °C, and 75% at 30°C. With a thermoperiod of 12:12h, 
20°C:30°C, the germination index was 91%. At 35 °C germination index was 
low, but it increased when transferred to a lower temperature after 16 days 
(19%). In natural conditions seeds showed a germination index of 80% under 
parental trees, with germination starting after 14 days; whereas in gaps, 
germination was more rapid (after 8 days) but less successful (50%). Cariniana 
micrantha showed itself to be an opportunistic species, with a high germination 
index, a short germination period, and a wide range of temperatures. 

KEY WORDS: Cariniana micrantha, Seed, Fruit, Natural germination, 
Temperature, Amazônia. 


28 


Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke 


INTRODUÇÃO 

Cariniana micrantha, conhecida vulgarmente como castanha-de-maca- 
co, é uma espécie neotropical de importância econômica madeireira e de 
ocorrência restrita à Amazônia Central e Ocidental. O habitat da espécie é 
a terra firme e o sistema de dispersão é anemocórico (Prance & Mori 1979). 
O fruto deiscente é um pixídio lenhoso fechado por um opérculo com 
columela triangular e possui sementes aladas com membranas unilaterais. A 
distribuição de muitas espécies é determinada pela faixa de condições 
ambientais bióticas e abióticas toleradas durante a germinação das sementes. 
Estudos sobre a biometria e o comportamento de germinação podem fornecer 
informações sobre a distribuição e o estabelecimento da espécie. 

O presente trabalho teve como objetivo determinar a biometria e 
morfologia de frutos e sementes de C. micrantha e estudar alguns aspectos 
da germinação de sementes em condições controladas e naturais no sub- 
bosque e na clareira em floresta primária. 


METODOLOGIA 


Áreas de coleta. Os frutos e sementes foram coletados em três áreas: Reserva 
“km 41”, Reserva Florestal Adolpho Ducke e Fazenda Aruanã (Figura 1). 
A Reserva “km 41” pertencente ao Projeto Dinâmica Biológica de Fragmen- 
tos Florestais (PDBFF) do convênio entre o Instituto Nacional de Pesquisas 
da Amazônia e a Smithsonian Institution, localiza-se aproximadamente a 100 
km ao norte de Manaus, no km 41 da estrada ZF-3 que cruza a Rodovia 
Manaus-Caracaraí (BR- 174). A Reserva Florestal Adolpho Ducke perten- 
cente ao INPA, localiza-se ao norte de Manaus, no km 26 da Rodovia 
Manaus-Itacoatiara (AM-010) e a Fazenda Aruanã localiza-se no km 215 da 
Rodovia Manaus-Itacoatiara (AM-010). 

No total foram coletados frutos e sementes de 11 árvores nativas. Na 
Reserva “km 41”, os frutos de sete árvores foram coletados no período de 
agosto a setembro de 1 993 , sendo que a matriz 5 faz parte também dos estudos 
de fenologia de Lecythidaceae do P.D.B.F.F. (código de árvore dos estudos 
das observações fenológicas, cód.f. 7487). Na Reserva Florestal Adolpho 


29 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


Ducke, os frutos foram provenientes de três árvores que também estão 
inclusas no projeto de fenologia do INPA, sendo que a matriz 8 (cód.f. 44) 
foi coletada em agosto de 1990 e as matrizes 9 (cód.f. 85) e 10 (cód.f. 143) 
foram coletados em outubro de 1992. Os frutos da matriz de 11 foram 
coletados na Fazenda Aruanã em setembro de 1991. 



Figura 1 - Mapa de localização das 3 áreas de coleta de frutos e sementes de Cariniana micrantha Ducke: 
Reserva “km 41’VP.D.B.F.F.; Reserva Florestal Adolpho Ducke/INPA; Fazenda Aruanã. 


Coleta de frutos e sementes. Alguns frutos foram retirados diretamente da 
árvore, mas a maioria foi colhida no chão. Os primatas têm o hábito de 
arrancar os frutos e retirar o opérculo para se alimentar das sementes. Não 
conseguindo o intento, frutos maduros podem ser encontrados debaixo da 
matriz. Para este estudo foram unicamente coletados frutos fechados. Os 
frutos foram transportados para o laboratório em sacos plásticos e as 
sementes retiradas e acondicionadas em sacos de papel, sendo conservadas 
em ambiente com ar condicionado (25±2°C e 60 a 70% de U.R.) até sua 
utilização nos experimentos. 


30 




Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke 


Características biométricas de frutos e sementes. A biométrica de frutos e 
sementes foi efetuada com paquímetro e consistia de: a) comprimento 
máximo do pixídio; b) largura máxima na parte mais alargada abaixo do anel 
caliciforme; c) comprimento máximo do opérculo medindo-se a columela 
triangular, d) diâmetro do opérculo no ápice, e) comprimento total da base 
ao ápice da semente triangular sem a ala; f) largura na parte mediana da 
semente sem ala; g) comprimento máximo da ala e h) largura na parte 
mediana da ala. Para cada matriz foi calculada a quantidade média de 
sementes de 20 frutos e foi determinada a quantidade mínima e máxima de 
sementes por fruto. 

Peso de frutos e sementes. O peso da matéria fresca e seca de 10 frutos com 
opérculos e 25 sementes foi obtido utilizando-se balança semi-analítica 
(precisão 0,001 g) e secando o material em estufa a 70°C até atingir peso 
constante. 

Germinação na floresta primária. A germinação das sementes em ambiente 
natural foi estudada no sub-bosque sob a copa de cinco matrizes e em cinco 
clareiras naturais. As sementes foram colocadas soltas no chão e em vasos 
protegidos com tela e recipiente com água para evitar a predação por roedores 
e formigas. O critério de germinação adotado foi a emissão da radícula. A 
germinação nos diferentes ambientes foi testada com 5 repetições de 10 
sementes. 

Germinação em diferentes temperaturas. A germinação de sementes foi feita 
em câmaras germinadoras LMS Cooled Incubator (precisão ± 2,0°C) com 
lâmpadas fluorescentes de luz branca, fria e fluxo luminoso de aproximada- 
mente 70 PAR, e fotoperíodo de 12 horas de luz e 12 horas de escuro. Com 
a finalidade de determinar a melhor temperatura para a germinação testou- 
se temperaturas constantes de 20°C, 25°C, 30°C, 35°C e um termoperíodo 
de 1 2: 12 h, 30°C:20°C, luz: escuro. Em um experimento foi testado o efeito 
da transferência de temperatura após 16 dias de 30°C para 25 °C e de 35 °C 
para 25 °C. 

Os substratos utilizados foram agar a 0,8% e papel de filtro em 
recipiente de vidro com dimensões de 26,0 x 16,0 x 4,0 cm. Os recipientes 
foram cobertos com tampa de vidro e colocados dentro de sacos plásticos 


31 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


transparentes para evitar o dessecamento. As observações foram feitas 
diariamente e quando necessário houve a troca do papel filtro e a lavagem das 
sementes com água para a eliminação de fungos. O critério de germinação 
adotado foi a emissão da radícula. 

A germinação sob diferentes temperaturas foi testada em 4 ensaios 
independentes utilizando-se repetições de 20 sementes de diferentes datas de 
coleta. 


RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Características Biométricas de Frutos e Sementes. Estudos biométricos e a 
descrição do fruto de C. micrantha foram feitos por Rizzini (1971), 
descrevendo o pixídio como lenhoso, cilíndrico, campanulado ou cônico, 
medindo 8 a 11 cm de comprimento e 5 a 7 cm de largura. O opérculo é 
fechado por uma columela trilocular ou prismática. Pio Corrêa (1984) 
descreveu somente o comprimento do pixídio com 7,5 a 10 cm. Um estudo 
biométrico mais completo foi dado por Prance & Mori (1979) que descreve- 
ram o pixídio com 7 a 10 cm de comprimento e 4,5 a 7 cm de largura no ponto 
mais baixo do anel caliciforme que mede 1 ,5 a 2,5 cm abaixo do ápice e cujo 
pericarpo mede 1 ,5 cm de espessura; opérculo com 2,5 a 3,7 cm de diâmetro 
e columela triangular com 8,5 cm de comprimento. As sementes aladas do 
mesmo trabalho mediram 4,0 a 5,5 cm de comprimento e 1 ,2 cm de largura 
com forma triquestra e piriforme com 1 ,5 cm de comprimento e 8,0 mm de 
largura. Em estudos sobre predação de sementes, Peres (1991) descreveu as 
sementes com comprimento e largura em média de 10,3 por 6,3 mm, as alas 
com 49,0 por 14,0 mm e o peso médio da matéria seca de sementes de 0, 154 
± 0,031 g (n= 130). 

Os resultados da biometria de frutos e sementes de C. micrantha deste 
estudo e da literatura são apresentados nas Tabelas 1-2. Verifica-se que a 
variação de tamanho e de peso (Tabela 3- 4) é pequena, tanto de frutos quanto 
de sementes dentro do mesmo indivíduo e entre as matrizes, e os resultados 
apresentados complementam as informações dos autores citados acima. Para 
as diferentes matrizes a quantidade média de sementes por fruto variou de 16 
a 23 sementes e a quantidade mínima de 11 a 17 e a máxima de 19 a 29 


32 


cm 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke 


sementes por fruto (Tabela 1). Alguns frutos de grande tamanho apresenta- 
ram pequena quantidade de sementes, sugerindo que não existe uma relação 
alométrica entre o tamanho do fruto e a quantidade de sementes (Tabela 1). 

Tabela 1 - Características biométricas de frutos de Cariniana micrantha Ducke, coletados na 
Reserva “Km 41" (KM), Reserva Florestal Adolpho Ducke (RD) e Fazenda Aruanã (FA) e 
dados encontrados na literatura. (Códigos para citações bibliográficas na coluna Matriz: 
PC = Pio Corrêa 1984; R = Rizzini 1971; PM = PM = Prance & Mori 1979; P = Peres 
1991. Nota: d.p. = desvio-padrão da média; n.d. = não determinado). 


Matrizcód.f. Local 

n 

Comprim. 

Largura de 

Comprim. 

Diâm. de 

Sementes/ 

Sementes 

média (d.p.) 

média (d.p.) 

média (d.p.) 

média (d.p.)média (d.p.) 

mín 

máx 

1 


KM 

20 

9,19(0,87) 

6,54 (0,33) 

7,96 (0,71) 

3,27 (0,26) 

19(3,82) 

14 

26 

2 


KM 

20 

11,10(0,86) 

7,19(0,46) 

9,67 (0,68) 

3,64 (0,38) 

16(3,75) 

11 

24 

3 


KM 

20 

8,13 (0,48) 

5,72 (0,23) 

7,06 (0,39) 

3,11 (0,21) 

21 (2,46) 

16 

26 

4 


KM 

20 

9,57 (0,81) 

6,30(0,31) 

8,49 (0,57) 

2,90 (0,65) 

16(2,83) 

11 

21 

5 

7487 

KM 

20 

9,19(0,42) 

6,05 (0,29) 

7,95 (0,41) 

2,97 (0,31) 

23 (3,73) 

15 

29 

9 

85 

RD 

10 

8,30 (0,55) 

6,36 (0,35) 

7,05 (0,55) 

2,83 (0,20) 

21 (3,43) 

17 

26 

10 

143 

RD 

10 

8,14 (0,49) 

6,32 (0,48) 

6,93 (0,38) 

2,74 (0,34) 

16(2,25) 

12 

19 

11 


FA 

16 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

21 (5,05) 

11 

29 

PC 



n.d. 

7,5 - 10,0 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

R 



n.d 

8,0- 11,0 

5,0 - 7,0 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

PM 



n.d. 

7,0 - 10,0 

4,5 - 7,0 

8,50 

2,5 - 3,7 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

P 



35 

9,02 ± 0,96 

5,61 ±0,56 

7,76 ±0,51 

2,5 - 3,7 

18,44 ±3,62 

13 

25 


Tabela 2 - Características biométricas de sementes de Cariniana micrantha Ducke, coletados 
na Reserva “Km 41” (KM), Reserva Florestal Adolpho Ducke (RD) e Fazenda Aruanã (FA) 
e dados encontrados na literatura. (Nota: d.p. = desvio-padrão da média; n.d. = não 
determinado). 


Matriz 

Local 

n= 

Semente sem Ala 

Ala 


Semente com Ala 

(cód.f.) 



comprim. 

largura (em) 

comprim. 

largura (cm) 

comprim. largura 




média(d.p.) 

média(d.p.) média(d.p.) 

média(d.p.) 

(cm) 

(cm) 

8(44) 

RD 

25 

1,47 (0,12) 

0,72 (0,04) 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

11 

FA 

25 

1,51 (0,13) 

0,67 (0,05) 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

n.d. 

1,2, 3,4, 5 

KM 

25 

1,52(1,17) 

0,71 (0,73) 

3,50 (8,94) 

1,27 (1,07) 

n.d. 

n.d. 

Prance & Mori 


n.d. 

1,50 

0,80 

n.d. 

n.d. 

4,0 - 5,5 

1,2 

Peres 1991 


130 

1,03 

0,63 

4,90 

1,40 

n.d. 

n.d. 


33 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


Tabela 3 - Peso médio de pixidios e opérculos de Cariniana micrantha Ducke, coletados na 
Reserva Florestal Adolpho Ducke (RD) e dados encontrados na literatura. (Nota: d.p. = desvio- 


padrão da média; 

n.d. = 

não determinado). 







Fruto com opérculo 

Opérculo 

Matriz (cód. f.) 

Local 

n 

Peso fresco (g) 

Peso seco (g) 

Peso fresco (g) 

Peso seco (g) 




média (d.p.) 

média (d.p.) 

média (d.p.) 

média (d.p.) 

9(85) 

RD 

10 

141,42 (18,76) 

89,50 (14,88) 

19,82 (3,51) 

11,50 (1,85) 

10(143) 

RD 

10 

132,81 (24,46) 

88,01 (16,38) 

20,91 (4,02) 

12,61 (2,23) 

Peres,1991 


35 

113,10 ±32,30 

n.d. 

n.d. 

n.d./ H 


Tabela 4 - Peso médio de sementes de Cariniana micrantha Ducke, coletados na Reserva 
Florestal Adolpho Ducke (RD) e Fazenda Aruanã (FA) e dados encontrados na literatura. 
(Nota: d.p. = desvio-padrão da média; n.d. = não determinado). 


Matriz (cód. f.) 

Local 

n 

Peso de sementes em g 
(material seco) 

Peso de sementes em g 
(material fresco) 

média (d.p.) 

média (d.p.) 

8 (44) 

RD 

25 

0,148 (0,02) 

0,138 (0,02) 

11 

FA 

25 

0,159 (0,02) 

0,149 (0,02) 

Peres, 1991 


130 

n.d. 

0,154 ±0,031 


Nos estudos biométricos, especificamente para formas de frutos e 
sementes mais complexos como os da família Lecythidaceae, é imprescindí- 
vel uma metodologia padronizada, tanto quanto o procedimento quanto os 
parâmetros utilizados (Figura 2). Os dados encontrados na literatura foram 
muitas vezes incompletos ou medidos de várias maneiras que dificultaram a 
comparação. Apesar disso foi possível deduzir que a espécie C. micrantha 
não apresenta grandes variações na biometria de frutos e sementes. 

Germinação na floresta primária. Na floresta primária a taxa de germinação 
das sementes protegidas com tela e água, sob a copa das árvores foi de 80% 
com o início da germinação após 14 dias, já nas clareiras naturais a 
germinação foi de 50% iniciando mais cedo com 8 dias (Figura 3). 


34 



Germinação e características biométricas de Cariniana micramha Ducke 




Figura 2 - Desenho esquemático de frutos e sementes de Cariniana micramha Ducke, a) Pixídio fechado 
com opérculo; b) Pixídios sem opérculo; c) Columela triangular e opérculo; d) Sementes aladas. 

1. comprimento máximo do pixídios; 2. largura máxima do pixídio; 3. diâmetro da abertura do 
opérculo; 4. comprimento da columela; 5. comprimento máximo da semente sem a ala; 6. largura na 
parte mediana da semente sem a ala; 7. comprimento máximo da ala; 8. largura na pane mediana da ala. 



Figura 3 - Germinação de sementes de Cariniana micramha Ducke, sob a copa da árvore-matriz (mata) 
e em clareira (n = 50 sementes por tratamento). 


35 




Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


As sementes soltas e desprotegidas não germinaram devido à 
predação (Imakawa & Ferraz 1994). As causas de mortalidade das 
sementes protegidas nos dois ambientes foram diferentes. Debaixo da 
copa das árvores-matrizes a germinação foi afetada pela presença de 
fungos nas sementes, enquanto que nas clareiras, o estresse hídrico da 
época seca pode ter causado a morte de muitas sementes. 

Em áreas abertas ou perturbadas a dispersão abiótica é dominante 
(Aguiar & Pina-Rodrigues 1993). As sementes dispersas pelo vento são as 
primeiras a chegarem em áreas de clareira (Fenner 1985). Nestes ambientes, 
as espécies de estratégia oportunista são favorecidas pela disponibilidade de 
luz para o seu crescimento. As espécies oportunistas podem germinar e 
sobreviver em condições de sombra, mas necessitam de ambientes claros 
para crescer (Viana 1989; Kageyama & Viana 1991). 

A germinação é a primeira fase no estabelecimento de uma espécie. 
Como a disponibilidade de recursos atrai patógenos, parasitas, predadores de 
sementes e herbívoros, as sementes e plântulas em geral têm maiores chances 
de sobrevivência quando distantes da árvore-matriz (Janzen 1970; Howe & 
Smallwood 1982). 

As condições ambientais do sub-bosque, como por exemplo umidade, 
foram mais favoráveis para a germinação de C. micrantha , mas esta mostrou 
ser uma espécie adaptada a vários ambientes, inclusive com capacidade para 
germinar em clareiras, onde a disponibilidade de luz pode favorecer seu 
desenvolvimento. 

Germinação em diferentes temperaturas. O início da germinação em 
todas as temperaturas estudadas ocorreu entre 8 e 12 dias e o final da 
germinação entre 21 e 31 dias (Tabela 5). Na revisão da literatura 
consultada somente Alencar & Magalhães (1979) estudaram a germina- 
ção de C. micrantha. A espécie apresentou uma taxa de germinação em 
viveiro de 73,5% com um período final de 23 dias. Pode-se afirmar que 
C. micrantha é uma espécie de rápida germinação e é fácil conseguir 
sementes com alta viabilidade a partir de coletas obtidas no chão. Todas 
as coletas apresentaram uma taxa de germinação acima de 70%, com 
exceção de temperaturas acima de 30°C (Figura 4). Esta taxa de 
germinação não foi constantemente alta para todas as repetições. Estas 


36 



Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke 


diferenças podem ser atribuídas a presença de fungos que foram obser- 
vados com intensidade a temperatura de 35 °C e esporadicamente a 25 e 
30°C. A viabilidade das sementes de diferentes coletas conjuntamente 
com a presença de fungos dificultaram a análise dos resultados. 

Tabeia 5 - Características de germinação de sementes de Cariniana micrantha Ducke, 
submetidas às temperaturas de 20, 25, 30 e 35°C constantes, termoperíodo de 12:12 h, 
30°C:20°C e com transferência de temperatura após 16 dias de 30°C para 25°C e de 35°C 
para 25°C (5 repetições de 20 sementes; ensaio da coleta de 04.08.93). 


Tempe- 

ratura 

(°C) 

Germinação 

final 

(%) 

média 

Germinação 

inicial 

(dias) 

média (d.p.) 

Germinação 
Tempo médio 
(dias) 

média (d.p.) 

Germinação 

Final 

(dias) 

média (d.p.) 

Germinação 
50% (dias) 

média (d.p.) 

Germinação 

ponto 

culminante 

(dias) 

20 

75,0(9,35) 

9,4 (0,55) 

15,0 (0,97) 

21,4(1,67) 

14,8(2,16) 

20 

25 

45,0(14,14) 

9,6 (0,55) 

14,3 (0,33) 

22,2 (2,38) 

14,4(1,52) 

17 

30 

63,0 (27,50) 

8,8 (0,84) 

17,0(1,11) 

25,2 (4,66) 

18,6 (2,70) 

23 

35 

19,0(5,48) 

12,4(7,60) 

22,3 (3,67) 

31,6(1,95) 

19,8(6,46) 

30 

20:30 

58,0(10,37) 

9,0 (0,00) 

18,5 (2,17) 

27,8 (4,26) 

18,8(3,96) 

27 

30 -> 25 

47,0(18,91) 

8,8(0,84) 

14,5 (0,50) 

20,0(1,58) 

14,6(3,36) 

20 

35 -> 25 

70,0(17,68) 

10,6 (3,58) 

19,7 (2,60) 

30,0 (3,67) 

20,4 (3,29) 

25 


100 


O 

O 


0 ) 

O 



□ 24.09.93 - 10 dias 

□ 04.08.93- 15 dias 

□ 17.09.91 -45 dias 
9 04.08.93 - 75 dias 


30 : 20 


Temperatura (°C) 

Figura 4 - Germinação final de sementes de Cariniana micrantha Ducke, submetidas às 
temperaturas constantes de 20, 25, 30 e 35°C e termoperíodo 12. 12 h, 30 C . 20 C, em 4 ensaios 
independentes com intervalo entre a data de coleta e semeadura de 10, 15, 45 e 75 dias. 


37 






Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


Na Figura 4, são apresentados os dados de germinação das semen- 
tes de todas as datas de coleta sob as diferentes temperaturas. Verifica-se 
que as sementes podem apresentar uma boa taxa de germinação entre as 
temperaturas constantes de 20°C e 30°C e com termoperíodo de 12 : 12 
h, 30°C : 20°C. As melhores taxas de germinação foram a 20°C (94%), 
25°C (92%) e 30°C (75%) e a 30°C : 20°C (91%). No entanto, a 
temperatura de 35 °C o melhor resultado dos 3 ensaios foi de 19%, 
indicando que esta temperatura ultrapassa as condições ótimas para esta 
espécie. Portanto, foi testada a hipótese de que as sementes entram em 
latência (quiescência com a temperatura de 35 °C) ou de que a viabilidade 
é afetada pela temperatura alta. As sementes submetidas a temperatura 
inicial de 35 °C foram transferidas após 16 dias para a temperatura de 
25°C. Após a transferência, observou-se uma germinação alta de 70% 
(Figura 5). Pode-se constatar que a temperatura alta induz a uma 
dormência relativa, segundo a denominação de Vegis (1964) e não afeta 
a viabilidade destas pelo menos por um período de 16 dias. É interessante 
observar que este comportamento não foi ainda descrito para uma 
espécie florestal tropical. 



— • — 

20° C 

A — 

35° C 


- 35->25° C 


Tempo após semeadura (dias) 

Figura 5 - Germinação diária de sementes de Cariniana micrantha Ducke, submetidas às 
temperaturas constantes de 20°C, 35°C e com mudança de temperatura de 35°C para 25°C após 
16 dias (ensaio da coleta de 04.08.93). 


38 




Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke 


A faixa de temperatura para germinação de algumas espécies pode 
mudar após o período de amadurecimento. A alface após 16 dias da antese 
germina 100% a 20 °C, mas após 20 dias da antese germina somente a 
temperaturas acima de 20°C e após prolongado armazenamento germina até 
30°C, existindo ainda uma interação com a fotosensibilidade (Bewley & 
Black 1982; Mayer & Poljakoff-Mayber 1982). Landis et al. (1992) citam 
quatro espécies de pinheiros que tiveram a taxa de germinação reduzida 
quando submetidas a temperatura constante de 35 °C, mas somente uma teve 
a viabilidade prejudicada. A indução de dormência por temperaturas altas 
(26-30°C) é conhecida também para gramíneas anuais que germinam 
normalmente no inverno a temperaturas baixas (Probert 1992). 

Observa-se que C. micrantha pode germinar em uma ampla faixa de 
temperatura, entretanto, a taxa de germinação diminui com o aumento da 
temperatura. 

Segundo Bonner (1991), a germinação pode ser avaliada pelo ponto 
culminante de germinação (% total de germinação/dia de observação), e para 
C. micrantha a 25°C é obtida no menor tempo de 17 dias (Figura 6). Também 
para avaliar o sucesso da germinação, foi calculado o tempo no qual são 
obtidas 50% das sementes germinadas (ISTA 1995) e C. micrantha apresen- 
tou esta porcentagem entre 14 a 20 dias, sendo que o tempo médio de 
germinação mais curto foi a 25 °C com 14 dias (Tabela 5). 



= o 
m «o r? 
c i» w 
to .2 

= E ■o 

I* 


PCG 


I I Germinação 


Figura 6 - Germinação e ponto culminante de germinação de sementes de Cariniana micrantha 
Ducke, submetidas às temperaturas constantes de 20, 25, 30 e 35 °C, termoperíodo 12: 12h, 30 
°C (ensaio de 04.08.93). 



2 3 4 


5 6 


39 


SciELO 








cm 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


Com base nestes resultados, sugere-se que a temperatura ideal para 
a germinação de C. micrantha. seja aproximadamente de 25°C. 

C. micrantha é uma espécie de alta adaptabilidade a diferentes 
condições e tolera uma grande amplitude de temperaturas para germina- 
ção, caracterizando-se como uma espécie oportunista. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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40 



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41 


10 11 12 



13 






CDD: 583.32304183 



INFLUÊNCIA DA POSIÇÃO E PROFUNDIDADE DE 
SEMEADURA NA GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE 
PAU-FERRO CAESALPINIA LEIOSTACHYA DUCKE 1 2 


Maninho Alves de Andrade Júnior 
Daniel Duarte Pereira 3 
Genaro Viana Dornelas 4 
Elson Soares dos Santos 5 


RESUMO - Foi estudada a influência de três posições (natural ou queda, hilo 
para cima e hilo para baixo) e sete profundidades (0,0 ou superfície; 0,5; 1,0; 
1,5; 2,0; 2,5; 3,0 cm) de semeadura de sementes sobre a percentagem de 
germinação, o índice de velocidade de emergência e a percentagem de 
sobrevivência de plantas de pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, conduzidas 
a nível de viveiro, em experimento inteiramente casualizado. A análise 
estatística consistiu num modelo fatorial 3x7, sendo introduzido à análise o 
fator época para a variável percentagem de sobrevivência, resultando num 
modelo 3x3x7. Os resultados obtidos indicaram que preferencialmente deve-se 
depositar as sementes no orifício de plantio em posição natural ou de queda a 
uma profundidade de 2, 0 cm. 

PALAVRAS-CHAVE: Pau-ferro, Caesalpinia leiostachya. Semeadura, Posição 
e profundidade da semente. 

ABSTRACT - Was studied lhe influence ofthree positions (natural or fali; hile 
to high; hile to low) and seven depths (0,0 or surface; 0,5; 1,0; 1,5; 2,0; 2,5; 
3,0 cm) of sowing of seeds about the percentage of germination, lhe index of 
speed of emergency and the percentage of survival of plants of pau-ferro 
Caesalpinia leiostachya Ducke, conducteds the levei of nursery, in experiment 
entirelly casualized. The Analysis statistical consisted in a model factorial 3x7, 


1 Parte da Dissertação de Graduação do primeiro autor. 

2 

Engenheiro Agrônomo do Museu Integrado de Roraima-GER/SECD/DC/MIRR. 

3 Professor do curso de Agronomia da Universidade Federal da Paraíba-CCA/UFPB. 

4 Professor do curso de Agronomia da Universidade Federal da Paraíba-CCA/UFPB. 

5 Pesquisador da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba-EMEPA/PB 


43 



Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


also introduced by analysis lhe factor epoch by the variable percentage of 
survival, resulted in a model 3x3x7. The results obtaineds indicated which 
preferenceally need deposited the seeds in the hole of plantation in position 
natural or fali in a depth of2,0 cm. 

KEY WORDS: Pau-ferro, Caesalpinia leiostachya, Sowing, Position and 
depth of seed. 


INTRODUÇÃO 

Para a implantação de um programa de produção de mudas de uma 
determinada espécie é necessário que se tenha em mãos algumas metodologias 
vinculadas a esta finalidade. 

Carvalho & Oliveira (1978) relatam que no momento em que a semente 
é posta no solo e recoberta, a posição deve exercer uma influência 
mensurável sobre a rapidez do processo germinação/emergência, enquanto 
queSchimidt, citado por Silva et al. (1985), ressalta que a profundidade ideal 
de semeadura é aquela que garante germinação homogênea das sementes, 
rápida emergência das plântulas e proporciona mudas vigorosas. 

De um modo geral, o ajuste entre posição e profundidade de semeadura 
de sementes, no orifício ou no sulco de plantio, torna-se de relevante 
importância para otimização de programas de produção de mudas. Alguns 
trabalhos destacam a ação destes fatores sobre a germinação de diversas 
essências (Carvalho & Oliveira (1978); Ramos et al. (1982); Almeida & 
Costa (1993)). 

Este estudo visa fornecer dados consistentes que indiquem a posição e 
profundidade ideal de semeadura de sementes de pau-ferro Caesalpinia 
leiostachya Ducke. 


MATERIAL E MÉTODO 

O pau-ferro C. leiostachya é espécie nativa do Brasil, ocorrendo desde 
o Piauí até São Paulo, ocupando áreas em matas litorâneas e serras (Braga 
1976). Sua importância, em termos de utilização da madeira, se dá em 
construções civis até navais (Heringer (1947); Lopes (1982); Silva (1983)). 
Segundo Lorenzi (1992) a árvore é indicada para ornamentação e ainda como 


44 



Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro 


alternativa na utilização em reflorestamentos mistos destinados à recompo- 
sição de áreas degradadas. Já Corrêa (1984) relata que suas folhas são 
forrageiras, acentuando ainda as características homeopáticas da casca. 

Este estudo foi realizado no Viveiro Florestal pertencente ao Setor de 
Silvicultura e Paisagismo do Departamento de Fitotecnia do Centro de 
Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba (Areia-PB). 

As sementes utilizadas neste ensaio foram previamente tratadas com 
ácido sulfúrico (H^S0 4 ) P.A., em imersão durante cinco minutos, para 
quebra da dormência das mesmas, segundo Andrade Júnior (1994). 

Foram testadas três posições de semeadura: Natural ou queda, Hilo 
para cima e Hilo para baixo, e com profundidade em sete níveis: 0,0 cm ou 
superfície, 0,5, 1,0, 1,5, 2,0, 2,5 e 3,0 cm, considerando-se como 
profundidade de semeadura aquela correspondente a profundidade do 
orifício de plantio. 

Foram utilizados, como recipientes, sacos de polietileno preto de 
dimensões 9,0 x 15,0 cm (largura e altura) e capacidade para 0,55 1. 

O substrato utilizado foi o subsolo de Latossolo Vermelho- Amarelo 
(LVA). 

Após a semeadura, os recipientes, já no canteiro, foram cobertos com 
telas do tipo sombrite (verde) e com cobertura rústica formada por colmos 
de bambu, sendo esta cobertura removida parcialmente (raleada) aos 60 dias 
e totalmente aos 75 dias. 

As variáveis percentagem de germinação e índice de velocidade de 
emergência foram analisadas aos 30 dias, enquanto que a percentagem de 
sobrevivência foi analisada aos 30, 60 e 90 dias. 

Os dados em percentagem foram transformados para arc sen V x% 
(Cochran & Snedecor 1979). O índice de velocidade de emergência foi 
calculado segundo Popinigis (1977). 

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com 4 
(quatro) repetições de 10 (dez) plantas, sendo a área útil composta por 4 
(quatro) plantas. 

O esquema de análise resultou num fatorial 3x7, sendo que para a 
variável percentagem de sobrevivência, em virtude do fator época, utilizou- 
se o modelo 3x3x7. 


45 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


As análises estatísticas foram efetuadas no Setor de Estatística e 
Informática da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba - 
EMEPA/PB. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

As análises da variância indicaram efeito significativo ao nível de 1 % 
de probabilidade de posição e profundidade de semeadura de sementes de 
pau-ferro e da interação entre estes fatores sobre a percentagem de 
germinação, índice de velocidade de emergência (Tabela 1) e percentagem 
de sobrevivência (Tabela la). 


Tabela 1 - Análises de variância para dados de percentagem de germinação e índice de 
velocidade de emergência de plântulas de pau-ferro Caesalpinia leioslachya Ducke, em 
função de diferentes posições e profundidades de semeadura. 


Quadrados Médios 

Fonte de variação 

GL 

Percentagem 
de Germinação 1 

índice de Velocidade 
de Emergência 

Posição 

2 

1.954,3705** 

0,4882** 

Profundidade 

6 

4.352,2546** 

4,0219** 

Pos. x Prof. 

12 

782,2052** 

0,3015** 

Prof./Pos. 

6 

1.443,3142** 

1,2208** 

1 Linear 

1 

4.665,0286** 

1,4789** 

Quadrática 

1 

2.153,7901** 

3,6855** 

Cúbica 

1 

1.552,2025** 

1,8928** 

Desvio da Reg. 

3 

288,8639 

0,2678 

Prof./Pos. 2 

6 

4.291,1901** 

2,3117** 

Linear 

1 

15.638,3342** 

8,0196** 

Quadrática 

1 

7.020,9829** 

4,5617** 

Cúbica 

1 

2.636,7681** 

0,02 16ns 

Desvio da Reg. 

3 

150,3518 

0,4225 

Prof./Pos. 3 

6 

182,1608** 

1,0926** 

Linear 

1 

683,1032** 

2,0412** 

Quadrática 

1 

227,7011** 

3,9999** 

Cúbica 

1 

0,0000ns 

0,4704** 

Desvio da Reg. 

3 

60,7203 

0,0147 

Resíduo 

63 

80,9476 

0,1991 

Média 


77,32 

1,42 

C.V. (%) 


1 1,63 

9,77 


** Significativo ao nível de 1% de probabilidade 
ns Não significativo 
1 dados transformados em arc sen Vx% 


46 



Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro 


Tabela la - Análise de variância para dados de percentagem de sobrevivência de plantas de 
pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, em função de diferentes posições, profundidades 
e épocas. 


Fonte de Variação 

GL 

Quadrados Médios 
Percentagem de sobrevivência 1 

Posição 

2 

4.833,7152** 

Profundidade 

6 

25.364,4415** 

Época 

2 

0,26 16ns 

Pos. x Prof. 

12 

1.071,4502** 

Prof. /Pos. 1 

6 

7.437,8479** 

Linear 

1 

30.185,0795** 

Quadrática 

1 

9.592,6224** 

Cúbica 

1 

2.942,9792** 

Desvio da Reg. 

3 

635,4688 

Prof./Pos. 2 

6 

14.904,0146** 

Linear 

1 

61.431,9064** 

Quadrática 

1 

20.051,5356** 

Cúbica 

1 

178,0699ns 

Desvio da Reg. 

3 

2.587,5253 

Prof./Pos. 3 

6 

5.165,4795** 

Linear 

1 

23.405,7227** 

Quadrática 

1 

4.876,6082** 

Cúbica 

1 

558,7824* 

Desvio da Reg. 

3 

717,2545 

Pos. x Época 

4 

0,2616ns 

Prof. x Época 

12 

0,26 16ns 

Pos. x Prof. x Época 

24 

0,2616ns 

Resíduo 

189 

132,3270 

Média 


66,60 

C.V. (%) 


17,27 


* Significativo ao nível dc 5% de probabilidade 

* * Significativo ao nível dfe 1% de probabilidade 
ns Não significativo 

1 dados transformados em arc sen Vx% 


Quanto ao percentual de germinação, observa-se na Tabela 2 que 
apenas na semeadura realizada na superfície do solo houve diferença 
significativa entre as posições, sendo os melhores resultados promovidos 


47 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


pela posição hilo para baixo. A posição de queda obteve melhor resultado 
para esta variável quando comparada com a posição hilo para cima, que por 
sua vez não promoveu a germinação das sementes. Verifica-se ainda que 
embora não tenha diferido significativamente das demais posições em 
interação com as profundidades de semeadura restantes, a posição hilo para 
baixo proporcionou uma melhor uniformização na germinação das semen- 
tes, estabilizando em 100,0% logo a partir de 1,0 cm de profundidade de 
semeadura. Carvalho & Oliveira (1978) verificaram que a posição hilo para 
baixo facilitou a germinação de sementes de feijão Phaseolus vulgaris. 

Para a profundidade de 0,0 cm observa-se (Tabela 2) que a sobrevivên- 
cia das plantas foi mais alta para aquelas provenientes de sementes semeadas 
com o hilo voltado para baixo, sendo significativamente superior as demais. 
No entanto, para a semeadura efetuada a 0,5 cm observa-se que o melhor 
resultado foi obtido pela posição natural ou queda, muito embora não tenha 
havido diferença significativa entre esta e a posição hilo para baixo. Nas 
demais profundidades de semeadura não houve diferença significativa entre 
as médias das posições testadas. 

Para o índice de velocidade de emergência, observa-se que na semedura 
realizada na superfície do substrato (0,0 cm) não houve diferença significa- 
tiva entre as médias das posições hilo para baixo e natural ou queda. No 
entanto, aquela posição obteve melhor resultado quando comparada a esta, 
que por sua vez não diferiu significativamente da posição hilo para cima. 
Fato inverso é observado na profundidade de 0,5 cm em que a posição natural 
ou queda apresenta melhor resultado quando comparada a posição hilo para 
baixo, mesmo não havendo diferença significativa entre as mesmas. A 
posição hilo para cima obteve resultado significativamente inferior as demais 
para esta profundidade de semeadura. Não ocorreu diferença significativa 
entre as médias nas demais profundidades de semeadura em interação com 
as posições avaliadas. Carvalho & Oliveira (1978), verificaram que maior 
rapidez na obtenção do stand final (velocidade de emergência) de plântulas 
de feijão P. vulgaris foi promovida pela posição hilo para baixo. 


48 



Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro 


Tabela 2 - Valores médios das percentagens de germinação e sobrevivência e do índice de 
velocidade de emergência de plantas de pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, em função 
da interação avaliada. 


Posições 



Profundidades (cm) 



0,0 

0,5 

1,0 

1,5 

2,0 

2,5 

3,0 




Germinação (arc sen Vx%) 


Queda 

34.56bB 

76,17aA 

85,39aA 

80,78aA 

85,39aA 

83,36aA 

90,00aA 


(32,18) 

(94,28) 

(99,35) 

(97,41) 

(99,35) 

(98,62) 

(100,0) 

Hilo para cima 

0,00cC 

56,25aB 

85,39aA 

85,39aA 

78,75aAB 

90,00aA 

90,00aA 


(0,00) 

(69,13) 

(99,35) 

(99,35) 

(96,18) 

(100,0) 

(100,0) 

Hilo para baixo 

76,17aA 

76,17aA 

90,00aA 

90,00aA 

90,00aA 

90,00aA 

90,00aA 


(94,28) 

(94,28) 

(100,0) 

(100,0) 

(100,0) 

(100,0) 

(100,0) 




Sobrevivência (arc sen V x%) 


Queda 

22,50bC 

49,6 laB 

85,39aA 

80,78aA 

80,78aA 

83,36aA 

90,00aA 


(14,65) 

(58,02) 

(99,35) 

(97,41) 

(97,41) 

(98,62) 

(100,0) 

Hilo para cima 

0,00cB 

13,83bB 

70,97aA 

83,36aA 

77,40aA 

78,75aA 

80,78aA 


(0,00) 

(5,72) 

(89,36) 

(98,62) 

(95,23) 

(96,18) 

(97,41) 

Hilo para baixo 

41,83aC 

42,64aC 

72,48aB 

83,36aAB 

90,00aA 

85,39aAB 

85,39aAB 


(44,48) 

(45,88) 

(90,94) 

(98,62) 

(100,0) 

(99,35) 

(99,35) 



índice de Velocidade de Emergência 


Queda 

0,23abC 

l,66aAB 

l,88aA 

l,73aAB 

l,62aAB 

1,51 aB 

1,50 aB 

Hilo para cima 

0,00bB 

0,35bB 

l,65aA 

l,89aA 

l,72aA 

l,69aA 

l,58aA 

Hilo para baixo 

0,46 aD 

l,33aC 

l,vJaA 

l,95aA 

l,82aAB 

l,67aABC 

l,53aBC 


Médias de uma mesma variável seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e pela mesma 
letra maiuscula na horizontal não diferem entre si, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de 
probabilidade. 

Médias entre parênteses representam valores originais. 


Na Figura 1 observa-se que há unia relação quadrática para cada 
Posição de semeadura. A posição hilo para baixo desponta entre as demais, 
a presentando incremento no percentual de germinação até o ponto de 
2,25 cm, descrescendo de forma menos acentuada a partir de então. Estudo 
de Almeida & Costa (1993) revelou que os melhores percentuais de 
germinação de sementes de bacaba Oenocarpus ditichus foram obtidos em 
semeadura realizada entre 1,0 e 3,0 cm de profundidade. 


49 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


Y 1 = 44,4925 + 4,33X -0,101 3X 2 R 2 = 0,7874 

— — Y2= 1 1,1 050 + 7, 847X- 0,1 828X 2 R 2 = 0,8800 

Y3 = 74,5222 + 1 ,481 8X - 0.0329X 2 R 2 = 0,8333 



100,00 - 

90,00 - 

cr- 

X 

80,00 - 

c 

0 

C/5 

70,00 - 

k_ 

O 

60,00 - 

ICO 

o 

<0 

c 

50,00 - 

E 

0 

0) 

40,00 - 

0 

■O 

£ 

30,00 - 

0 

O) 

ca 

20,00 - 

c 

0 

o 

0 

10,00 - 

CL 

0,00 - 



/ / 

/ / 

' / 

/ 

/ 

/ 

7 


Y1 = Pmáx (21 ,37; 90,76 p<0,001 
Y2 = Pmáx (21,46; 95,32 p<0,001 
Y3 = Pmáx (22,50; 91,19 p<0,001 


— i 1 1 1 1 1 i 

0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 


Profundidade de semeadura (mm) 

Figura 1 - Relação quadrática de percentagem de ge.minação e profundidade de semeadura em três 
posições de semeadura de sementes de pau-ferro (Y1 : queda; Y2: hilo para cima; Y3: hilo para baixo). 


As relações quadráticas expressas na Figura 2 indicam que os melhores 
percentuais de sobrevivência para as posições testadas encontram-se entre 
20,0 e 25,0 mm de profundidade de semeadura. 

Na Figura 3 observa-se que para todas as posições testadas corresponde 
uma relação quadrática, onde os pontos máximos das funções se encontram 
próximos à profundidade de 20,0 mm. Para emergência de plântulas de 
angico (Parapiptadenia rígida) Ramos et al. (1982) observaram que para 
várias espessuras de cobertura de sementes ocorreu uma tendência ao 
decréscimo da velocidade de emergência com o respectivo aumento da 
profundidade de semeadura. 


50 



Percentagem de sobrevivência (arc sen Vx%) 


Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro 


100,00 

90.00 

80.00 

70.00 

60.00 

50.00 

40.00 

30.00 

20.00 
10,00 

0,00 

- 10,00 


Y1 = 26,485 + 5.598X - 0.1234X 2 R 2 = 0,8913 

— — Y2 = -4,99 + 8.056X - 0.1784X 2 R 2 = 0,91 12 

Y3 = 35,549 + 4, 3084X - 0.0879X 2 R 2 = 0,9125 



p<0,01 

p<0,01 

p<0,01 


/ 


1 ~ 

0,0 5,0 10,0 


15,0 20,0 


— I — 

25,0 


30,0 


Profundidade de semeadura (mm) 


Figura 2 - Relação quadrática de percentagem da sobrevivência e profundidade de semeadura em três 
Posições de semeadura de sementes de pau-ferro (Yi : queda; Y2: hilopara cima, Y3. hilopara baixo). 


51 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 1 1(1), 1995 


Y1 = 0,5807 + 0,1 486X- 0,0041 89X 2 R 2 = 0,7050 

— — Y2 = -0,1 135 + 0.1933X - 0.00466X 2 R 2 = 0,9070 

Y3= 0,5791 + 0,1 579X - 0.00436X 2 R 2 = 0,9215 


2,00 


<2 

o 

c 

«(D 

O) 

<ü 


E 


(D 

<1> 

"D 

<D 

TD 

OJ 

■g 

o 

o 

(D 

> 

(D 

"O 

d) 

g 

TJ 

c 


1,00 


0,00 


- 0,20 



/ Y2 = Pmáx (20,74; 1 ,89 p<0,01 

/ Y3 = Pmáx (18,09; 2,01 p<0,01 

/ 

-i 1 1 1 1 1 i 

0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 


Profundidade de semeadura (mm) 


Figura 3 - Relação quadrática do índice de velocidade de emergência e profundidade de semeadura 
em três posições de semeadura de sementes de pau-ferro (Y1 : queda; Y2: hilo para cima; Y3: hilo para 
baixo). 


CONCLUSÕES 


A partir dos resultados obtidos conclui-se que a profundidade de 
semeadura deve ser em torno de 20,0 mm ou 2,0 cm, podendo-se depositar 
as sementes tanto em posição hilo para baixo como em posição natural ou de 
queda, sendo preferível esta última por ser mais fácil de se conseguir. 


52 



Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


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vigor de sementes de bacaba ( Oenocarpus distichus Mart. ). CONGRESSO BRASILEIRO 
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Imprensa Universitária da UFPB, 1993, : 172. 

ANDRADE JÚNIOR, M. A. 1994. Contribuição ao estudo do pau-ferro Caesalpinia 
leiostachya Ducke. Areia, Universidade Federal da Paraíba, 109p. Tese. 

BRAGA, R. 1976. Plantas do Nordeste: especialmente do Ceará. 3 ed. Fortaleza, Coleção 
Mossoroense, 532p. 

CARVALHO, N. M. & OLIVEIRA, O. F. 1978. Efeito da posição da semente na semeadura 
sobre a emergência do feijão ( Phaseolus vulgaris L.). Científica , São Paulo, 
6(3):349-353. 

COCHRAN, W.G. & SNEDECOR, G.W. 1979. Métodos Estadisticos , 6 ed. México, 
Continental, 694p. 

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Rio de Janeiro, IBDF, 6v. il. 

HERINGER, E. P. 1947. Contribuição ao conhecimento da flora da zona da mata de Minas 
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LOPES, A. C. 1 982. Estudos comparativos entre essências nativas e exóticas. CONGRESSO 
FLORESTAL BRASILEIRO, 4. Anais. Belo Horizonte, Sociedade Brasileira de 
Silvicultura, 1982: 87-89. 

LORENZI, H. 1992. Árvores Brasileiras: manual de identificação de cultivo de plantas 
arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa, Plantarum, p.147. 

POPINIGIS, F. 1977. Fisiologia da Semente. Brasília, AGIPLAN, 299p. 

Ramos, A.; BIANCHETTI, a. & KUNYIOSHI, Y. S. 1982. Influência do tipo e da 
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Parapiptadenia rígida (Benth.) Brenan. CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO, 
4. Anais. Belo Horizonte, 1982: 446-448. 

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exóticas. CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO, 3. Anais. São Paulo, Sociedade 
Brasileira de Silvicultura, 1983: 195-208. 

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profundidade de semeadura na formação de mudas de pau-d arco e imburana de cheiro. 
Boi. Pesq. EMBRAPA/CPATSA. Petrolina, 24: 9-16. 


53 





CDD: 584.504165 



AVALIAÇÃO DO POTENCIAL GERMINATIVO 
EM AÇAÍ (EUTERPE OLERÁCEA MART.) 
VARIEDADES PRETO, BRANCO E ESPADA 1 


Asemar Carlos da C. Cunha 2 
Mário Augusto G. Jardim 3 


RESUMO - Com o objetivo de avaliar o potencial germinativo da palmeira açaí 
(Euterpe oleracea Mart.) variedades preto, branco e espada, montou-se um 
experimento com 04 tratamentos e 03 repetições os quais foram: TI (Testemunha - 
frutos com polpa), T2 (frutos despolpados e escarificados manualmente), T3 
(frutos despolpados), e T4 (frutos despolpados, escarifcados em substrato 
constituído de vermiculita). As sementes foram coletadas ao acaso e no período 
de 30 dias após a germinação foram avaliados os seguintes parâmetros: 
percentagem de germinação, crescimento médio da radícula e do caulículo. 
Para análise experimental utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado. 
Os resultados indicaram que o processo de escarificação com substrato em 
vermiculita proporcionou maior eficiência no processo germinativo e no 
desenvolvimento dos caracteres vegetativos nas três variedades. O açaí preto 
mostrou maior desenvolvimento que as demais variedades. 

PALAVRAS-CHAVE: Euterpe oleracea. Germinação, Escarificação. 

ABSTRACT - In this work made the evaluation of the germinative potential 
of açai palrn ( Euterpe oleracea Mart.) with the varietyes black, white and 
spades. Was made trials with 04 treatments and 03 repetitions: TI - Fruits with 
pulp, T2 - Fruits without pulp and grazed, T3 - Fruits without pulp, T4 - fruits 


' Trabalho apresentado na 1 Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho 
de 1995, em Belém, Pará. 

2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Bolsista PIBIC. Caixa Postal, 399. Cep: 66617- 
970. Belém-Pará. 

3 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Pesquisador. Caixa Postal, 399. Cep: 66617-970. 
Belém-Pará. 


55 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


without pulp, grazed and using vermiculite substract. The seeds was colected 
casualty and 30 days after the germination was evaluated: percentage of 
germination and roots longest. The results showed that fruits with grased on 
substract had better germination and açai black showed better development 
than ather varietyes. 

KEY-WORDS - Euterpe oleracea, Germination, Escarification. 


INTRODUÇÃO 

A análise do potencial germinativo de palmeiras representa um avanço 
significativo para a domesticação e exploração racional de seu potencial 
econômico, alimentar e energético. Segundo Pinheiro (1986) as palmeiras 
podem se multiplicar por processos gâmicos ou agâmicos em proporções 
bem diferenciadas . Poucos são os gêneros que se multipl icam por perfilhamento 
ou rebentos, sendo desta forma a propagação via semente a que ocorre com 
maior freqüência. 

A germinação de sementes de palmeiras é geralmente caracterizada por 
dificuldades que variam desde as características morfológicas da semente até 
as peculiaridades fisiológicas do processo germinativo. Segundo Corner 
( 1 966) citado por Pinheiro ( 1 986) as sementes de palmeiras são extremamen- 
te sensíveis ao ressecamento, o que ocasiona debilidade ou mesmo a falência 
total da germinação. Embora apresentem sinais de dormência há indícios de 
que o crescimento embrionário é contínuo e vagaroso e a aparente lentidão 
no crescimento da plântula está relacionada a sua capacidade em armazenar 
nutrientes e dosar seu crescimento. Diferentes formas de germinação 
evidenciam-se em função particularidades morfológicas e fisiológicas das 
estruturas envolvidas no processo germinativo das sementes. 

O objetivo deste trabalho é avaliar o potencial do Açaí ( Euterpe 
oleracea Mart.) var. preto, branco e espada. 


METODOLOGIA 

O experimento foi conduzido na Ilha do Combu, município de Acará 
(PA). As sementes foram coletadas ao acaso e postas para germinar em uma 


56 


cm 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



Avaliação do potencial germinativo em açaí 


sementeira contendo como substrato solo hidromórfico do tipo Glei Pouco 
Húmico retirado da camada arável do solo com incorporação de matéria 
orgânica, com luminosidade de 50% e umidade mantida a 80%. Foram 
aplicados 04 tratamentos com 03 repetições. Para cada tratamento utilizou- 
se um total de 300 sementes, distribuídas em número de 100 por repetição. 
Os tratamentos aplicados foram: TI (testemunha - frutos com polpa); T2 
(frutos despolpados e escarificados manualmente); T3 (frutos despolpados) 
e T4 (frutos despolpados, escarificados, germinados em vermiculita). 

No período de 30 dias após a germinação foram acompanhados os 
seguintes parâmetros: percentagem de sementes germinadas, crescimento 
médio da radícula e crescimento médio do caulículo. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Os resultados obtidos na avaliação do potencial germinativo da palmei- 
ra açaí são apresentados nas Figuras 1-4. 




Figura 2 - Comprimento médio da radícula após 30 dias da germinação (cm). 


□ AP 

□ AB 

□ AE 


57 





Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 



Figura 3 - Comprimento médio do caulículo após 30 dias da germinação (cm). 



Figura 4- Valores de D para o teste T a 5% de probabilidade 
*AP: Açaí preto; AB: Açaí branco; AE: Açaí espada 


Os tratamentos aplicados não apresentaram diferenças significativas 
quando comparados à testemunha. O tratamento T2 proporcionou nas três 
variedades maior percentagem na germinação, bem como um maior desen- 
volvimento da radícula e do caulículo. 

O processo de escarificação proporcionou considerável aceleração no 
processo germinativo, favorecendo todas as variedades na redução do tempo 
de germinação. Bovi & Cardoso (1976) citado por Aguiar (1990) estudando 
a germinação de sementes de Euterpe edulis Mart. verificaram que os 
tratamentos 2 e 3 (frutos despolpados e frutos despolpados e escarificados) 
não diferiram significativamente entre si, sendo entretanto, superiores aos 
demais tratamentos aplicados. Estes resultados assemelham-se aos obtidos 
em Euterpe oleracea Mart. onde os tratamentos T2 e T3 não diferiram 
significativamente entre si, sendo entretanto superiores a testemunha. 


58 





Avaliação do potencial germinativo em açaí 


Com relação ao tempo de germinação, Mathes & Castro (1987) 
obtiveram um intervalo entre 14-88 dias em sementes de E. edulisMan. além 
da observação de uma grande variação no número de dias necessários à 
germinação de uma mesma espécie. Maguine (1962) citado por Bovi (1990) 
relata que frutos inteiros mostraram menor velocidade de emergência, 
apresentando uma redução de 42 a 7 1 % em relação àquela obtida quando do 
uso de frutos despolpados. 

Segundo Calzavara (1982) as sementes de E. oleracea, Mart. quando 
coletadas e postas a germinar, iniciam a emissão do caulículo com 30 a 33 
dias, enquanto que imersas em água quente durante 10 minutos, antecipam 
sua germinação de forma considerável. Santos (1973), citado por Calzavara 
(1982) constatou que sementes despolpadas de forma manual e mecânica, 
iniciaram a germinação aos 21 dias após o semeio. 

Cunha & Jardim (1995) avaliando o potencial germinativo em palmei- 
ras amazônicas apesar de não obterem resultados significativos, constataram 
que o método de despolpamento e escarificação em Euterpe oleracea Mart. 
variedades preto, branco e espada, favoreceu o processo germinativo. 


CONCLUSÕES 

Os métodos de escarificação e de germinação em vermiculita, mostra- 
ram maior eficiência no processo germinativo a todas as variedades 
estudadas; a germinação em vermiculita favoreceu todas as variedades no 
maior desenvolvimento da radícula e do caulículo; a espécie Euterpe 
oleracea Mart. var. preto, apresentou um potencial germinativo superior as 
variedades branco e espada; a espécie Euterpe oleracea Mart. var. espada, 
apresentou maior precocidade no processo germinativo em relação as 
variedades preto e branco; os tratamentos T2 , T3, e T4, não diferiram 
significativamente entre si, entretanto, apresentaram diferenças expressivas 
em relação a testemunha. 


59 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


AGUIAR, F. F. A. 1990. Efeito de diferentes substratos e condições ambientais na 
germinação de Euterpe edulis Mart. e Geonoma schottiana Mart. CONGRESSO 
NACIONAL DE BOTÂNICA, 41. Anais. 4(2): Suplemento. 

BOVI, M.L.A. 1990. Pré embebição em água e percentagem e velocidade de emergência de 
sementes de palmiteiro. Bragantia, Campinas, 49 (1): 11-22. 

CALZAVARA, B.B.G. 1982. O Açaizeiro Euterpe oleracea Mart. Belém, EMBRAPA/ 
CPATU (Série Cultivos Pioneiros). 

CUNHA, A.C.C. & JARDIM, M.A.G.1995. Avaliação do potencial germinativo e do 
desenvolvimento de caracteres Vegetativos de Seis Espécies de Palmeiras do Estuário 
Amazônico. CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA, 46. Resumos. Ribeirão 
Preto. 

MATTHES, L.A.F. & CASTRO, C.E.F. 1987. Germinação de sementes de palmeiras. 
O Agronômico. Campinas. 39 (3): 267 - 277. 

PINHEIRO, C.U.B. 1986. Germinação de sementes de palmeiras: Revisão Bibliográfica. 
Teresina, 102p (EMBRAPA/UEPAE. Documentos, 5). 



60 


SciELO 


11 





CDD: 581.6 


ANÁLISE FITOSSOCIOLÓGICA E USO DE 
RECURSOS VEGETAIS NA RESERVA 
EXTRATIVISTA DO CAJARI, AMAPÁ 1 


Samuel Soares de Almeida 2 
Marlene Saraiva da Silva 3 
Nelson de Araújo Rosa 2 


RESUMO - O extrativismo é uma atividade cultural e econômica marcante na 
Amazônia, desde a época pré-histórica, estando associada à estratégias de 
sobrevivência e de uso da terra. Uma parte significativa do território amazô- 
nico é composta por manchas florísticas que incluem espécies vegetais de valor 
econômico e usos diversos. Neste trabalho realizou-se inventário florístico do 
componente arbóreo (DAP > 10 cm) de uma área de “castanhal” na Reserva 
Extrativista do Cajari, localizada nos municípios de Mazagão e Laranjal do 
Jari, Amapá. Foram registradas 38 famílias botânicas que incluíram 115 
espécies e 521 indivíduos. As 10 espécies mais representativas correspondiam 
a 45,49% do número total de indivíduos e 51,21 % da dominância registrada. 
Os usos mais comuns da flora local foram madeira para construção civil, para 
construção rural, medicina popular, espera de caça e alimentação humana. 

PALAVRAS-CHAVE: Recursos Extrativistas, Inventário Florístico, Botânica 
econômica, Amazônia. 

ABSTRA CT - Fitossociological analysis and plant resources uses in the Cajari 
Extractive Reserve, Amapá, Brazil. Extractivism has been a cultural and 


1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho 
de 1995, em Belém, Pará. Pesquisa financiada pelo Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA- 
IBAMA). 

2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399, CEP 
66.040-170. Belém-PA. 

3 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Bolsista de Iniciação 
Científica - P1BIC. Caixa Postal 399, CEP 66.040-170. Belém-PA. 


61 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


economic activity in the Amazon since pre-columbiam times. This activity is 
associated with survival and land use strategies. A significam part of Amazônia 
is covered with larges florest patches with plant species of both commercial and 
non-commercial use value. This study provides fitossociological and economic 
data ofa tree community of the Brazilnut tree area (“castanhal") in the Cajari 
Extractive Reserve (Amapá State, Brazil). Trees provide that community with 
medicinal drugs, latex, essentials oils, firewood, resins, seeds, fruits and palm 
hears. A total of 521 trees (115 species in 38 plant families) were recorded on 
the plot. The 10 most representative species correspond to 45,49% of the total 
number of individuais and 51, 21 % ofthe total dominance. Tirnber for civil and 
rural construction, popular medicine, hunting attraction and liurnan food are 
the more comtnon uses of Cajari tree community. 

KEY WORDS: Extractive resources, Floristic inventory, Economic botany, 
Amazônia. 


INTRODUÇÃO 

A atividade extrativista na Amazônia é uma prática primitiva de 
exploração de recursos que se confunde com a própria pré-História da região 
(Santos 1980). O efeito econômico desta atividade foi tão expressivo no 
passado que a arquitetura de cidades como Belém, Manaus e Santarém foi 
definitivamente moldada com os recursos oriundos do extrativismo vegetal 
da borracha (Tocantins 1982). 

Nos dias atuais, com a crescente importância da biodiversidade para a 
humanidade como um valor econômico, ambiental e cultural, a Amazônia 
ganhou destaque face a elevada riqueza de organismos que encerra seus 
ecossistemas naturais. Com isso, o extrativismo está sendo reavaliado em 
novas bases sócio-econômicas e conservacionistas (Allegretti 1 990; Anderson 
1990). Este novo paradigma, abrange, além de novas formas de relações 
comerciais, a inclusão de técnicas agroflorestais de cultivo e de manejo e uso 
sustentado de recursos (Prance 1990). 

Reserva Extrativista (RESEX) é uma categoria de manejo que só 
recentemente foi incluída no Sistema de Unidades de Conservação do Brasil 
(SEM A 1988). RESEX pode ser definida como área de domínio público, 
ocupada por grupos sociais que dependem dos produtos da floresta para sua 


62 



Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais 


sobrevivência e que realizam, sob concessão de uso da terra, manejo 
sustentado dos recursos naturais, de acordo com um preestabelecido Plano 
de Manejo. 

Um dos obstáculos atuais é dotar as RESEXs, de Planos de Manejo e 
Conservação que possam ser facilmente aplicáveis, compatibilizando melhoria 
de qualidade de vida, sustentabilidade e proteção do patrimônio biológico. 

O objetivo deste trabalho é apresentar uma análise sobre a composição 
e utilização da flora arbórea numa área dentro da RESEX do Cajari (Amapá). 
Estas informações serão agregadas ao conhecimento atual sobre a área para 
execução do Plano de Manejo. Este plano deve incluir um calendário 
extrativista que considere todas as espécies com interesse extrativista e 
comercial, tanto as de uso local como aquelas utilizadas em outras áreas. Isto 
servirá para ampliar as oportunidades e diminuir a pressão extrativista sobre 
as espécies tradicionalmente exploradas. 


METODOLOGIA 

Área de estudo. Reserva Extrativista do Cajari localizada nos municípios de 
Mazagão e Laranjal do Jari (Amapá). Possui cerca de 481 .650 hectares e está 
inserida na bacia do rio Cajari tributário do rio Amazonas sob a influência 
do rio Jari. A vegetação inclui floresta de terra firme intercalada com área 
de savanas. 

O inventário florístico foi realizado no Castanhal do Sororoca (Mun. 
de Mazagão). Foram feitas ainda, coletas botânicas e de informações sobre 
uso na Vila de Santa Clara (Mun. de Mazagão). 

Inventário florístico. Amostrou-se 1 hectare (lO.OOOm 2 ) subdividido em 25 
parcelas de 20 x 20 m 2 . Todos os indivíduos com diâmetro a altura do peito 
(DAP) > 10 cm foram incluídos, anotando-se ainda a altura total e do fuste. 

Análise fitossociológica. Os parâmetros fitossociológicos de densidade (ou 
abundância) absoluta e relativa; área basal e dominância foram obtidos de 
acordo com Mueller-Dambois & Ellenberg (1974). Foram feitas análises 
gráficas de distribuição de freqüência de espécie por classes de abundância. 


63 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1). 1995 


Botânica Econômica. Registrou-se informações sobre utilização de elemen- 
tos da flora arbórea na área de inventário e com moradores da Vila de Santa 
Clara. Informações adicionais sobre uso das espécies em outras áreas foram 
agregadas através de consulta à literatura especializada (Matta 1910; 
LeCointe 1947; Bondar 1964; Loureiro & Silva 1968; Berg 1994; Albuquerque 
1989; Cavalcante 1991) e material anteriormente coletado na área. 

As informações foram organizadas nas seguintes categorias de usos: 
Madeira para construção civil (Mc), para construção rural (Mr), para 
construção naval (Mn), para combustível-lenhae carvão (Mb), para movelaria 
(Mm); medicina popular (Me); material fibroso (Fi); óleo comestível ou 
essencial (O); planta ornamental (Or), artesanato (Ar); látex (L)); resina (R): 
planta tóxica (T); material tintorial e/ou tanífero (Tn); alimentação humana 
(Ah) e plantas usadas para espera de caça (Ec). 


RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Composição e Estrutura Florística. A flórula arbórea do hectare amostrado 
no Castanhal Sororoca incluía 521 indivíduos distribuídos em 115 espécies 
e 38 famílias botânicas (Tabela 1). 


Tabela 1 . Estrutura florística na RESEX Cajari, Amapá, e em quatro outras localidades na 
Amazônia oriental. (Plantas com DAP > 10 cm; densidade = indivíduos por hectare). 


Localidade 

Família (N°) 

Espécies (N°) 

Densidade 

Fonte 

Cajari (AP) 

38 

115 

521 

Este estudo 

Camaipi (AP) 

47 

188 

546 

Mori et al. 1979 

Capitão Poço (PA) 

39 

121 

504 

Dantas et al. 1979 

Caxiuanã (PA) 

43 

196 

649 

Almeida et al. 1993 

Rio Xingu (PA) 

33 

162 

567 

Campbell et al. 1988 


A comparação com outros 4 hectares amostrados na Amazônia Oriental 
demonstra que esta área possui menor riqueza específica que as demais 
(Tabela 1). Entretanto, este padrão pode ser produzido artificialmente em 
florestas manejadas, onde a pressão extrativista pode atuar no sentido de 


64 


Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais 


otimizar a densidade de espécies de interesse, em detrimento daquelas sem 
nenhum uso atual. 

Quase a metade do total de indivíduos amostrados (45 ,49 % ) pertenciam as 
10 espécies mais importantes no conjunto florístico amostrado (Tabela 2). 
A dominância, expressa na percentagem da área basal, também foi conside- 
rável para este conjunto de espécies (51,21%) (Tabela 2). Neste grupo, a 
família Lecythidaceae esteve representada por 3 espécies ( Eschweilera 
pedicellata, Gustavia augusta e Bertholletia excelsa ), Arecaceae por 2 
( Maximiliana maripa e Iriartea exorrhiza ) e Sterculiaceae, Myrtaceae, 
Simarubaceae, Meliaceae e Myristicaceae apresentaram uma espécie. 


Tabela 2 - Espécies mais representativas em 1 hectare de “castanhal” em Floresta de Terra 
Firme, em termos de densidade e dominância, na RESEX de Cajari, Amapá. 


Espécie 

Família 

Densidade 
absoluta (%) 

Área basal 
(m 2 ) 

Dominância 

(%) 

Eschweilera pedicellata 

LECYT 

42 (8,06) 

2,05 

5,89 3 

Maximiliana maripa 

ARECA 

35 (6,72) 

2,01 

5,11 a 

Theobroma speciosum 

STERC 

32 (6,14) 

0,40 

1,14 6 

Gustavia augusta 

LECYT 

27 (5,18) 

0,33 

0,95 7 

Eugenia patrisii 

MYRTA 

25 (4,80) 

0,26 

0,73 a 

Iriartea exorrhiza 

ARECA 

19 (3,65) 

0,20 

0,56'° 

Simaba cedron 

S1MAR 

16 (3,07) 

0,23 

0,65 9 

Carapa guianensis 

MELIA 

15 (2,88) 

2,11 

6,04 2 

Vi rola michelli 

MYRIS 

14 (2,69) 

0,90 

2,58 5 

Bertholletia excelsa 

LECYT 

12 (2,30) 

9,39 

26, 90 1 

Sub-total (10 espécies) 


237 (45,49) 

17,88 

51,21 

Demais espécies (105) 


284 (54,51) 

17,88 

48,79 

Total geral (115) 


521 (100,0) 

34,90 

100,00 


* Números sobrescritos representam o “rank” de espécies para Dominância; Área basal de uma espécie 
é Xnd 2 /4, onde d é o DAP; Dominância de uma espécie é a área basal da espécie/área basal total x 100; 
Densidade absoluta de uma espécie é número de indivíduos por hectare; Densidade relativa de uma 


espécie é a densidade absoluta da espécie/densidade total de todas as árvores x 100. 


As espécies mais densas foram Eschweilera pedicellata (42 árvores/ha, 
8,06%), Maximiliana maripa (35 árvores, 6,72%), Theobroma speciosum 
(32 árvores, 6,14%) e Gustavia augusta (27 árvores/ha, 5,18%). 


65 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


Uma comparação entre densidade e dominância demonstra que, algu- 
mas espécies, mesmo pouco representadas, possuem uma considerável 
dominância de área basal. Este é o caso de Bertholletia excelsa, cujos 12 
indivíduos registrados possuem diâmetros consideráveis, atingindo 26,9% 
da dominância basal total. Em contraste, Eschweilera pedicellata, com 
muitos indivíduos, apresentou uma dominância 5 vezes menor do que aquela 
de Bertholletia excelsa (Tabela 2). Em termos de dominância, a seguir 
destacam-se Carapa guianensis (6,04%), Eschweilera pedicellata (5,89%), 
Maximiliana maripa (5,77%), e Virola michelli (2,58%) (Tabela 2). 

Entretanto, é provável que este hectare não se constitua numa amostra 
de floresta oligárquica, definida por Peters et al. (1989), como áreas onde 
há dominância de poucas espécies, cuja origem é atribuída tanto à seleção 
antropogênica como à condições edafo-climáticas favoráveis. 

Usos da flora arbórea. Mais da metade das 115 espécies inventariadas 
eram utilizadas na área ou possuem registro de uso em outras áreas (63 
espécies, 54,8%). Outras 52 espécies não foram citadas ou o uso é 
desconhecido (Figura 1). Dentre os usos mais comuns destacam-se 
madeira para construção civil e rural, medicina popular e espécies que 
atraem caça (Figura 1). Embora existam poucas tentativas para se estimar 
a valoração econômica da atividade extrativista na Amazônia, ela pode ser 
expressiva na área do Cajari, a exemplo de uma comunidade estudada por 
Peters et al. (1989) em Mishana, Peru, que calcularam uma renda média 
em torno de 700 dólares por ano por ha. 

Entre as espécies listadas com maior densidade e dominância, a maioria 
tem valor de uso qualquer, corroborando a hipótese de otimização de 
densidade das espécies sob manejo (Tabela 2). Dentre essas, destacam-se 
algumas com valor extrativista consagrado como Bertholletia excelsa, a 
“castanheira” (12 indivíduos, 2,30%), cuja amêndoa é o principal produto 
extrativista do Cajari; Carapa guianensis a “andiroba” (15 indivíduos, 
2,88%), cuja semente fornece um excelente óleo utilizado na medicina 
popular e indústria de cosméticos; Virola michelli, a ucuuba (14 indivíduos, 
2,69%0), com madeira de alto valor para laminados; Simaba cedron, 
“paratudo” ( 1 6 indiv. , 3,17%), cuja casca é excelente vermífugo e Maximiliana 
maripa, o “buriti ”(35 indiv. ,6,72%), cujo fruto é de pouco valor como 
alimento humano, mas importante na alimentação da fauna de mamíferos. 


66 


cm 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais 



Número de Categorias de Usos 

Figura 1 - Freqüência de categoria de uso da flora na Reserva Extrativista do Cajari, Amapá. Mun. 
de Mazagão e Laranjal do Jari (AP). 


As espécies com maior número de citações e diversificação de usos são 
Bertholletia excelsa, Carapa guianensis, Euterpe oleracea, Hymenaea 
courbaril, Caryocar glabrum, Bagassa guianensis dentre outras (Anexo I). 

É importante notar ainda a convergência existente entre espécies mais 
abundantes ou dominantes, com aquelas cujos usos despertam maior 
interesse extrativista, seja por razões de tradição local ou por demanda de 
mercado (Tabela 3). No entanto exceção pode ser feita a Hymenaea 
courbaril, Tabebuia impetiginosa e Licania heteromorpha, espécies pouco 
densas mas com utilização intensa (Figura 1). Em termos de conservação da 
diversidade biológica, essas espécies e outras, cujas partes utilizadas são 
frutos e sementes, ou mesmo aquelas abundantes com uso intenso, devem 
merecer atenção em estudos futuros sobre técnicas específicas de manejo 
visando produtividade e rendimento sustentável a longo prazo. 


CONCLUSÃO 

A flora arbórea do hectare amostrado na RESEX Cajari (AP) apresenta 
u ma riqueza específica menor, quando comparada a outras florestas não 
Manejadas. No entanto, não se pode afirmar que o manejo de florestas 
Promova diminuição da diversidade biológica. 


67 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


Tabela 3 - Espécies de maior valor econômico atual ou potencial e seus respectivos tipos usos 
mais comuns, na Reserva Extrativista do Cajari, Amapá. 


Espécie 

Família 

Usos mais importantes 

Bertholletia excelsa HBK. 

LECYT 

Alimentação: Amêndoa (‘in natura’), óleo. 
Medicina: Casca e fruto seco (tônico). 

Fibra. Casca usada como material fibroso Dara 
assoalho de tapiri e paiol. 

Carapa guianensis Aubl. 

MELIA 

Medicina: Semente (anti-inflamatória, 
contusões) . 

Madeira: Construção civil, naval, movelaria. 

Euterpe oleracea Mart. 

ARECA 

Alimentação: Fruto e palmito. 

Medicina: Raiz (anti-hemorráeica. reumatismo), 
folhas novas (contusões). 

Guarea subsessifolia C.DC 

MELIA 

Medicina: Raiz (anti-hemorrágica). 

Madeira: Construção civil e naval: combustível 
(carvão e lenha). 

Bagassa guianensis Aubl. 

LECYT 

Madeira: Construção civil, naval e movelaria. 
Fibras. Material fibrosos na casca usado como 
tecido. 

Espera de caça: Atração de caça (mamíferos). 

Hymenaea courbaril L. 

CAESA 

Medicina: Raiz (anti-inflamatória). Casca (tosse, 
bronquite). 

Madeira: Marcenaria. 

Resina: Usada como verniz e combustível. 

Licania octandra (Hoff. & 
R et S) Kuntze. 

CHRYS 

Artesanato: Casca silicosa usada misturarada com 
argila em peças de cerâmica. 

Madeira: Contrução civil. 

Medicina: Casca (adstringente). 

Tabebuia impetiginosa 
(Mart.) Standley 

BIGNO 

Medicina: Casca (antiinflamatória e antieástrica). 
Cerne (anticancerígeno). 

Madeira: Construção civil e marcenaria. 

Vi rola michelli Heckel 

MYRIS 

Madeira: Construção civil e movelaria. 


A elevada densidade de espécies úteis sugere que o povoamento 
arbóreo esteja sendo manejado de modo a favorecer este conjunto de 
espécies. Uma evidência disto é o fato de que a maioria das espécies mais 
representativas floristicamente possuem pelo menos uma citação de uso 
local. 


68 



Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais 


Apesar de apresentar menor número de espécies quando comparada a 
outras localidades da Amazônia Oriental, a flora do Cajari (AP) não pode ser 
considerada uma oligo-floresta como sugerido por Peters et al. (1989). Da 
mesma forma, os dados de riqueza florística apresentados não são suficientes 
para apoiar a hipótese de simplificação da diversidade biológica em florestas 
manejadas. 

Espécies muito valorizadas, com intenso extrativismo, e ainda aquelas 
que incluem remoção de frutos e sementes, devem ser priorizadas em estudos 
futuros sobre dinâmica biológica de populações e técnicas de manejo e uso 
sustentado de recursos extrativistas. 


AGRADECIMENTOS 

Agradecemos ao pessoal do CNPT/IBAMA do Amapá, especialmente 
a Wilson Menescal e ao Sr. Filocrião pelo apoio e informações sobre a área. 
À Benedito Rabelo e Antonio Carlos Farias da CEMA/AP pelo apoio 
logístico pela ajuda e acolhida. Agradecimento especial ao Sr. Miguel da 
Silva pela ajuda no campo e informações. 


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Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira. 


70 


cm 


SciELO 


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Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais 


Anexo I - Espécies, parâmetros fitossociológicos e tipos de usos da flora arbórea do Castanhal 
Sororoca, RESEX Cajari, Amapá, Municípios de Mazagão e Laranjal do Jari. Legendas para 
usos: Mc (madeira para construção civil); Mn (madeira para Construção naval); Mr(madeira 
para construção rural); Mm (movelaria); Mb (combustível-lenha e carvão); Fi (material 
fibroso da casca ou folha); Me (medicina popular); Ar (artesanato); Ec (espera de caça); O 
(óleo essencial e/ou comestível); Or (planta ornamental); R (resina); L (látex); T (planta 
tóxica); Tn (substância tanífera e/ou tintorial). Legenda para colunas: D. A. = densidade 
absoluta; Á. B. = área basal em m 2 ; Dom. = Dominância em porcentagem. 


N° 

Espécie 

Família 

D. A. 

Á.B. 

Dom. 

Usos 

1 

Ampelocera edentula Kuhl. 

ULMAC 

5 

0,47 

1,35 

Me/Tn 

2 

Aniba guianensis Aubl. 

LAURA 

6 

0,15 

0,42 

Mc 

3 

Annona montaria var. marcgravii 
(Mart) Pl. & Tr. 

ANNON 

1 

0,01 

0,04 

Ah 

4 

Aspidosperma eleanum Mgf 

APOCY 

5 

0,07 

0,20 

Mc/Mn/Me 

5 

Aspidosperma excelsum Benth. 

APOCY 

1 

0,04 

0,10 


6 

, Bagassa guianensis Aubl . 

MORAC 

1 

0,27 

0,77 

Ec/Fi/Mc/Mn/Mm 

7 

Bauhinia guianensis Ducke 

CAESA 

1 

0,19 

0,55 


8 

Bauhinia siqueirae Huber 

CAESA 

6 

0,06 

0,18 


9 

Bertholletia excelsa H.B.K. 

LECYT 

12 

9,39 

26,89 

Ah/Ec/Mr/ Me/Fi 

10 

Brosimum guianensis (Aubl) Huber 

MORAC 

11 

0,25 

0,70 

Ec/ L/Mc 

11 

Brosimum rubescens Sandw. 

MORAC 

4 

0,10 

0,29 

Ec/Mc 

12 

Calycolpus sp. 

MYRTA 

1 

0,02 

0,06 


13 

Campomanesia lineatifolia 

Ruiz et Pavon 

MYRTA 

1 

0,03 

0,08 


14 

Capparis coccolobifolia Mart. 

CAPPA 

5 

0,04 

0,11 


15 

Carapa guianensis Aubl. 

MELIA 

15 

2,11 

6,04 

Ec/Mc/Mm/Mn/Me 

16 

Caryocar glabrum(Aub\) Pers. 

CARYO 

1 

0,01 

0,02 

Ec/Mc/Mn/Mm 

17 

Casearia decandra Jacq. 

FLACO 

1 

0,01 

0,04 

Me 

18 

Casearia javitensis H.B.K. 

FLACO 

2 

0,03 

0,08 


19 

Cecropia obtusa Trécul. 

CECRO 

1 

0,03 

0,08 

Me 

20 

Cheiloclinium cognalum (Miers) Mori 

HIPPO 

5 

0,07 

0,20 


21 

Coccoloba paniculata Meissn. 

POLYG 

1 

0,02 

0,05 

Me 

22 

Combretum laxurn Jacq. 

COMBR 

1 

0,01 

0,03 


23 

Conceveiba guianensis Aubl. 

EUPHO 

1 

0,04 

0,13 


24 

Cordia scabrida Mart. 

BORAG 

3 

0,09 

0,26 


25 

Couepia guianensis Aubl. 

CHRYS 

1 

0,03 

0,08 

Ec/Ah/Mc/Tn 

26 

Couratari micrantha Aubl. 

LECYT 

1 

0,04 

0,13 


27 

Crepidospermum gondolianum 
(Tul.) PI. & Tr. 

BURSE 

1 

0,01 

0,03 


28 

Cupania latifolia Kunth. 

SAP1N 

3 

0,11 

0,31 


29 

Dialium guianense (Aubl) Sandw. 

CAESA 

5 

0,33 

0,94 

Mc/Mn/Mm/Me 

30 

Dripetes variabilis Vahl. 

EUPHO 

4 

0,15 

0,44 


31 

Dyospiros praetermissa Sandw. 

EBENA 

1 

0,05 

0,13 




71 


10 11 12 





Boi. 

Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 

11(1), 1995 





N° 

Espécie 

Família 

D. A. 

Á.B. 

Dom. 

Usos ! 

32 

Endopleura uchi Cuatr. 

HUMIR 

1 

0,01 

0,03 

Ah/Ec I 

33 

Eschweilera coriacea Mart. 

LECYT 

1 

0,02 

0,05 

Ec/Mr | 

34 

Eschweilera pedicellata 
(Rich.) Mori 

LECYT 

42 

2,05 

5,89 

Mr ( 

35 

Eugenia muricata D.C. 

MYRTA 

1 

0,03 

0,10 


36 

Eugenia patrisii Vahl. 

MYRTA 

25 

0,26 

0,73 

Ah ; 

37 

Euterpe oleracea Mart. 

ARECA 

4 

0,04 

0,13 

Ah/Mr/Fi/Me/Or 

38 

Exostyles amazônica Yacovlev 

CAESA 

1 

0,01 

0,18 


39 

Ficus eximia Schott 

MORAC 

1 

0,06 

1,87 


40 

Ei cus gomelleira Kunth et Bauché 

MORAC 

2 

0,65 

4,18 

Ec/L/ Me/Mr 

41 

Ficus insípida Willd. 

MORAC 

3 

1,46 

0,14 

Ec/Mr/Me j 

42 

Forsteronia guianensis Muell. Arg. 

APOCY 

3 

0,05 

0,20 


43 

Geissospermum sericeum 

Bth. & Hook. 

APOCY 

2 

0,07 

0,02 

Mr/Mc/Me J 

44 

Guarea subsessifolia Huber 

MELIA 

1 

0,01 

0,95 

Mc/Mn/Mb/Me/Or i 

1 45 

Gustavia augusta L. 

LECYT 

27 

0,33 

0,29 

Mr/Me 1 

46 

Helicostylis pedunculata Sleum. 

MORAC 

2 

0,10 

2,99 

Ec/Mr 

47 

Hieronyma laxifiora 
(Tul) Muell. Arg. 

EUPHO 

2 

1,04 

0,23 

Mr/Mn/Or 

! 48 

Hirtella eriandra L. 

CHRYS 

4 

0,08 

0,05 


49 

Humirianthera duckei Huber 

ICACI 

2 

0,02 

1,98 

Me 

50 

Hymenaea courbaril L. 

CAESA 

1 

0,69 

0,08 

Ec/Mc/Mn/Me/R 

51 

Hymenolobium racemosum Benth. 

FABAC 

1 

0,03 

0,04 


52 

Inga aff. aggregata G.Don. 

MIMOS 

1 

0,01 

0,07 


53 

Inga auristellae Harms. 

MIMOS 

2 

0,02 

0,14 


54 

Inga bracteosa Benth 

MIMOS 

1 

0,05 

0,16 


55 

Inga falcistipula Ducke 

MIMOS 

3 

0,06 

0,51 


56 

Inga ingoides (Rich) Willd. 

MIMOS 

7 

0,18 

0,03 

Ec/Ah 

57 

Inga macrophylla H.B.K 

MIMOS 

1 

0,01 

0,02 


58 

Inga marginata Willd. 

MIMOS 

1 

0,01 

0,40 


59 

Inga sp. 

MIMOS 

5 

0,36 

1,02 


60 

Inga rubiginosa (Rich) D.C. 

MIMOS 

5 

0,14 

0,40 

Ec / Mb [ 

1 61 

Iryanlhera juruensis Warb. 

MYRIS 

4 

0,08 

0,22 

Mr 

62 

Iryanlhera sagotiana (Bth) Warb. 

MYRIS 

1 

0,05 

0,16 

Mr 

63 

Iryarlea exorrhiza Ruiz & Pavón 

ARECA 

19 

0,20 

0,56 

Mr/Me/Fi 

64 

Lacmellea aculeata (Ducke) Morach 

APOCY 

1 

0,02 

0,05 


65 

Lacunaria jenmani (Oliver) Ducke 

QUIIN 

2 

0,03 

0,09 


66 

Lecylhis lurida (Miers) Mori 

LECYT 

1 

0,02 

0,05 

Mr 

67 

Lecythis pisonis Camb. 

LECYT 

1 

0,65 

1,87 

Ec/ Mc/Mn j 

68 

Leonia sp. 

VIOLA 

1 

0,01 

0,03 


69 

Licania heteromorfa Benth 

CHRYS 

2 

0,05 

0,16 

Mc/Me/ Tn 

70 

Licania octandra 
(Hoff. & R.et.S.) Kuntze 

CHRYS 

4 

0,18 

0,52 

Ar/Mc/Me/Tn 



72 






cm 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais 


N‘ 

Espécie 

Família 

D. A. 

Á.B. 

Dom. 

Usos 

71 

Lindackeria paraensis Kuhl. 

FLACO 

1 

0,04 

0,11 

Mb 

72 

Luehea speciosa Willd. 

TÍLIA 

1 

0,20 

0,58 

Mr 

73 

Mabea speciosa Muell. Arg. 

EUPHO 

2 

0,04 

0,11 


74 

Machaerium ferox Pers. 

FABAC 

1 

0,01 

0,02 


75 

Maquira guianensis Aubl. 

MORAC 

4 

0,09 

0,24 


76 

Maximiliana maripa 
(C. Serra) Drude 

ARECA 

35 

2,01 

5,77 

Ec/ Ah/ Fi 

77 

Melloa quadrivalvis 
(Jacq.) A.Gentry 

BIGNO 

2 

0,02 

0,05 


78 

Minquartia guianensis Aubl. 

OLACA 

3 

0,38 

1,09 

Mc/Mr 

79 

Mouriri acalocarpa Ducke 

MELAS 

1 

0,05 

0,14 

Mb 

80 

Mouriri grandiflora D.C. 

MELAS 

1 

0,02 

0,05 

Ec/Ah/Mb 

81 

Mouriri sp. 

MELAS 

1 

0,06 

0,16 


82 

Neea madeirana Standl. 

NYCTA 

12 

0,58 

1,66 

Me 

83 

Neea sp. 

NYCTA 

13 

0,70 

2,01 


84 

Ocotea glandulosa Lasser 

LAURA 

6 

0,36 

1,02 

Mr 

85 

Omphalea diandra L. 

EUPHO 

5 

0,04 

0,12 

Me/Ah/O 

86 

Parkia gigantocarpa Ducke 

MIMOS 

1 

1,40 

4,02 

Mc/Mm 

87 

Perebea guianensis Aubl. 

MORAC 

1 

0,05 

0,14 


88 

Picramnia latifolia Tul. 

SIMAR 

3 

0,03 

0,08 


89 

Poecilanlhe effusa Benth. 

FABAC 

1 

0,03 

0,08 

Me/Mb 

90 

Pourouma guianensis Aubl. 

CECRO 

1 

0,01 

0,04 


91 

Pouteria caimito 
(Ruiz et Pavon) Radlk. 

SAPOT 

11 

0,25 

0,73 

Ec/Mb 

92 

Protium tenuifolium Engl. 

BURSE 

6 

0,57 

1,63 

R/Mr 

93 

Pseudolmedia laevigata Tréc. 

MORAC 

11 

0,27 

0,78 


94 

Pterocarpus rorhii Vahl. 

F/\BAC 

1 

0,01 

0,03 

Mr 

95 

Richardella macrophylla Eyma 

SAPOT 

2 

0,39 

1,12 

Ec/Ah 

96 

Simaba cedron Planch. 

SIMAR 

16 

0,23 

0,65 

Mr/Me 

97 

Sloanea pubescens 
(Poepp & Endl) Benth. 

ELAEO 

1 

0,11 

0,46 


98 

Slonea grandiflora A.C.Smith 

ELAEO 

4 

0,16 

0,33 


99 

Sterculia pruriens (Aubl) Sch. 

STERC 

6 

1,23 

3,52 


100 

Slryphnodendrum polystachyum 
(Miq) Kleinh. 

MIMOS 

2 

0,36 

1,03 

Mc/T 

101 

Styrax guianensis A.DC. 

STYRA 

1 

0,01 

0,02 


102 

Swartzia arborescens 
(Aubl.) Pittier 

CAESA 

1 

0,02 

0,05 


103 

Swartzia brachyrachis Harms. 

CAESA 

1 

0,01 

0,02 


104 

Swartzia obscura Huber 

CAESA 

1 

0,01 

0,02 


105 

Tabebuia impetigiosa 
(Mart) Standl. 

BIGNO 

1 

0,02 

0,06 

Mc/Mm/Me 

106 

Tachigalia paniculata Aubl. 

CAESA 

7 

0,12 

0,34 

Mc/Mr/Mb 


73 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


N° 

Espécie 

Família 

D. A. 

Á.B. 

Dom. 

Usos 

107 

Tetragastris panamensis 
(Engl.) 0. Kuntze 

BURSE 

4 

0,07 

0,19 

Mc 

108 

Theobroma cammanensis 

Pires & Fróes 

STERC 

1 

0,01 

0,04 

Ah 

109 

Theobroma speciosum 

Willd Spreng. 

STERC 

32 

0,40 

1,14 

Ah 

110 

Traltinickia rhoifolia Willd. 

BURSE 

2 

0,21 

0,59 

Mc/Mr 

111 

Trichilia sp. 

MELIA 

1 

0,02 

0,05 


112 

Vatairea erythrocarpa Ducke 

FABAC 

1 

0,01 

0,03 


113 

Virola michelli Heckel 

MYRIS 

14 

0,90 

2,58 

Mc/Mm 

114 

Virola mullinervia Ducke 

MYRIS 

3 

0,03 

0,09 

Mc 

115 

Xylopia nitida L. 

ANNON 

1 

0,01 

0,04 

Mr/Mb/Fi 


Total 


521 

34,9 

100 



74 


cm 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



CDD: 584.150981152 



FLORA ORQUIDOLÓGICA 
DA SERRA DOS CARAJÁS, ESTADO DO PARÁ 


Euzamar Cardoso da Silveira 1 
André Luiz de Rezende Cardoso 2 
Anna Luiza llkiu-Borges 2 
Noé von Atzingen 3 


RESUMO - Localizada ao sul do Estado do Pará, a Serra dos Carajás é um 
conjunto de pequenas serras que possuem em média 600m de altitude e 
abrangem 429.000 hectares. Esta região, onde encontra-se a maior província 
mineral do Brasil, é formada por diversos ecossistemas, incluindo floresta 
equatorial, savana metalófda, mata de transição e mata ribeirinha, onde foi 
realizado o estudo da flora orquidológica. Neste levantamento foram encontra- 
das 118 espécies de orquídeas, em 55 gêneros, e observados seus ecossistemas 
de ocorrência e preferências adaptativas. 

PALAVRAS-CHAVE: Orquídeas, Estado do Pará, Serra dos Carajás, 
Ecossistema. 

ABSTRAT - The Serra dos Carajás, located in Southern Pará, is a group of 
small hills that are about 600 meters in height and cover 429, 000 hectares. This 
region possesses the largest mineral deposit in Brazil and is made up ofvarious 
ecosystems which include tropical rainforest, matelliferous savannah, transition 
area and riverside forest. These ecosystems were used for a study of orchid 
plantlife. During the study 118 species of orchids in 55 genera were found and 
notes were made about their preferred ecosystems. 

KEY WORDS: Orchids, State of Pará, Serra dos Carajás, Ecosystem. 


1 Fundação Parque Zoobotânico de Carajás. 

2 Sociedade Paraense de Orquidófilos. Rua dos Mundurucus, 1553/601. CEP: 66025-660. Belém-PA. 

3 Fundação Casa da Cultura de Marabá. Caixa Postal: 172. CEP: 68508-970. Marabá-PA. 


75 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


INTRODUÇÃO 


A Serra dos Carajás está situada a 650 km de Belém, ao sul do Estado 
do Pará, entre os paralelos 5°54' - 6°33’S e os meridianos 49°53'- 
50°34’W.Gr. Caracteriza-se por uma série de serras descontínuas e morros 
afastados por extensos vales, cujas principais elevações são: Serra Norte, 
Serra Sul e Serra Leste. A Serra Norte constitui-se de vários morros de 
minério de ferro, emergentes acima da planura da floresta com elevações de 
600 a 800 m. A uniformidade das alturas dos platôs sugere que sejam 
remanescentes de uma antiga extensa superfície de erosão. A formação de 
crosta ferrífica recobrindo os platôs impediu o desenvolvimento de densa 
floresta pluvial, ocasionando espaços salientados pela vegetação de canga, 
contrastando com a vegetação circundante. Escarpas abruptas circundam os 
platôs e as áreas situadas entre os mesmos constituem vales densamente 
revestidos pela floresta, com igarapés profundamente escavados. 

Em alguns locais existem lagos onde o concrescionamento ferruginoso 
revestiu áreas rebaixadas ou irregulares da superfície de aplainamento, a 
maioria mantida pelas variações de pluviosidade invernal (Tolbert et al. 
1971). 

A região de Carajás está submetida a um clima tropical quente e úmido, 
do tipo “Aw”, segundo a classificação de Kõppen, com uma estação chuvosa 
alternada com uma estação seca. O período chuvoso é geralmente mais 
longo, vai de novembro a maio, sendo o último mês o mais chuvoso. Os 
meses mais secos vão de julho a setembro, sendo agosto o mês mais seco. 
A precipitação média anual é de 2.116 mm. As variações térmicas vão de 
20°C nos platôs ao amanhecer e a 28°C durante as horas mais quentes do dia. 
A umidade relativa do ar é superior a 80%, de acordo com dados obtidos 
junto à Companhia Vale do Rio Doce. 

A maioria dos solos da Serra dos Carajás se enquadra no tipo Podzólico 
Vermelho-Amarelo (PV), que é a maior unidade de mapeamento que ocorre 
na área, com maior frequência à margem esquerda do rio Tocantins a partir 
do paralelo 3°S. O solo modal é o Podzólico Vermelho-Amarelo, que ocorre 
associado a diferentes solos. Segundo Ab’Saber (1986), nas áreas de 
cimeiras florestais encontra-se o Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico; 
nos morrotes de cristais dessecados sub-rochosos das margens da serra. 


76 


cm 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



Flora orquidológica da Serra dos Carajás 


ocorrem os solos Litólicos distrófícos e, nos níveis mais baixos das colinas, 
estão os Podzólicos Amarelos. O solo de canga ocorre nas áreas de relevos 
residuais. A canga é uma camada impermeável, que em Carajás, atinge uma 
profundidade de 5 a 20 m (Beisigel et al. 1973). A camada do solo sobre ela 
é muito rasa o que impede a retenção de água pluvial. 

Pires (1973) classificou as florestas predominantes da bacia do Itacaiúnas 
como “Matas de cipó”, que se caracterizam como biomassa mediana, ralas, 
com forte penetração de luz, submata obstruída por cipós, eventual formação 
de bambus no sub-bosque e escassez de epífitas. As árvores são medianas, 
mais baixas que nas matas pesadas, sendo comum a presença de associações 
bambu-castanha do Brasil. O Projeto... (1974) agrupou a cobertura vegetal 
de Carajás em dois ecossistemas: um arbustivo e um florestal. O ecossistema 
esclerófilo arbustivo caracteriza-se por conter uma pequena flora autóctone, 
herbácea e arbustiva adaptadas ao aproveitamento do orvalho, ocupa as áreas 
mais altas da Serra e é circundado pelo outro ecossistema, o de floresta, que 
seriam matas abertas, ralas, ricas em cipós e palmeiras, com forte incidência 
de luz e as matas mais fechadas, sombrias, com biomassa densa. 

Desde julho de 1993, a Sociedade Paraense de Orquidófilos, junta- 
mente com a Casa da Cultura de Marabá vêm desenvolvendo pesquisas em 
Carajás mediante um acordo de múltipla ajuda com a Companhia Vale do Rio 
Doce. 

Este trabalho faz parte de um projeto maior denominado Flora 
Orquidológica do Estado do Pará e é o resultado das pesquisas efetuadas 
sobre a flora orquidológica na área de Carajás, compreendida entre os rios 
Itacaiúnas e Parauapebas, abrangendo a Serra Norte e partes circunjascentes, 
com revestimento florístico diversificado. 


OBJETIVO 

Os objetivos deste estudo são conhecer as espécies de orquídeas do 
local, analizar aspectos ecológicos, detectar possíveis endemismos e plantas 
de rara ocorrência. 


77 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


MATERIAIS E MÉTODOS 


Foram realizadas excursões para coletas de material vivo, modo ao 
acaso. Este material foi levado para o orquidário de Carajás, orquidário 
Margareth Mee, em Marabá, e para coleções dos membros da Sociedade 
Paraense de Orquidófilos. À medida em que os exemplares florescerem, 
serão desenhados ou aquarelados, identificados, exsicatados e incorporados 
ao Herbário IAN da EMBRAPA/CPATU. 

Para a identificação utilizou-se, principalmente, os trabalhos de 
Dunsterville & Garay (1979); Hoehne (1949) e Pabst & Dungst (1975, 1977) 
e especialistas. 

RESULTADOS E CONCLUSÃO 

Foi registrado um total de 55 gêneros. Destes, 10 são compostos de 
espécies exclusivamente terrestres, 42 exclusivamente epífitas e 3 com 
representantes terrestres e epífitos (Tabela 1). 

O gênero que se mostrou mais freqüente foi Epidendrum com 13 
espécies, seguido de Catasetum com 7 espécies, e posteriormente de 
Encyclia, Maxillaria, Mormodes, Oncidium, Polystachya, Vanilla com 4 
espécies cada; Scaphyglottis, Sobralia, Ornithocephallus, Notylia, Coryanthes 
e Campylocentrum com 3 espécies cada; Bulbophyllum, Cbaubardia, 
Cryptarrhena, Cycnoches, Dichaea, Ionopsis, Macradenia, Plectrophora, 
Pleurothallis, Psygmorchis, Quekettia e Sarcoglottis com 2 espécies cada e 
Aspasia, Brassia, Cyrtopodium, Diadenium, Dimerandra, Erythrodes, 
Gongora, Habenaria, Leucohyle, Liparis, Octomeria, Oeceoclades, 
Orleanesia, Ornithidium, Paphinia, Pelexia, Peristeria, Platystele, 
Rodriguezia, Scelochilus, Schomburgkio, Spiranthes, Stanhopea, 
Stenorrhynchus, Trichocentrum, Trigonidium, Tríphora e um gênero terres- 
tre ainda não identificado, com 1 (uma) espécie cada. 

A canga é o refúgio de várias espécies que se adaptaram a intensa 
pressão seletiva exercida pelo ambiente e formaram uma comunidade 
intensamente especializada, tanto que as orquídeas que ocorrem na canga 
aberta dificilmente são encontradas em outro ecossistema de Carajás, 


78 


cm 


SciELO 


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Flora orquidológica da Serra dos Carajás 

a excessão de Epidendrum nocturnum Jacq., que é uma espécie que ocorre 
em todos os outros ecossistemas, porém em pequenas populações. 

As espécies que ocorrem na canga aberta são: Catasetum discolor 
Lindl., Catasetum planiceps Lindl, Cyrtopodium andersonii R.Br., 
Epidendrum nocturnum Jacq, Epidendrum purpurascens Focke, Habenaria 
cf. lasioglossa Cogn, Liparis nenma (Thumb.) Lindl. e Sobralia liliastrum 
Lindl. Na canga densa tipo moita ocorrem Dichaea sp, Oeceoclades 
maculata (Lindl. )Lindl, Oncidium baueri Lindl, Oncidium ceboletta (Jacq.) 
Sw, Polystachya concreta (Jacq.) Garay & Dunsterv, Psygmorchis 
glossomystax (Rchb. f.) Dodson & Dresser, Psygmorchis pusilla (L.) Dodson 
& Dresser, Sarcoglottis acaulis (J.E.Sm.) Schltr, Stenorrhynchus lanceolatum 
(Aubl.) L.C. Rich. e ocasionalmente alguma espécie da canga aberta. As 
orquídeas que ocorrem na canga densa ocorrem também na transição entre 
a canga e a floresta, o que nos levou inicialmente a considerá-la parte da 
transição, porém, com a análise mais detalhada dos dados obtidos, concluiu- 
se que melhor seria considerá-la como uma parcela distinta, pois na 
transição, a ocorrência de espécies é muito maior. 

Onze espécies são exclusivas do ecossistema de mata densa e são 
encontradas nos fundos dos vales, geralmente próximo aos córregos. São 
Coryanthes albertinae Karst, Coryanthes speciosa (Hook. ) Hook, Coryanthes 
cf. rodriguesii Hoehne, Cryptarrhena guillanyi Pabst, Erythrodes mystacina 
(Rchb.f.) Ames, Gongora sp., Mormodes sp., Paphinia cristata Lindl, 
Peristeria guttata Konwl. & Westc, Platystele ovalifolia (Focke) Garay & 
Dunsterv, Sobralia macrophylla Rchb.f. (Figura 1), Sobralia yauaperiensis 
Barb. Rodr. e Stanhopea grandiflora (Lood.) Lindl. Duas são exclusivas das 
matas de cipós do rio Itacaiúnas, que são: Encyclia randii (Barb. Rodr.) 
Porto & Brade e Encyclia linearifolioides (Krzl.) Hoehne. As demais 
espécies ocorrem indistintamente nas matas de cipós, matas densas e na 
transição, porém em populações bastante reduzidas nas matas de cipós. 

A espécie Mormodes paraènsis Salazar & da Silva só foi encontrada, 
até o presente, na Serra dos Carajás, sendo, possivelmente, endêmica desta 
região. Cycnoches manoelae P. Castro & Campacci, Erythrodes mystacina 
(Rchb.f.) Ames, Plectrophora calcarhamata Hoehne, Quekettia pygmaea 
(Cogn.) Garay & Schultes, Scelochilus paraguaensis Garay & Dunsterv, 
Habenaria cf. lasioglosa Cogn. e Spiranthes sp. são espécies de rara 
ocorrência no Estado do Pará. 


79 


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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


Tabela 1 - Lista das espécies de orquídeas da Serra dos Carajás. 


Aspasia varie gata Lindl. 

Brassia caudata (L.)Lindl. 

Bulbophyllum bracteolatum Lindl. 

Bulbophyllum insectiferum Barb. Rodr. 

Campylocentrum amazonicum Cogn. 

Campylocentrum micranthum (Lindl. )Rolfe. 

Campylocentrum pachyrhizum 
(Rchb.f) Rolfe 

Catasetum albovirens Barb. Rodr. 

Catasetum discolor Lindl . 

Catasetum galeritum Rchb.f. 

Catasetum macrocarpum 
L.C.Rich. ex Kunth. 

Catasetum multifidum Miranda. 

Catasetum planiceps Lindl. 

Catasetum pulchrum N.E.Brown. 

Chaubardia klugii (C.Schweinf.)Garay 

Cltaubardia surinamensis Rchb. f. 

Coryanthes albertinae Karst. 

Coryanthes speciosa (Hook.)Hook. 

Coryanthes cf.rodriguesi Hoehne 


(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 455) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 452) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
tzingen - 489) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 526) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 475) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 477) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 508) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 453) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 491) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 474) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 490) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 525) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 451) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 486) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 510) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 476) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 51 1) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 454) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 473) 


80 


cm 


2 3 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



1 Flora orquidológica da Serra dos Carajás 

I Cryptarrhena guillanyi Pabst 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 509) 

I Cryptarrhena lunata R.Br. 

(A. Cardoso, A.L.IlkiuBorges e Noé von 

Atzingen - 472) 

n Cycnoches haagii Barb.Rodr. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 488) 

| Cycnoches manoelae P. Castro & Capacci 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 442) , 

I Cyrtopodium andersonii R.Br 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1 

Atzingen - 546) 

I Diadenium barkeri (Lindl.) 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 

1 Benth. & Hook. ex Jacks. 

Atzingen - 487) 1 

Dichaea sp 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 551) 

Dichaea panamensis Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1 

Atzingen - 471) 1 

Dimerandra stenopetala (Hook) Schltr. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von i 

Atzingen - 512) 

: Encyclia amicta (Lindl. & Rchb.f.) Schltr. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1 

Atzingen - 492) j 

Encyclia fragrans (Sw.) Lemée 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 552) 

Encylia linearifolioides (Krzl.)Hoehne. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 547) 

| Encyclia randii (Barb.Rodr. )Porto & Brade 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1 

Atzingen - 446) ! 

Epidendrum amblostomoides Hoehne 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 548) ] 

Epidendrum coronatum Ruíz & Pav. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von ] 

Atzingen - 560) ] 

1 Epidendrum cristatum Ruíz & Pav. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von j 

Atzingen - 458) 1 

Epidendrum densiflorum Hook. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von ] 

Atzingen - 545) 9 

i Epidendrum ibaguense. H . B . K . 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1 

Atzingen - 515 ) | 

Epidendrum imathophyllum Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1 

Atzingen - 554) 1 

Epidendrum nocturnum Jacq. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1 

Atzingen - 445) | 

81 1 


cm 


2 3 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



I Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 

1 Epidendrum purpurascens Focke 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 524) 

von 

1 Epidendrum rigidwn Jacq. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 530) 

von 

| Epidendrum smaragdinum Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 457) 

von 

1 Epidendrum spilotum Garay & Dunsterv. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 553) 

von 

[ Epidendrum strobiliferum Rchb.f. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 496) 

von 

j Epidendrum aff. nocturnum Jacq. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 558) 

von 

Erythrodes mystacina (Rchb. f.) Ames 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 444) 

von 

Gongora quinquenervis Ruiz & Pav. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 497) 

von 

Habenaria cf. lasioglosa Cogn. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 516) 

von 

! Ionopsis satyrioides (Sw.) Rchb.f. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 495) 

von 

| Ionopsis utricularioides (Sw.)Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 529) 

von 

Leucohyle brasiliensis (Cogn.) Schltr. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 533) 

von 

Liparis nerxvsa (Thunb.) Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 494) 

von 

Lockhartia lunifera (Lindl.) Rchb.f. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen -513) 

von | 

Lockhartia sp. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 532) 

von 1 

Lockhartia sp. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 544) 

von 1 

Macradenia rubescens Barb.Rodr. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 456) 

von 9 

Macradenia sp. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 559) 

von 1 

Maxillaria alba (Hook.) Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 523) 

von I 

Maxillaria camaridii Rchb.f. 

(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé 
Atzingen - 527) 

von 1 

82 9 


cm 


2 3 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



1 Flora orquidológica da Serra dos Carajás 1 

I Maxillaria setigera Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von | 

Atzingen - 528) 

Maxillaria supérflua Rchb.f. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 443) 

Mormodes paraènsis Salazar & da Silva 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 493) 

Monnodes aff. paraènsis Salazar & da Silva 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 500) 

Mormodes sp. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 514) I 

Mormodes sp. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 501) 

Notylia barkerii Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von , 

Atzingen - 502) , 

i Notylia sp. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 531) j 

Notylia wullschlaegeliana Focke 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 460) 

! Octomeria surinamensis Focke 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von i 

Atzingen - 459) 

Oeceoclades maculata (Lindl.) Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von i 

Atzingen - 557) 1 

Oncidium baueri Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 462) 

Oncidium cebolleta (Jacq.) Sw. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 540) 

Oncidium morenoi Dodson & Luer 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 484) 

Oncidium nanum Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 461) 

Orleanesia amazônica Barb.Rodr. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 519) 

Ornithidium parxiflorum (P. & E.) Rchb.f. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 

Atzingen - 483) 

Ornithocephalus bicornis Lindl. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von j 

Atzingen - 537) j 

| Ornithocephalus cujeticola Barb.Rodr. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von I 

Atzingen - 448) 1 

Ornithocephalus gladiatus Hook. 

(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 1 

Atzingen - 505) ] 

83 


cm 


2 3 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


Paphinia crisma Lindl. 

Pelexia maculaia Rolfe 

Perisleria guttata Konwl. & Westc. 

Platystele ovalifolia (Focke) 

Garay & Dunsterv. 

Plectrophora calcarhamata Hoehne 

Plectrophora iridifolia Focke 

Pleurothallis pruinosa Lindl. 

Pleurothallis uniflora Lindl. 

Polystachya concreta (Jacq.) 

Garay & Dunsterv. 

Polystachya foliosa (Hook.) Rchb.f. 
Polystachya stenophylla Schltr. 
Polystachya sp . 

Psygmorchis glossomystax (Rchb.f.) 
Dodson & Dressler 

Psygmorchis pusilla (L.) 

Dodson & Dressler 

Quekettia pygmaea (Cogn.) 

Garay & Schultes 

Quekettia microscópica Lindl. 
Rodriguezia lanceolata Ruíz & Pav. 
Sarcoglottis acaulis (J.E.Sm.) Schltr. 
Sarcoglottis grandiflora (Lindl.) Kl. 
Scaphyglottis amazônica Schltr. 


(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 468) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 504) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 534) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 467) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 503) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 482) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 541) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 498) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 542) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 463) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 517) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 535) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen -539) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 447) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 538) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 478) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 480) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 481) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 506) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 465) 


84 



Flora orquidológica da Serra dos Carajás 


Scaphyglottis amethystina (Rchb.f.) Schltr. 
Scaphyglottis sickii Pabst 
Scelochilus paraguaènsis Garay & Dunsterv. 
Schomburgkia gloriosa Lindl. 

Sobralia liliastrum Lindl. 

Sobralia macrophylla Rchb.f. 

Sobralia yauaperyensis Barb.Rodr. 
Solenidium lunatwn (Lindl. )Krzl. 

Aff. Spiranthes sp. 

Spiranthes sp. 

Stanhopea grandiflora (Lood.)Lindl. 

Stenorrhynchos lanceolatum (Aubl.) 
L.C.Rich. 

Trichocentrwn cornucopiae 
Linden & Rchb.f 

Trigonidiwn acuminatum Batem, ex Lindl. 
Tripliora duckei Schltr. 

Vanilla aff. edwalli Hoehne 
Vanilla palmarum Lindl. 

Vanilla sp . 

Vanilla sp . 


(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 518) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 485) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 543) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 479) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 466) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 464) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 522) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 555) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 556) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 450) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen -521) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 470) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 550) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 469) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 507) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 536) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 449) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 520) 

(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von 
Atzingen - 549) 



85 


SciELO 





Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, ser. Bot. 1 1(1), 1995 


Figura 1 - Sobraha macrophylla Rchb.f. A - Hábito; B - Coluna (vista lateral), inferior, superior e 
frontal); C - Vista frontal da flor; D - Vista lateral do labelo; E - Polinário (vista inferior e superior); 
F - Antera (vista superior e inferior); G - Diagrama. 


SciELO 




Flora orquidológica da Serra dos Carajás 


AGRADECIMENTOS 


Agradecemos à Companhia Vale do Rio Doce, à Casa da Cultura de 
Marabá e à Sociedade Paraense de Orquidófilos pelo apoio às atividades 
desenvolvidas neste estudo. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

AB’SABER, A.M. 1986. Geomorfologia da Região. In: CARAJÁS: Desafio Político, 
Ecologia e Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Brasília, CNPq, p. 88-124. 

BEISIEGL, V.R.; BERNARDELL1, A.R.; DRUMOND, N.F.; RUFF, A.W.; TREMAINE, 
J.W. 1973. Geologia e recursos minerais da Serra dos Carajás. São Paulo. Rev. Bras. 
Geocienc. 3(4):2 15-242. 

DUNSTERVILLE, G.C.K. & GARAY, L.A. 1979. Orchids of Venezuela. An Illustrated 
Field Guide. v.1-3. Massachusetts, Botanical Museum of Harvard University/ 
H.U.Printing Office, 1055p. il. 

HOEHNE, F.C. 1949. Iconografia de Orchidaceas do Brasil. São Paulo, Secretaria de 
Agricultura/Indústrias Graphicars-F, Lanzara, 30 lp. il. 

NEPOMUCENO, L.C.; CEVIDANTES, W.S.; SILVEIRA, E.C.; SILVA, J.P. 1990. 
Orquídeas de Carajás. Rio de Janeiro, Companhia Vale do Rio Doce, 36p. il. 

PABST, J.F.G. & DUNGST, F. 1975. Orchidaceae Brasiliensis. v.l. Hildesheim, 407p. 

PABST, J.F.G. & DUNGST, F. 1977. Orchidaceae Brasiliensis. v.2. Hildesheim, 41 8p. 

PIRES, J.M. 1973. Tipos de vegetação da Amazônia. Publ. Avulsas Mus. Para. Emílio 
Goeldi. Belém, (20): 179-202. 

PROJETO RADAM BRASIL. 1974. Folha S.C. 22. Tocantins; Vegetação. Companhia Vale 
do Rio Doce - 1980. Relatório de reavaliação da jazida de ferro N4 do Distrito ferrífero 
da Serra dos Carajás, v.l. Rio de Janeiro, DNPM, p. 26-29 (Levantamento de Recursos 
Naturais). 

SILVA, A.S.L. 1993. Flora Rupestre de Carajás- Fabaceae. Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, 
sér. Bot. Belém, 9(1): 3-30. 

SILVA, M.F.F. 1991. Análise Florística da vegetação que cresce sobre canga hematítica em 
Carajás- Pará (Brasil). Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. Belém, 7(1): 79-108. 

TOLBERT, G.E. 1971 . The Recently Discover Serra dos Carajás Iron Deposits Northern 
Brazil. Lancaster, Economic Geology Publisching Company. 


87 


2 3 4 5 6 


SciELO 


cm 


10 11 12 13 14 15 





CDD: 581.334 
581.634 
582.13 
583.5 


ESTUDOS PRELIMINARES DA FLORAÇÃO 
E FRUTIFICAÇÃO DE PSYCHOTRIA IPECACUANHA 
(BROT.) STORES (IPECA) NO BANCO DE 
GERMOPLASMA DA EMBRAPA-CPATU 
EM BELÉM, PARÁ 1 


Irenice Alves Rodrigues 2 
Ana Gabriela Polaro Serra 3 
Maristela G. Moura 4 


RESUMO -A ipeca (Phychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, também conhecida 
como Cephaelis ipecacuanha (Brot.) A. Rich.) é uma das plantas medicinais que 
se encontra em extinção nas áreas de ocorrência natural. Contém como 
principais alcalóides a emetina e a cefalina, cuja ação principal é expectorante, 
vomitiva, antidiarréica e amebianas. Com a finalidade de conservar a espécie, 
desde 1990 , foram realizadas excursões científicas em áreas de ocorrência 
natural, para coletar material genético, o qual está sendo conservado em 
bancos de germoplasma no Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia 
Oriental (CPATU), da EMBRAPA. Para subsidiar as pesquisas científicas 
dessa coleção, iniciou-se observações f enológicas que pretende-se concluir no 
período de dois anos. Utilizou-se fichas de acompanhamento para as seguintes 
fenofases: floração, frutificação, brotamento, queda das folhas e morte das 


Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho 
de 1995, em Belém-PA. 

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia 
Ocidental (EMBRAPA-CPATU). Farmacêutica. Caixa Postal 48, CEP 66.017-970, Belém-PA. 

Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do convênio 
entre a EMBRAPA-CPATU e a Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP). Caixa Postal 48. 
CEP 66.017-970. Belém-PA. 

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia 
Ocidental (EMBRAPA/CPATU). Estagiária. Caixa Postal 48. CEP 66.017-970. Belém-PA. 


89 


cm 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 



Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


plantas. Verificou-se que a floração e a frutificação ocorreram em mais de uma 
época do ano, com maior concentração de floração no período de maior 
pluviosidade da região e a frutificação nos meses de maior estiagem (maio a julho) . 

PALAVRAS-CHAVE: Phychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, Floração, 
Frutificação. 

ABSTRACT - Preliminary studies ofthe flowering and fruiting of Psychotria 
ipecacuanha (Brot.) Stokes ("ipeca”) in the germplasm hank of EMBRAPA- 
CPATU in Belém, Pará, Brazil. Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, also 
known by the name Cephaclis ipecacuanha (Brot.) A. Rich., is one of the 
medicinal plants threatened with extinction in areas of its natural occurrence. 
Emetine and cephalin are its rnain alkaloids, whose main remediai action is as 
an emetic expectorant, used for common diarrhea and amoebic dysentery. In 
order to conserve this species, expeditions to collect genetic material for 
incorporation in the germplasm banks (BAG) at the Center for Agroforestry 
Research ofthe Eastern Amazon (CPATU) have been carried out since 1990. 
To aid in the scientific research ofthis collection, phenological observations are 
being carried out over a period two years. Forms are used to register the 
following phenological phases: flowering, fruitage, sprouting, leaf fali and 
plant mortality. The observations show that flowering and fruiting occur in 
more than one period, but flowering is concentrated in the rainy season of the 
region, December to April, while fruiting occurs in the months ofMay to June. 

KEY WORDS: Phychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, Flowering, Fruiting. 


INTRODUÇÃO 

Desde os tempos mais remotos, os gregos, egípcios e outros povos 
utilizavam-se de plantas medicinais para a cura das doenças daquela época. 
Estes conhecimentos, foram legados ao novo mundo, dando início a 
medicina popular, onde as plantas medicinais foram amplamente utilizadas, 
principalmente pelas camadas menos favorecidas. 

Com o desenvolvimento da medicina moderna, dos antibióticos e com 
o advento da química orgânica sintética, a importância das plantas decresceu 
no tratamento das doenças. 

Porém, em 1978, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preocupada 
com os problemas causados pelo crescente aumento do uso indiscriminado 


90 


cm 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 16 



Estudos preliminares da floração e frutificação de Psychotria Ipecacuanha 


de medicamentos de origem sintética, sugeriu um controle maior no uso 
destes medicamentos, bem como, uma considerável redução dos mesmos, 
propondo, também a utilização de produtos naturais. Ao mesmo tempo, 
devido ao preço abusivo cobrado pelos medicamentos sintéticos, poucas 
pessoas têm acesso aos mesmos. Deste modo, nas últimas décadas as plantas 
medicinais passaram a ser utilizadas com mais freqüência. 

Phychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes pertencente à família Rubiaceae 
(Caminha Filho 1948), é uma das plantas brasileira que desde o início do 
século vem sendo bastante utilizada na medicina popular brasileira, e bem 
como no exterior. Esta espécie é também conhecida vulgarmente pelos 
nomes: “ipeca”, “ipecacuanha” e “poaia”. 

A ipeca é um subarbusto nativo de matas úmidas do Brasil, encontrada 
no sul da floresta amazônica, nos Estados de Rondônia e Mato Grosso e nos 
Estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro (Assis 
1992). Seu valor farmacológico reside em alguns alcalóides encontrados em 
suas raízes, sendo os principais a emetina e a cefalina, que possuem 
propriedades eméticas, expectorantes, antidiarréicas e amebicidas (Pinto 
1976). 

A coleta de ipeca tem sido praticamente extrativista e teve seu ápice de 
exportação até a década de 70. Atualmente com a destruição das florestas 
“habitat” natural da “ipeca” a espécie vem desaparecendo, e não existe no 
Brasil áreas de cultivo. 

Preocupados com a extinção no Brasil de espécies de importância 
econômica, foi criado em 1989 o programa “cultivos pioneiros” pelo 
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq e 
Financiadora de Estudos e Projetos-FINEP para o resgate propagação, 
conservação e cultivo dessas espécies. 

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), através 
do Centro Nacional de Recursos Genéticos (CENARGEN) e o Centro de 
Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental (CPATU), elaborou um 
projeto para coleta, conservação, propagação e cultivo da “ipeca”. 

Realizou-se expedições para coleta de germoplasma de “ipeca” tendo 
atualmente o CPATU um Banco de Germoplasma (BAG) de ipeca e as 
pesquisas para o seu cultivo foram também iniciadas. 



91 


SciELO 




Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


Com a finalidade de subsidiar essas pesquisas estão sendo feitas 
observações da floração e frutificação em plantas do BAG do CPATU, em 
Belém, Pará. 

MATERIAL E MÉTODOS 

Descrição da área. Estes estudos foram realizados em duas áreas localizadas 
no CPATU da EMBRAPA, a primeira área estudada localiza-se em um sub- 
bosque e a segunda área em canteiros cobertos com maracujá' ( Passiflora 
edulis). 

Segundo Dias (1991), a área estudada localiza-se no quadrante a 
48°ir00” e 48°13’48”W e 1°21’32” e 10°24’54”S, no Município de 
Belém, Estado do Pará. 

Pela classificação de Kõppen (1948), o clima é do tipo Afi, tropical 
chuvoso com temperatura superior a 18°C, sendo a média anual de 25,7°C. 
O índice pluviométrico é bastante elevado, chegando a atingir a 220 mm/ano 
nos meses mais chuvosos; e no período de menor precipitação alcança 3 mm 
de altura. 

Obtenção e análise dos dados. O trabalho foi desenvolvido em duas áreas 
distintas: uma em área de sub-bosque e outra em área aberta. 

As primeiras observações foram feitas em área de sub-bosque em 
condições climáticas semelhantes às das áreas de ocorrência natural da 
espécie, em plantas propagadas através de estacas de raiz e conservadas em 
BAG, no período de janeiro de 1992 a setembro de 1993. 

As outras observações foram feitas em área aberta, em plantas 
propagadas através de estaca de raiz e conservadas em canteiros semi- 
sombreados com maracujá ( Passiflora edulis L.), e com irrigação localizada 
no período de janeiro de 1994 a maio do corrente ano. 

Em ambos os locais foram feitas observações trimestrais das fenofases 
de floração e frutificação e ao mesmo tempo foram anotados alguns dados 
sobre brotamento, queda das folhas e morte das plantas. 


92 


cm 


SciELO 


10 11 12 13 14 15 16 



Estudos preliminares da floração e frutificação de Psychotria Ipecacuanha 


O período de floração considerado foi desde a formação de botões 
florais até flor madura e o de frutificação foi desde frutos jovens a frutos 
maduros. 

As observações da área de sub-bosque não tiveram continuidade, pois 
houve um ataque violento de gafanhoto, com destruição das folhas das 
plantas. 


RESULTADOS 

As Figuras 1-2 mostram a periodicidade das fenofases de floração e 
frutificação nas plantas de ipeca estudadas. 

Verificou-se que em ambos os locais onde foram feitas as observações, 
a maior concentração da floração ocorreu no mês de janeiro e a da 
frutificação de abril a junho. 

Foi também observado que o clímax da floração vem coincidindo com 
a época de maior precipitação pluviométrica. 

No período chuvoso observou-se ataque de fungos nas plantas, provo- 
cando queda das folhas e morte de algumas, porém, muitas delas depois se 
recuperam. 


■& 


300 



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0 


jan/92 abr/92 jul/92 jan/93 abr/93 set/93 

meses 


Figura l.a - Período de floração de Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, em área de sub-bosque. 


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cm 


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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 



jan/92 abr/92 jul/92 jarV93 abr/93 set/93 

meses 


Figura 1 .b - Período de frutificação em Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, em área de sub-bosque. 



Figura 2. a - Período de floração de Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, em área coberta com 
maracujá. 


94 




Estudos preliminares da floração e frutificação de Psychotria Ipecacuanha 



meses 


Figura 2.b - Período de frutificação de Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, em área coberta com 
maracujá. 



Figura 3. a - Coleção de ipeca em sub-bosque. 



95 


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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 



Figura 3.b - Coleção de ipeca em canteiros. 



Figura 4. a - Inflorescência de ipeca. 


96 





Estudos preliminares da floração e frutificação de Psychotria Ipecacuanha 



Figura 4.b - Infrutescência de ipeca. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


ASSIS, M.C. 1992. Aspectos taxonômicos, anatômicos e econômicos da “ipeca”, Psychotria 
ipecacuanha (Brot.) Stokes. São Paulo, Universidade de São Paulo, 132p.Tese de 
Mestrado). 

CAMINHA FILHO, A. 1948. A ipecacuanha: Evea ipecacuanha (Brotcro) Standlcy. Boi. 
Minist. Agric., Rio de Janeiro, 32(10): 33-52. 

PINTO, C.M.D. 1976. A ipecacuanha. SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE PLANTAS 
DE INTERESSE ECONÓMICO DE LA FLORA AMAZÔNICA, 93. Costa Rica. 



97 


SciELO 






Ib 




tf 


CDD: 583.322041662 


LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA - V. 
O PÓLEN DO GÊNERO MONOPTERYX SPRUCE EX 
BENTH. (LEGUMINOSAE PAPILIONOIDEAE ) 1 

Léa Maria Medeiros Carreira 2 
Ely Simone Cajueiro Gurgel 3 


RESUMO - O gênero Monopteryx, considerado endêmico na Amazônia brasi- 
leira, era conhecido no Brasil por apenas duas espécies, M. angustifolia e M. 
uaucu (“uaucu”), que ocorriam somente no noroeste da Amazônia desde o rio 
Solimões até as cachoeiras do alto rio Negro e seus afluentes. Foi, porém, 
descoberta uma outra espécie, M. inpae (“mucurana de cheiro”), próximo a 
Manaus. Botões florais adultos provenientes de exsicatas foram submetidos a 
acetólise e, em seguida, os grãos de pólen foram medidos, descritos, 
fotomicrografados e analisados quanto ao tamanho, à forma, ao número de 
aberturas e à ornamentação da exina. Foi verificado que são médios, 3-colporados, 
de superfície punctada. A forma varia de prolata esferoidal a oblata esferoidal 
e o amb de subtriangular a circular. Uma chave polínica é apresentada. 

PALAVRAS-CHAVE: Pólen, Morfologia Polínica, Lcguminosac, Amazônia 
brasileira, Monopteryx. 

ABSTRA CT - Monopteryx, an endemic genus of legume, was previously known 
from two species, M. angustifolia and M. uaucu (“uaucu”), both occurring in 
the northwest of the Brazilian Amazon, from the Solimões River and up the 
Negro and its tributaries. A new species, M . inpae (“mucurana de cheiro ") was 
discovered near Manaus. Pollen grains from preserved, dry flower buttons 


1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho 
de 1995, em Belém, PA. 

2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi-Dept° de Botânica. Caixa Postal 399. CEP. 
66.040-170. Belém, PA. 

3 Bolsista de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico- 
CNPq, PIBIC/MPEG. Processo n° 100508/94-4. 


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close to the anthesis were submitted to the acetolysis method. The pollen grain 
size, number of apertures, shape, ornamentation and stratification of the exine 
were analyzed. Representative samples were photomicrographed. The pollen 
grains are médium, 3-colporate, exine punctate. The amb varies from 
subtriangular to drcular, from prolate spheroidal to oblate spheroidal shape. 
A pollen key is presented. 

KEY WORDS: Pollen, Pollen morphology, Leguminosae, Brazilian Amazon, 
Monopteryx. 


INTRODUÇÃO 

A flora Amazônica encontra-se constituída por inúmeras famílias, 
dentre estas destaca-se Leguminosae. É representada pelas subfamílias 
Caesalpinioideae, Mimosoideae e Papilionoideae, constando aproximada- 
mente de 1.241 espécies, distribuídas em 146 gêneros (Silva et al. 1989). 
Trata-se de uma das famílias mais importantes da Amazônia devido a suas 
diversas utilizações econômicas. 

O gênero Monopteryx Spruce ex Benth. pertence à subfamília 
Papilionoideae. Encontra-se representado na Amazônia Brasileira pelas 
espécies M. angustifolia Spruce ex Benth., M. inpae Rodrigues (“mucurana 
de cheiro”) e M. uaucu Spruce ex Benth. (“uaucu”) (Silva et al. 1989.). É 
endêmico na região e suas espécies podem ser encontradas em um área 
bastante ampla (Rodrigues 1975). 

Segundo Ducke (1949), o gênero era conhecido no Brasil apenas pelas 
espécies M. angustifolia e M. uaucu , freqüente somente no noroeste da 
Amazônia desde o rio Solimões até as cachoeiras do alto rio Negro e 
afluentes; porém, Rodrigues (1975) descreveu M. inpae como nova espécie, 
cuja amostra foi coletada próximo a Manaus. Em seu trabalho, Ducke (1949) 
incluiu o gênero na tribo Sophoreae. 

Em se tratando de estudo polínico, conta-se apenas com o trabalho de 
Ferguson & Skvarla (1981) que, baseados na morfologia dos grãos de pólen, 
incluíram o gênero Monopteryx na tribo Sophoreae, dentro do grupo polínico 
Dwjjía junto com os gêneros Alexa, Bowdichia, Panurea, Baphia, Spirotropis, 


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Clathrotropis e Petaladenium. Esses autores acrescentam que os grãos de 
pólen de Monopteryx são distintos por apresentarem o teto rugulado. 

M. uaucu é uma árvore grande ou muito grande, notável sobretudo por 
apresentar enormes sapopemas na base do tronco, nas quais as grossas raízes 
tabulares se ramificam em raízes menores formando algumas vezes verda- 
deiros engradados. Suas flores são róseo-liláses e os seus frutos são do tipo 
vagem deiscente. As sementes cozidas ou assadas são consumidas como 
alimento pelos índios, sendo que suas amêndoas, quando cozidas, propor- 
cionam um amargor muito pronunciado, dotado de propriedades terapêuticas 
que justificam seu emprego na medicina doméstica. Fornecem ainda um óleo 
combustível também usado para iluminação (Le Cointe 1947; Ducke 1949; 
Corrêa 1984). 

Record & Hess ( 1 949) citam que o cerne da madeira de M. angustifolia 
é de cor pardo-avermelhada, muito resinoso, sem odor ou gosto distinto 
quando seco, porém é dotado de odor balsâmico bastante agradável quando 
fresco. A madeira é muito pesada e resistente, de textura grosseira, de 
natureza áspera, grã irregular. É fácil de ser trabalhada, permitindo um bom 
acabamento quando submetida ao polimento. Não apresenta possibilidades 
comerciais pelo fato da espécie se concentrar em regiões inacessíveis. 
Segundo Rodrigues (1975), a madeira ao ser cortada, desprende agradável 
e leve aroma de cumarina. 

Gunn et al. (1992) sugerem ser Monopteryx um gênero reconhecido 
com a finalidade de ser investigado nas pesquisas agrícolas. 

O presente trabalho objetiva dar prosseguimento ao projeto que trata 
das leguminosas da Amazônia brasileira, cujos resultados obtidos poderão 
servir de base aos demais trabalhos referentes ao gênero Monopteryx. 

MATERIAL E MÉTODOS 
Material botânico 

Botões florais adultos foram retirados de amostras existentes nos 
herbários: IAN (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Centro de 
Pesquisas do Trópico Úmido) e 1NPA (Instituto Nacional de Pesquisas de 


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Amazônia). As referências de herbário de cada espécie encontram-se nas 
descrições polínicas. 

Métodos 

Para a preparação das lâminas foi utilizado o método de acetólise de 
Erdtman (1952). 

Para a obtenção das medidas foi ' ilizado um microscópio ZEISS 
adaptando-se uma objetiva com escala micrometrada. 

As medidas dos eixos polar e equatorial foram feitas em 25 grãos de 
pólen, em vista equatorial, utilizando-se a objetiva de 40x. Com estes 
valores, foram calculados a média, variância, desvio padrão e coeficiente de 
variação. As medidas da sexina e nexina foram feitas em 10 grãos, usando- 
se a objetiva de 100x e calculadas somente a média aritmética. 

Para as observações em MEV, os grãos de pólen, após a acetólise, 
foram deixados por 24 horas em acetona a 50% e posteriormente desidrata- 
dos em acetona a 100% durante 30 minutos. Uma gota da suspensão de pólen 
em acetona pura foi depositada sobre o suporte do MEV e deixada secar por 
algumas horas a 37°C, antes de ser evaporada com ouro. 

Nas descrições polínicas foram usadas a seqüência padronizada de 
Erdtman (1969), a classificação de Praglowski & Punt (1973), que define as 
variações ocorrentes no padrão da superfície reticulada e a nomenclatura, 
baseada no Glossário Ilustrado de Palinologia de Barth & Melhem (1988). 

As fotomicrografias de luz foram obtidas em um fotomicroscópio 
ZEISS e as de MEV em um microscópio eletrônico de varredura ZEISS 
modelo DSM-940. 

Nas descrições e nas legendas das figuras foram usadas as seguintes 
abreviaturas: amb = âmbito; E = eixo equatorial; MEV = microscopia 
eletrônica de varredura; ML = microscopia de luz; NPC = número, posição 
e caráter das aberturas; P = eixo polar; P/E = relação entre as medidas dos 
eixos polar e equatorial; P/MG = número de palinoteca do Museu Paraense 
Emílio Goeldi; s/n = sem número; VE = vista equatorial do grão de pólen; 
VP = vista polar do grão de pólen. 


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RESULTADOS 

Descrições polínicas 

Monopteryx angustifolia Spruce ex Benth. (Figura 1 a-f.) 

Coletor: R.L. Fróes 22271 
Determinador: W.A. Rodrigues 1947 
Herbário: IAN 28814 
Palinoteca: P/MG-01197 
Procedência: Rio Negro/AM 

Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb sub triangular, 
forma oblata esferoidal a prolata esferoidal, 3-colporados, de superfície 
punctada. A endoabertura é lalongada. P = 46 ± 0,8 (42 - 49,5) /xm; E = 
46 ± 0,7 (43 - 49) /x m; P/E = 1,00; NPC = 345. A sexina (3,6/xm) é bem 
mais espessa que a nexina (0,6/xm). Em MEV, a sexina apresenta-se 
ondulada, com pontuações regularmente distribuídas. 

Monopteryx inpae Rodrigues (Figura 2 a-h.) 

Coletores: W.A. Rodrigues & D. Coelho 9541 
Determinador: W.A. Rodrigues 1947 
Herbário: INPA 45830 holotipo 
Palinoteca: P/MG-01125 
Nome vulgar: “mucurana de cheiro” 

Procedência: Caracaraí - Manaus/AM 

Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb circular, 
formas oblata esferoidal e prolata esferoidal, 3-colporados, de superfície 
punctada. A endoabertura é circular. P = 36 ± 0,8 (33,5 - 39,5) /xm; E = 
36 ± 0,6 (33,5 - 38,5) /xm; P/E = 1,00; P = 39 ± 0,9 (36 - 43) /xm; E - 
35 ± 0,6 (32,5 - 38 /xm; P/E = 1,11; NPC = 345. A sexina (2, 1/xm) é mais 
espessa que a nexina (1,4/xm). Em MEV, a sexina apresenta-se intensamente 
ondulada com pontuações espaçadas. 


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Figura 1 - Pólen de Monopleryx anguslifolia. ML: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina; 
c) VE, corte ótico; d) Idem, colpo, endoabertura e ornamentação da exina (1.500x.) MEV: e) VE, 
aspecto da ornamentação da exina, em destaque as pontuações (3.000x e 7.000x); 0 Idem, aspecto dos 
colporos (3.000x). 


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Figura 2 - Pólen de Monopteryx inpae. Ml,: a) VP, corie ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c) 
VE, forma oblata esferoidal, corte ótico; d) Idem, abertura e ornamentação da exina; e) VE, forma 
prolata esferoidal, corte ótico; 0 Idem, ornamentação da exina (1.500x). MEV: g) VE, endoabertura 
circular e ornamentação da exina (3.000x e 7.000x); h) VP, aspecto dos colpos (4.000x). 


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Monopteryx uaucu Spruce ex Benth. (Figura 3 a-f.) 

Coletor: A. Ducke s/n 
Determinador: A. Ducke 1932 
Herbário: INPA 16281 
Palinoteca: P/MG-01124 
Nome vulgar: “uaucu” 

Procedência: São Gabriel/AM 

Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, anib subtriangular, 
forma oblata esferoidal, 3-colporados, de superfície punctada. A endoabertura 
é lalongada. P = 38,5 ±1,1 (33 - 41,5) /um; E = 39 ± 1,2 (31,5 - 43) /xm; 
P/E =0,98; NPC = 345. A sexina (2,8/xm) é bem mais espessa que a nexina 
(0,7/um). Em MEV, a sexina apresenta-se ondulada com pontuações espa- 
çadas, sendo que próximo aos colpos tendem a ser agrupadas. 

Chave polínica 

1 . Grãos de pólen com endoabertura circular M. inpae 

2. Grãos de pólen com endoabertura lalongada 

e amb subtriangular M. uaucu & M. angustifolia 

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO 

Para Ferguson & Skvarla (1981) os gêneros que constituem a tribo 
Sophoreae caracterizam-se por apresentar grãos de pólen 3-colporados, com 
endoabertura bem definida; os do gênero Monopteryx pertencente a esta 
tribo, são distintos dos demais gêneros que fazem parte do grupo polínico 
Dussia ( Alexa , Bowdichia, Panurea, Baphia, Spirotropis, Clathrotropis e 
Petaladenium) por apresentarem o teto rugulado. No entanto, de acordo com 
os resultados obtidos neste trabalho, pode-se observar que os grãos de pólen 
das espécies M. angustifolia e M. uaucu são muito semelhantes entre si, ou 
seja, são médios, 3-colporados, de superfície punctada. Vale ressaltar que 
os grãos de pólen de M. inpae se destacam das demais espécies por apresentar 
o amb e a endoabertura circulares. Foi verificado a presença de dimorfismo 
polínico nos grãos de pólen de M. inpae, por se apresentarem oblatos 
esferoidais e prolatos esferoidais (Figura 2 c,f). 


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Figura 3 - Pólen de Monopteryx uaucu. ML; a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c) 
VE, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina (1.500x). MEV: e) VP, ornamentação da exina 
(3.000x e 7.000x); 0 VE, abertura e ornamentação da exina (4.000x). 


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AGRADECIMENTOS 

ÀDra. O. M. Barth pelas fotomicrografias obtidas no MEV do Instituto 
Oswaldo Cruz. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


BARTH, O. M. & MELHEM, T.S. 1988. Glossário ilustrado de palinologia. Campinas, 
Universidade de Campinas, 75p. 

CORRÊA, M.P. 1984. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas, v.6., 
Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, p.3 19. 

DUCKE, A. 1949. Notas sobre a flora ncotrópica. II. As leguminosas da Amazônia 
brasileira. 2 cd., Belém, Boi. Téc. Insti. Agron. Norte, p. 1-248. 

ERDTMAN, G. 1952. Pollen morphology and plant taxonomy: Angiosperms. Stockholm, 
Almquist & Wikscel, 588p. 

ERDTMAN, G. 1969. Handbook of palinology . New York, Hafncr, 486p. 

FERGUSON, I.K. & SKVARLA, J.J. 1981. The pollen morphology of the subfamily 
Papillionoideac (Leguminosac). In: POLIIILL, R.M. &RAVEN, P.H. (cds. )Advances 
in legume systematies. v. 1, p. 859-896. 

GUNN, C.R.; WIERSEMA, J.H.; RITCHIE, C.A. & KIRKBRIDE, Jr., J.H. 1992. 
Families and genera of spcrmatophytcs recognizcd by the Agricultural Research 
Service U. S. Department of Agriculturc. Tech. Buli., 1796: 1-500. 

LE COINTE, P. 1947. Amazônia brasileira. III. Arvores e plantas úteis (indígenas e 
aclimatadas). 2. cd. SKI, J. & PUNT, W. 1973. An clucidation of the microrcticulate 
strueture of the exine. Grana, 13: 45-50. 

RECORD, S.J. & HESS, R.W. 1949. Timbers of the New World. New Havcn, Yale 
Univcrsity Press, 640p. 

RODRIGUES, W.A. 1975. Contribuição para o estudo do gênero Monoptcryx Spruce cx 
Bcnth. (Leguminosac) da Amazônia. Acta Amazon. , Manaus, 5(2): 153-5. 

SILVA, M.F.; CARREIRA, L.M.M.; TAVARES, A.L.; RIBEIRO, I.C.; JARDIM, 
M.A.G.; LOBO, M.G.A. & OLIVEIRA, J. 1989. As leguminosas da Amazônia 
brasileira: Lista prévia. Acta Bot. Bros., 2(1): 193-237. Suplemento. 


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CDD: 583.32304192 


ABORDAGEM FITOQUIMICA DE BA UH INI A 
GUIANENSIS AUBL. (LEGUMINOS AE- 
C AES APINIOIDE AE) 1 


Jáder Moreira da Silva 2 
Milena Coelho Fernandes 2 
Ana do Carmo T. de Carvalho 2 
Mário Augusto G. Jardim 3 


RESUMO - Realizou-se a abordagem fitoquímica da espécie Bauhinia guianensis, 
vegetal utilizado pela população da Ilha do Combu para fins fitoterápicos. 
Analisou-se os extratos cloro-fórmico e etanólico da casca da espécie citada, 
verificando-se as seguintes classes fitoquímicas: alcalóides, ácidos orgânicos, 
catequinas, açúcares redutores, esteróides/triterpenóides.flavo-nóides, saponina 
espumídica, aminoácidos/proteínas , polissacarídeos, purinas, taninos, antra- 
quinonas, cumarinas, sesquiterpenolactonas/ outras lactonas, e antocianinas/ 
antocianidinas. Obteve-se como resultados a presença de ácidos orgânicos, 
açúcares redutores, esteróides/triterpenóides, saponina espumídica, taninos, 
antocianinas/antocianidinas , e catequinas. 

PALAVRAS-CHAVE: Bauhinia guianensis , Fitoterapia, Fitoquímica. 

ABSTRACT - The phytochemical screening o/Bauhinia guianensis was studied 
in this work. This plant is used by the population of the Combu Island, for 
phytotherapics pourpose. The cloroformic and ethanolic extracts of the listed 
specie were analysed following the classes: alkaloids, organic acids, catechins, 
reducing sugar, flavonóids, steroids/triterpenoids, saponines, tannins, 


1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho 
de 1995, em Belém, Pará. 

2 Centro de Ensino Superior do Pará, Departamento de Ciências Farmacêuticas, CEP 66.035-170, 
Belém-Pará. 

3 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399 - CEP 
66.017-970, Belém, Pará. 


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aminoacids/proteins, antrachinones, anthocianines/antocianidines, 
sesquilerpenlactones, purines, coumarines and polysacharides. The positive 
results obtend were organic acids, reducing sugar, steroids/triterpenoids, 
saponines, tannins, anthocianines/ anthocianidines and catechins. 

KEY WORDS: Bauhinia guianensis, Phytotherapy, Phytochemistry. 


INTRODUÇÃO 

A abordagem fitoquímica trata-se de um conjunto de técnicas de 
investigação que permite o conhecimento preliminar do comportamento 
químico dos extratos em estudo, além de servir como instrumento na seleção 
de plantas para análises (Matos 1980). 

A abordagem fitoquímica desempenha importante papel no cruzamento 
de informações com a fitoterapia popular, já que determinadas classes de 
compostos presentes no vegetal podem estar relacionadas com algumas 
atividades farmacológicas atribuídas a espécie vegetal em estudo, além de 
possibilitar o fornecimento de dados para estudos quimiotaxonômicos. 

Devido ao potencial botânico da região amazônica, existe um grande 
interesse mundial voltado para estudos fitoquímicos de espécies vegetais 
utilizadas na medicina popular. Estes estudos podem servir como instrumen- 
to para a descoberta de novas bases medicamentosas e também para o 
desenvolvimento científico e tecnológico. 

Segundo Oliveira et al. (1993), os moradores da Ilha do Combu, 
município de Acará, Estado do Pará, utilizam inúmeras espécies vegetais 
nativas na preparação de remédios caseiros. Dentre essas espécies, sele- 
ciomu-se Bauhinia guianensis Aubl. (Leg. Caesalp.), conhecida popularmente 
como escada de jabuti. A sua aplicação fitoterápica como antidiarréico 
merece maiores estudos comprobatórios, visto que este é um dos problemas 
mais graves de saúde que ocorrem na comunidade do igarapé Combu. 

O objetivo desta pesquisa foi de realizar uma abordagem fitoquímica da 
espécie B. guianensis, visando o fornecimento de dados para estudos 
etnofarmacológicos e quimiotaxonômicos. 


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Abordagem fitoquímica de Bauhinia Guianensis Aubl. 


MATERIAL E MÉTODOS 

Material. A partir de análises de informações etnobotânicas da ilha do 
Combu, foi selecionada a espécie Bauhinia guianensis Aubl. (Leguminoseae - 
Caesalpinioideae), conhecida popularmente como escada de jabuti. O material 
botânico foi obtido na Ilha do Combu, localizada no município de Acará, ao 
sul da cidade de Belém, Pará, à margem esquerda do rio Guamá, distante 
1 ,5 km de Belém. As coletas foram realizadas no mês de setembro, durante 
o período de baixa pluviosidade e elevadas temperaturas. O material foi 
identificado no Herbário do Museu Paraense Emílio Goeldi. 

Métodos. Triturou-se manualmente a parte vegetativa (casca) e posterior- 
mente secou-se em temperatura ambiente por 2 (dois) dias. 

Os extratos foram obtidos através de maceração em solventes orgânicos 
de polaridades crescentes. Os solventes utilizados foram o clorofórmio (de 
polaridade intermediária) e o etanol (de alta polaridade). 

Inicialmente foi feita a extração de 96, 5g da casca em clorofórmio por 
um período de 5 dias. Em seguida, fez-se a filtração do material e 
concentração dos extratos através de destilação simples. O material foi 
novamente extraído com clorofórmio por 5 dias, filtrando-se e concentrando- 
se o extrato e obtendo-se um rendimento de 0,36g para o extrato seco. Após 
a extração com clorofórmio, realizou-se a evaporação do solvente residual 
em temperatura ambiente. 

Em seguida foi feita a extração com etanol, do material botânico 
extraído com clorofórmio anteriormente, seguindo-se os mesmos passos da 
primeira extração. Obteve-se, então, 6,95g de extrato etanólico seco. 


ABORDAGEM FITOQUÍMICA 

Alcalóides - redissolveu-se alguns miligramas dos extratos secos em 4ml de 
HC1 a 5%. Filtrou-se e separou-se em 4 porções de lml em tubos de ensaio. 
Adicionou-se 4 gotas dos reagentes abaixo. No caso de precipitação a reação 
é positiva. Neste testes foram utilizados os seguintes reativos: (a.l) - Reativo 
de Bouchardat: 4 g de iodeto de potássio, 2g de iodo foram dissolvidos em 



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lOOml de água destilada. Reação positiva: Precipitado laranja avermelhado; 
(a. 2) - Reativo de Drangendorff: Subnitrato de bismuto 0,85g, lOml de ácido 
acético (solução A). 8,0g de Iodeto de potássio e 20ml de água destilada 
(solução B); (a. 3) - Reativo de Mayer: Bicloreto de mercúrio l,36g, água 
destilada 60ml (solução A), Iodeto de potássio 5g, água destilada lOml 
(solução B); (a. 4) - Reativo de Hager: Solução aquosa de ácido pícrico 
saturado. 

Ácidos Orgânicos - redissolveu-se alguns miligramas de extrato seco em 3ml 
de água destilada. Filtrou-se e acrescentou-se 3 gotas de reativo de Pascová. 
Neste teste utilizou-se o seguinte reativo: (b.l) - Reativo de Pascová: 0,075g 
de verde de bromocresol e 0,25g de azul de bromofenol diluídos em lOOml 
de álcool etílico (solução A). 0,25g de permanganato de potássio e 0,25g de 
carbonato de sódio (10.H2O) diluídos em lOml de água destilada (solução 
B). Misturou-se 9 partes de A com 1 parte de B no momento do uso (mistura 
estável por apenas 5 minutos). 

Açúcares Redutores - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco 
em 3ml de água destilada. Filtrou-se e acondicionou-se 2ml de Reativo 
de Fehling A e 2ml de Reativo de Fehling B. Aqueceu-se em banho-maria 
em temperatura de ebulição por 5 minutos. Para o Reativo de Fehling A, 
dissolveu-se 34,65g de sulfato de cobre em água e completou-se até 500ml 
e para o Reativo de Fehling B, dissolveu-se 173g de tartarato de sódio e 
potássio e 125g de hidróxido de potássio em água destilada completando-se 
até 500ml. 

Esteróides e Triterpenóides - redissolveu-se alguns miligramas do extrato 
seco em 3ml de clorofórmio. Filtrou-se e adicionou-se 2ml de anidrido 
acético, agitando-se suavemente. Adicionou-se lml de ácido sulfúrico 
concentrado pelas paredes do tubo. 

Flavonóides - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco em lOml de 
metanol. Filtrou-se e adicionou-se 5 gotas de ácido clorídrico concentrado e 
lcm de fita de magnésio. 

Polissacarídeos - redissolveu-se alguns miligramas de extrato seco em 5ml 
de água destilada. Filtrou-se e adicionou-se 2 gotas de lugol. 


112 



Abordagem fitoquímica de Bauhinia Guianensis Aubl. 


Aminoácidos e Proteínas - redissolveu-se alguns miligramas do extrato 
seco em 2ml de água destilada, filtrou-se e adicionou-se 0,5ml de solução 
aquosa de ninhidrina 1%. Aqueceu-se até ebulição. 

Saponina Espumídica - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco 
em lml de álcool etílico 80% e diluiu-se até 15ml com água destilada. 
Agitou-se vigorosamente durante alguns minutos em um tubo de ensaio 
fechado. Reação positiva, caso a camada de espuma formada permaneça 
estável por mais de 30 minutos. 

Tanino - redissolveu-se alguns miligramas de extrato seco em lml de seu 
respectivo solvente orgânico (clorofórmio e etanol). Adicionou-se lOml de 
água destilada e 1 gota de solução de cloreto férrico 1 % . 

Cumarinas - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco em 5ml de éter 
etílico e concentrou-se em banho-maria até 0,5ml. Em um papel de filtro, 
aplicou-se gotas da solução etérea, de modo a formar manchas de aproxima- 
damente lcm de diâmetro cada. A uma dessas manchas, adicionou-se 1 gota 
de hidróxido de sódio IN. Cobriu-se a metade da mancha com papel escuro 
e expôs-se à luz ultra-violeta. Comparou-se as manchas. 

Antraquinonas - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco em 3ml de 
benzeno. Filtrou-se e adicionou-se 2ml de hidróxido de amónio a 10%. 
Agitou-se suavemente. 

Catequinas - redissolveu-se alguns miligramas de extrato seco em 3ml de 
metanol. Filtrou-se e adicionou-se lml da solução de vanilina 1% e lml de 
ácido clorídrico concentrado. 

Antocianinas e Antocianidinas - separou-se três porções de 3ml da solução 
extrativa em tubos de ensaio numerados. Concentrou-se a solução extrativa 
até 0,5ml. Levou-se ao pH 4 e filtrou-se. Acidificou-se o tubo 1 a pH 3 e 
alcalinizou-se os tubos 2 e 3 a pH 8,5 e 11. 

Purinas - em uma cápsula de porcelana, adicionou-se alguns miligramas do 
extrato seco, 3 gotas de ácido clorídrico 6N e 2 gotas de peróxido de 
hidrogênio 30%. Evaporou-se em banho-maria. Deve-se formar um resíduo 
corado de vermelho. Adicionou-se 3 gotas de hidróxido de amónio 6N. 


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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


Sesquiterpenoslactonas e outras Lactonas - redissolveu-se alguns miligra- 
mas do extrato seco em 2ml de etanol. Adicionou-se duas gotas de cloridrato 
de hidroxilamina 10% e 2 gotas de solução metanólica de hidróxido de 
potássio 10%. Aqueceu-se suavemente em banho-maria durante 2 minutos. 
Esfriou-se e acidificou-se com ácido clorídrico IN. Adicionou-se 1 gota de 
cloreto férrico. 


RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Tabela 1 - Resultados da abordagem fitoquímica dos extratos clorofórmico e etanólico de 
Bauhinia guianensis Aubl. (Leg. Caesalp.). Legenda: + Positivo; - Negativo; +/- Suspeito. 



Extratos 



mclorofórmio 

etanol 

Alcalóides Dragendoff 

- 

- 

Alcalóides Mayer 

- 

- 

Alcalóides Bouchardat 

- 

+/- 

Alcalóides Hagcr 

- 

+/- 

Ácidos orgânicos 

+ 

+ 

Açúcares redutores 

- 

+ 

Esteróides e Triterpenóides 

+ 

- 

Flavonóides 

- 

- 

Polissacarídeos 

- 

- 

Aminoácidos e Proteínas 

- 

- 

Saponina espumídica 

- 

+ 

Taninos 

+/- 

+ 

Cumarinas 

- 

- 

Antraquinonas 

- 

- 

Antocianinas c Antocianidinas 

- 

+ 

Purinas 

- 

- 

Catcquinas 

- 

+ 

Sesquiterpcnolactonas etc. 

- 

- 


Os extratos clorofórmicos e etanólicos de Bauhinia guianensis apresen- 
taram reações negativas para as seguintes classes: flavonóides, 
sesquiterpenolactonas/outras lactonas, aminoácidos/proteínas, 


114 



Abordagem fitoquímica de Bauhinia Guianensis Aubl. 


polissacarídeos, antraquinonas, purinas e cumarinas. Segundo Corrêa & 
Bernal (1990), B. championii contém flavonóides em suas raízes; B. variegata 
também apresentou flavonóides em sua composição química; em gemas de 
B. variegata foram isolados aminoácidos. 

O extrato etanólico de B. guianensis apresentou reação fracamente 
positiva para alcalóides. Segundo Hernandez et al. (1988), estudos feitos em 
sementes de B. monandra não apresentaram alcalóides. B. manca apresentou 
reação positiva para esta classe em estudos realizados em galhos (Corrêa & 
Bernal 1990). 

Os extratos etanólico e clorofórmico de B. guianensis apresentaram 
reações positivas para ácidos orgânicos e taninos. Comparando-se com os 
dados da literatura observou-se que, segundo Corrêa & Bernal (1990), 
B. racemosa contém ácidos orgânicos em suas sementes; também foram 
observadas reações positivas para ácidos orgânicos em flores de B. purpurea, 
em sementes de B. tormentosa, B. retusa e de B. variegata. 

Segundo Costa ( 1 987) , os taninos possuem ação antidiarréica de origem 
inflamatória, devido precipitarem internamente proteínas nos tecidos que 
irão recobrir as células superficiais da mucosa, diminuindo, assim, os 
movimentos peristálticos. A atividade antidiarréica de B. guianensis pode ser 
devido à presença de taninos em sua estrutura. 

O extrato etanólico de B. guianensis apresentou reação positiva para 
açúcares redutores. Também foram isolados açúcares redutores em partes 
vegetativas de B. purpurea (Corrêa & Bernal 1990). 

B. guianensis apresentou positividade para esteróides e triterpenóides 
nos extratos clorofórmicos. B. racemosa possui terpenos em cascas de seus 
galhos (Corrêa & Bernal 1990). 

B. guianensis apresentou reação positiva no extrato etanólico para 
saponina espumídica, catequinas, antocianinas e antocianidinas. Segundo 
Corrêa & Bernal (1990), B. purpurea apresenta antocianinas em suas flores. 


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CONCLUSÕES 

Bauhinia guianensis mostrou reações positivas para catequinas, 
açúcares redutores, esteróides/triterpenóides, antocianina/antocianidina, 
saponina espumídica, taninos, ácidos orgânicos e reações negativas para 
antraquinonas, flavonóides, polissacarídeos, cumarinas, proteínas/ 
aminoácidos, sesquiterpenolactonas/outras lactonas e purinas. Obser- 
vou-se uma leve turvação para alcalóides, indicando reação fracamente 
positiva. A atividade antidiarréica de B. guianensis pode ser devido à 
presença de taninos em sua estrutura. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


COIMBRA, R. 1942. Notas de fitoterapia: catálogo dos dados principais sobre plantas 
utilizadas em medicina e farmácia. Rio de Janeiro, p. 1 17-8. 

CORRÊA, J.E. & BERNAL, H.Y. 1990. Espécies vegetales promissórias de los paises dei 
convênio Andrés Bello. Coimbra, Guadalupe, v. 3. 

COSTA, A.F. Farmacognosia. 3. ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 3 v. 

HERNANDEZ, A.B.; DIAS, P.E.S.; FERNANDEZ, M.A.; TRIANA, I.F.; MAURY, 
M.H.; BOLOY, C.P. & IRENE, P.L. (s.d.). Evaluacin nutricional de las semillas de 
ipil-ipil ( Leucaena leucocephala) , casco de vaca ( Bauhinia monandra) y algarrobo de 
ipil-ipil ( Leucaena leucocephala). Arch. Latinoam. Nutr., 38(4): 956-64. 

MATOS, F.J.A. 1980. Introdução à fitoquímica experimental. Fortaleza, Universidade 
Federal do Ceará. 

OLIVEIRA, T., et al. (s.d.). O uso de plantas medicinais por comunidades ribeirinhas do 
estuário amazônico, ilha do Combu, Município de Acará (PA). CONGRESSO 
NACIONAL DE BOTÂNICA. Resumos. São Luís, p. 409. 


116 



CDD: 584.5 

664.8046 


ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DO SUCO DE AÇAÍ 
PRODUZIDO EM UMA COMUNIDADE RIBEIRINHA 
DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO 1 


Roberto José F. Coroa 2 
Tania Margareth A. Oliveira 2 
David Elias Dahan 2 
Maria das Graças C. de Almeida 3 
Mário Augusto G. Jardim 4 


RESUMO — Avaliou-se a qualidade microbiológica do suco de açaí preparado 
com os frutos do açaizeiro (Euterpc oleracea Mart.) e consumido pelos 
moradores do Furo do igarapé Combu, na Ilha do Combu, Município de Acará, 
Estado do Pará. A análise laboratorial abrangeu testes microbiológicos para 
detectar Salmonella, Staphylococcus aurcus, coliformes totais, coliformes 
fecais e fungos (bolores e leveduras) em amostras de suco e nos tipos de água 
utilizada no preparo. Os resultados determinaram a presença de coliformes 
totais, S. aureus e fungos em todas as amostras do suco. A incidência na 
contaminação está associada principalmente ao tipo de água, aos utensílios e 
a forma de manipulação do produto. 

PALAVRAS-CHAVE: Tecnologia de alimentos, Análise microbiológica, 
Coliformes, Fungos, Açaí. 

ABSTRACT - This work evaluates the microbiologycal quality offood prepared 
from açai palmfruits (Euterpe oleracea Mart.) consumed byfamilies living on 


1 Trabalho apresentado na 1 Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho 
de 1995, em Belém, Pará. 

2 Centro de Ensino Superior do Pará, CEP 66.035-170, Belém, Pará. 

3 Secretaria de Saúde Pública do Estado do Pará, CEP 66.040-020 Belém. 

4 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399. CEP 
66.017-970, Belém, Pará. 


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cm 


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the Combu River in Combu Island, Municipality of Acará, Pará State. The 
laboratory analises around microbiologycal tests to detect Salmonella, 
Staphylococcus aureus, total coliforms, fecal coliforms and fungi in sample of 
juice and water of preparation. The results showed the incidence of total 
coliforms, S. aureus and fungi in all juice samples. The contamination is 
connected with the kind of water, utensil and the manipulation ofthe product. 

KEY WORDS: Food technology, Microbiology, Coliform bactéria, Fungi, 
Açaí palm fruit. 


INTRODUÇÃO 

O homem através dos tempos vem tentando desvendar os segredos das 
relações dos microorganismos e sua interação com os seres vivos associando- 
os com a transmissão de doenças . Uma destas interações é com a microbiologia 
alimentar que está relacionada a higienização, preparação de alimentos e 
detecção de intoxicações por meio de microorganismos benéficos e patogênicos 
aos alimentos (Aquarone et al. 1975). 

Os alimentos podem servir como meios de cultura para o crescimento 
de diferentes colônias de microorganismos e por conseguinte na dissemina- 
ção de doenças. Portanto, a higienização, a manipulação e a preparação final 
de um produto são fatores determinantes para evitar a contaminação. 

Na ilha do Combu, a palmeira açaí é uma espécie vegetal responsável 
por 90% do extrativismo local por meio da coleta de frutos. Esta atividade 
é uma alternativa econômica e alimentar para os moradores ribeirinhos. A 
principal utilização dos frutos está na produção de uma bebida popularmente 
conhecida por “suco de açaí” ou “vinho de açaí” integrante da alimentação 
diária dos moradores ribeirinhos e da população da cidade de Belém (PA). 

Na comunidade da Ilha do Combu, a falta de saneamento básico e a 
forma de manipulação do produto podem induzir a uma série de contamina- 
ções durante as etapas de preparação da bebida. Isto poderá comprometer a 
qualidade e higiene, acarretando danos à saúde. Um exemplo é a qualidade 
da água utilizada que poderá servir como veículo de transmissão dos agentes 
microbiológicos. 


118 



Análise microbiológica do suco de açaí produzido em uma comunidade ribeirinha 


Esta pesquisa teve como objetivo analisar a nível microbiológico o suco 
de açaí consumido por moradores da ilha do Combu, com o intuito de alertar 
a população à higienização do produto. 


METODOLOGIA 

As amostras do suco de açaí foram coletadas na comunidade do 
Furo do igarapé Combu, localizada na Ilha do Combu, no município de 
Acará, Estado do Pará a uma distância de 1,5 km via fluvial ao sul da 
cidade de Belém. 

A pesquisa de campo foi realizada no período de novembro de 1993 
a abril de 1994. Foram visitadas 10 famílias, onde coletou-se quatro 
amostras de suco e o tipo de água utilizada. As amostras do suco e tipos 
de água foram coletadas em recipientes de vidro esterilizados, etiquetadas, 
identificadas com data da coleta, acondicionadas em caixas de isopor 
com gelo e transportadas para a Unidade de Referência Laboratorial - 
URL/SESPA, para análise microbiológica. 

Aplicou-se testes microbiológicos para detectar os seguintes grupos 
de microorganismos: Salmonella, Staphylococcus aureus, coliformes 
totais, coliformes fecais, fungos (bolores e leveduras) no suco de açaí e 
nos três tipos de água utilizadas no seu preparo, conforme técnicas do 
Instituto Adolph Lutz: 

1. Salmonella : semeou-se 25ml de suco em 225ml de caldo lactosado, 
deixando em repouso durante 60 minutos. Ajustou-se o pH 6,8 mais ou 
menos 0,2, incubou-se a 35°C por 24 horas. Passou-se lml do semeio para 
caldo selenito cistino e lml para tetrationato (acrescentou-se 0,lml de 
verde brilhante a 0,1% + 0,2ml de iodo iodeto), incubou-se a 35°C por 24 
horas. Após a leitura transferiu-se para a placa de Xilose, Lisina, 
Desoxicolato (XLD) e Entérico Hectoen (EH), incubou-se a 35°C por 24 
horas. Quando ocorreu o crescimento de colônias suspeitas passou-se para 
o meio de Rugai incubando-se por 24 horas e realizada a leitura final. 

2. Staphylococcus aureus : semeou-se em agar BAIRD PARKER (BP) 
lml da diluição 10, dividiu-se em três placas (0,3ml, 0,3ml, 0,4ml), 


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cm 


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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


incubou-se a 35 °C por 48 horas. Quando ocorreu o crescimento de 
colônias típicas, selecionou-se placas que continham de 25 a 250 colôni- 
as, em seguida repicou-se cinco colônias para agar nutriente, incubando-se 
a 35 °C por 24 horas. Para o teste confirmativo que consiste na prova da 
coagulase, incubou-se a 35°C por 24 horas, a leitura positiva foi 
confirmada com a presença do coágulo. 

3. Coliformes totais : preparou-se três séries de 3 tubos com verde 
brilhante e acrescentou-se lml das diluições 10, 10, 10 nos respectivos 
tubos, incubou-se a 35°C por 48 horas. Após este período foi feita a 
leitura final. 

4. Coliformes fecais: preparou-se três séries de 3 tubos com Caldo Lauril 
Triptose (LST), acrescentou-se lml de cada diluição 10, 10, 10 nos 
respectivos tubos, incubou-se a 35°C por 48 horas. As colônias suspeitas 
foram transportadas para recipiente contendo agar nutriente incubando- 
se por 24 horas, a seguir transferindo para o IAL e após 24 horas foi 
realizada a leitura final. 

5. Fungos ( bolores e leveduras ): semeou-se lml em duas placas da 
diluição 10 em agar dextrose batata (adicionou-se l,9ml de ácido 
tartárico para lOOOml), incubou-se a temperatura ambiente, onde a 
leitura foi realizada entre 1 e 5 dias, selecionou-se placas com 15 a 250 
colônias típicas para a leitura final. 

6. Tipos de água: utilizou-se os meios de cultura de todos os agentes 
microbiológicos acima citados. 


RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Observou-se contaminação microbiológica por coliformes totais, 
S.aureus e fungos nas amostras de suco de açaí e nos três tipos de água 
procedentes do poço, do rio e de Belém (Tabelas 1-2). 

Os coliformes totais indicaram contaminação em 100% das amos- 
tras. Segundo Sewell (1978), este grupo é mais resistente que as bactérias 
patogênicas; a contaminação para Thatcher & Clark (1972) indica um 


120 



Análise microbiológica do suco de açaí produzido em uma comunidade ribeirinha 


tratamento inadequado ou uma contaminação a partir de manipuladores, 
instrumentos mal lavados e matéria-prima não tratada, sujeitos a contamina- 
ção por pessoas e água; Oliveira et al. (1982) identificaram coliformes totais 
em 100% das amostras de suco de açaí coletadas na cidade de Belém; porém 
afirmam que a presença desta classe de germes em alimentos não tem 
significado sob o aspecto de saúde pública. 

Verificou-se que a preparação do suco do açaí na comunidade do 
Combu não apresentava boas condições de higiene durante a manipulação, 
pois os utensílios utilizados como cuias, baldes, chaleiras e até latas onde os 
frutos ficam imersos em água são lavados na água do rio e não passam por 
esterilização prévia. A falta de higienização e o tipo de água provavelmente 
foram os responsáveis pela contaminação, principalmente usando-se água 
disponível no local. 

A contaminação por S.aureus foi constatada em todas amostras. 
Segundo Evangelista (1992) a temperatura ambiente favorável para o 
desenvolvimento de colônias está entre 21,1a 36,1°C; pH do alimento em 
torno de 4,8; disseminação pelo ar e poeira são formas de proliferação deste 
microorganismo. Para Murray et al. (1992) estes meios de contaminação são 
comuns para S. aureus, além das pessoas que em geral possuem Staphylococcus 
coagulase negativo em sua superfície cutânea, permitindo a colonização 
transitória de S.aureus em pregas cutâneas úmidas e quentes. O nível de 
contaminação deve ser considerado como periculoso ao consumo da bebida, 
pois Trabulsi (1991) e Riedel (1992) citam que a quantidade de S.aureus no 
alimento deve estar em torno de 100.000 a 1.000 UFC/g para que produza 
enterotoxinas suficiente para manifestações clínicas; Oliveira et al. (1982) 
consideram uma bactéria patogênica produtora de enterotoxina que age na 
mucosa gástrica intestinal. 

A detecção deste microorganismo maior que 1 .000 UFC/g nas amostras 
pode estar intrinsecamente relacionado a temperatura ideal e ao manipulador, 
o que torna o produto passível a contaminação e conseqüentemente colocando 
em risco a saúde dos consumidores. Deve-se considerar que o nível de 
contaminação está associado a qualidade da água. 

Ridel (1992) cita que os bolores e leveduras desenvolvem-se em 
temperatura ideal de 10 a 45 °C, com ampla importância benéfica nas 



121 


SciELO 


11 





Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995 


Tabela 1 - Análise microbiológica de amostras do suco de açaí coletadas na Comunidade do 
Furo do Igarapé do Combu, Ilha do Combu, Município de Acará, Estado do Pará. 


Amostra e 
tipo de água 

Salmonella 

Coliformes 
totais (NMP/g) 

Coliformes 
fecais (NMP/g) 

S. aureus 
(UFC/g) 

Fungos 

(UFC/g) 

Al Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

260 

1.2 x 10 

A2 Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

240 

1.5 x 10 

A3 Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

1.9 x 10 

A4 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

270 

1.4 x 10 

A5 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

260 

6.3 x 10 

A6 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

11.0 x 10 

A7 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

1.9 x 10 

A8 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

1.9 x 10 

A9 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

350 

15.0 x 10 

AIO Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

280 

0.7 x 10 

BI Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

300 

7.1 x 10 

B2 Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

430 

7.5 x 10 

B3 Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

280 

1.1 x 10 

B4 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

310 

6.5 x 10 

B5 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

270 

6.3 x 10 

B6 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

300 

6.5 x 10 

B7 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

9.2 x 10 

B8 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

230 

9.3 x 10 

B9 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

245 

7.3 x 10 

B10 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

230 

7.2 x 10 

Cl Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

290 

2.0 x 10 

C2 Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

270 

1.8 x 10 

C3 Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

0.8 x 10 

C4 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

280 

1.7 x 10 

C5 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

1.7 x 10 

C6 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

230 

2.1 x 10 

C7 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

320 

8.1 x 10 

C8 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

270 

8.1 x 10 

C9 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

270 

4.0 x 10 

CIO Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

3.8 x 10 

Dl Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

260 

7.0 x 10 

D2 Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

240 

7.1 x 10 

D3 Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

260 

10.4 x 10 

D4 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

220 

7.4 x 10 

D5 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

270 

6.3 x 10 

D6 Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

280 

7.6 x 10 

D7 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

210 

6.6 x 10 

D8 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

260 

7.3 x 10 

D9 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

6.7 x 10 

D10 Belém 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

240 

8.0 x 10 


122 



Análise microbiológica do suco de açaí produzido em uma comunidade ribeirinha 


indústrias de laticínios e outros maléficos ao organismo humano. Os fungos 
encontrados nas amostras apresentaram valores acima de 1000 UFC/g. 
Segundo o autor citado, este número é considerado máximo para alimentos 
in natura. Estes resultados podem estar relacionados a vários fatores como 
umidade, temperatura ambiente e substrato ideal; Oliveira et al. (1982) 
consideram o fruto de açaí o principal portador de contaminação. 


Tabela 2 - Análise dos tipos de água utilizados na preparação do suco de açaí, na Comunidade 
do Igarapé Combu, Ilha do Combu, Município de Acará, Estado do Pará. 


Tipo de água 

Salmonella 

Coliformes 
totais (NMP/g) 

Coliformes 
fecais (NMP/g) 

S. aureus 
(UFC/g) 

Fungos 

(UFC/g) 

Poço 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

280 

0.1 x 10 

Rio 

Ausente 

> 1100 

Ausente 

250 

2.5 x 10 

Belém 

Ausente 

< 3 

Ausente 

240 

0.1 x 10 


A proliferação dos fungos nos alimentos pode ter como meios de 
transmissão o ar, solo úmido, alimentos e utensílios em condições higiênicas 
insuficientes (Evangelista 1987). Um fator que pode auxiliar na contamina- 
ção local é que desde a colheita dos frutos até o local de manipulação 
evidencia-se exposição direta com o solo e utensílios não esterilizados. 

Com relação a procedência do tipo de água, observa-se que a maior 
contaminação foi na água do rio, conseqüentemente, por permanecer exposta 
aos fatores do meio. Segundo Matos & Neto (1993) os problemas de diarréia 
são os mais comuns em áreas ribeirinhas do estuário amazônico em virtude 
do tipo de água consumida e o saneamento básico inexistente nestes locais. 
Uma alternativa para minimizar esta contaminação seria adotar um procedi- 
mento adequado na preparação do suco atentando principalmente para 
qualquer manipulação que envolva a água local. 

CONCLUSÕES 

A presença de agentes microbiológicos no suco do açaí preparado e 
consumido na comunidade do igarapé Combu, reflete uma qualidade 
microbiológica deficiente. Constatou-se que a água local é um dos 


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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995 


principais meios de transmissão relacionados com os fatores ambientais 
favoráveis ao desenvolvimento bacteriano. A contaminação pode ser 
minimizada com alguns procedimentos de baixo custo como esteriliza- 
ção caseira dos utensílios e da água utilizada no preparo. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

AQUARONE, E.; BORZAN, W. & LIMA, U.A. 1975. Biotecnologia: tópicos de 
tnicrobiologia industrial. São Paulo, Edgar Blucher, p. 113-1 18. 

EVANGELISTA, J. 1987. Tecnologia de alimentos. Rio de Janeiro, Atheneu, p.76. 

EVANGELISTA, J. 1992. Alimentos: um estudo abrangente. Rio de Janeiro, Atheneu, 

p. 208-218. 

MATOS, A. D. & NETO, J.A.P. 1993. Caracterização do uso de plantas em uma 
comunidade do estuário amazônico, Ilha da Boa Vista, Município de Acará, Estado do 
Pará. Belém, 15p. Monografia de conclusão de curso. 

MURRAY, P.R.; DREW, W.I.; KOBAYASHI, G.S. & THOMPSOM, J.H. 1992. 
Microbiologia médica. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, p.38. 

OLIVEIRA, M.L.S.; LIMA, C.L. S. & OLIVEIRA, R.A. 1982. Qualidade microbiológica 
da bebida açaí. ENCONTRO DE PROFISSIONAIS DE QUÍMICA DA AMAZÔNIA. 
Anais. Manaus, p.6. 

RIEDEL, G. 1992. Controle sanitário dos alimentos. 2 ed., São Paulo, Atheneu, p.54. 

SEWELL, G . H . 1978. Administração e controle da qualidade ambiental. São Paulo, E. P . U . , 
p.75. 

THATCHER, F.S. & CLARK, D.S. 1972. Analisis microbiológico de los alimentos. São 
Paulo, Ed. Acribia, p. 12-35. 

TRABULSI, L.R. 1991. Microbiologia. 2 ed., São Paulo, Ed. Atheneu. p. 108-241. 


124 



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CONTEÚDO 


Artigos originais 

NOTAS SOBRE IMPLEMENTOS INDÍGENAS COM MADEIRA DE 5000 
ANOS DA MICRORREGIÃO DO TAPAJÓS, PARÁ 

Pedro L. B. Lisboa, Alicia Durán Coirolo 

RESPOSTA DE BRACHIARIA HUMIDICOLA À INOCULAÇÃO 
MICORRÍZICA E A FERTILIZAÇÃO COM FOSFATO DE ROCHA 

Newlon de Lucena Costal, Rogério S. C. da Costal, 

Francisco das Chagas Leônidas, Valdinei Tadeu Paulino 

GERMINAÇÃO E CARACTERÍSTICAS BIOMÉTRICAS DE CARINIANA 
MICRANTHA DUCKE (LECYTHIDACEAE) NA AMAZÓNIA CENTRAL 

Angela Maria ImakawarJsiMi DCKossmann Ferraz 

' INFLUÊNCIA DA POSIÇÃO E PROFUNDIDADE DE SEMEADURA NA 
GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE PAU-FERRO CAESALPINIA 
LEIOSTACIIYA DUCKE t 

Mortinho Alves de Andrade Júnior, Daniel Duarte Pereira, 

Génaro Viana Dornelas, Elson Soares dos Santos 

AVALIAÇÃO DO POTENCIAL GERMINATIVO EM AÇAÍ (EUTERPE 
OLERACEA MART.) VARIEDADES PRETO, BRANCO E ESPADA 

Asemar Carlos da C. Cunha, Mário Augusto G. Jardim 

ANÁLISE FITOSSOCIOLÓGICA E USO DE RECURSOS VEGETAIS NA 
RESERVA EXTRATIVISTA DO CAJARI, AMAPÁ 

Samuel Soares de Almeida, Marlene Saraiva da Silva, 

Nelson de Araújo Rosa 

FLORA ORQUIDOLÓGICA DA SERRA DOS CARAJÁS, ESTADO DO 
PARÁ 

Euzamar Cardoso da Silveira, André Luiz de Rezende Cardoso, 

Anna Luiza Ilkiu-Borges, Noé von Atzingen 

ESTUDOS PRELIMINARES DA FLORAÇÃO E FRUTIFICAÇÃO DE 
PSYCHOTRIA IPECACUANHA (BROT.) STORES (JPECA) NO BANCO DE 
GERMOPLASMA DA EMBRAPA-CPATU EM BELÉM, PARA 

Irenice Alves Rodrigues, Ana Gabriela Polaro Serra, Maristela G. Moura.... 

LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA - V. O PÓLEN DO 
GÊNERO MONOPTERYX SPRUCE EX BENTH. (LEGUMINOSAE 
PAPILIONOIDEAE) 

Léa Maria Medeiros Carreira, Ely Simone Cajueiro Gurgel 

ABORDAGEM FITOQUÍMICA DE BAUHINIA GUIANENSIS AUBL. 
(LEGUMINOSAE-CAESAPINIOIDEAE) 

Jáder Moreira da Silva, Milena Coelho Fernandes, 

Ana do Carmo T. de Carvalho, Mário Augusto G. Jardim 

ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DO SUCO DE AÇAÍ PRODUZIDO EM 
UMA COMUNIDADE RIBEIRINHA DO ESTUÁRIO AMAZONICO 

Roberto José F. Coroa, Tania Margareth A. Oliveira, David Elias Dahan, 

Maria das Graças C. de Almeida, Mário Augusto G. Jardim 



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